Meus
Pais se sentam em bancos
suas
carnes contam cada paulada
as
ripas deixam entalhos escuros
bem
fundo nos seus flancos murchos.
Eles
acenam como velas quebradas
encerados
e queimados profundamente
e
dizem “É a compreensão
que
faz o mundo girar.”
Nos
seus rostos enrugados
eu
vejo o palanque do leilão
as
correntes e as filas de escravos
o
chicote, o açoite e o tronco.
Meus
pais falam em vozes que
trituram
minha verdade e
dizem
“É a nossa submissão
que
faz o mundo girar.”
Eles
usaram a maior astúcia
inteligência
e artimanha
a
humildade do Tio Tomming
e
os sorrisos da Tia Jemima.
Eles
riam para esconder o choro
abreviaram
os seus sonhos
e
carregaram um país no lombo
para
escrever o blues com gritos.
Eu
entendo o significado
poderia
vir e vem
de
viver à beira da morte
Eles
mantiveram minha raça viva.
Maya Angelou, in Oh Pray My Wings Are Gonna Fit Me Well (tradução de Lubi Prates)
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