Hernán
Cortez passa em revista os poucos sobreviventes de seu exército,
enquanto a Malinche costura as bandeiras rotas.
Tenochtitlán
ficou para trás. Atrás ficou a coluna de fumaça que jorrou pela
boca do vulcão Popocatépetl, como dizendo adeus, e não havia vento
que pudesse torcê-la.
Os
astecas recuperaram sua cidade. Os tetos se eriçaram de arcos e
lanças e a lagoa se cobriu de canoas em luta. Os conquistadores
fugiram em debandada perseguidos por uma tempestade de flechas e
pedras, enquanto atordoavam a noite os tambores de guerra, os
alaridos e as maldições.
Estes
feridos, estes mutilados, estes moribundos que Cortez está contando
agora se salvaram passando por cima dos cadáveres que serviam de
ponte: cruzaram para a outra margem pisando cavalos que tinham
escorregado e afundado e soldados mortos a flechadas e pedradas ou
afogados pelo peso dos alforjes cheios de ouro que não se resignavam
a abandonar.
Eduardo Galeano, in Os Nascimentos
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