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Parecia uma loja abandonada. Tinha um
letreiro na janela: “Precisa-se de ajudante”. Entrei. Um homem
com um bigode fino sorriu para mim.
— Sente-se. — Ele me deu uma
caneta e um formulário. Preenchi o formulário.
— Humm, faculdade?
— Não exatamente.
— Somos do ramo da publicidade.
— Ah, é?
— Não está interessado?
— Bom, olha, eu tenho pintado. Sou
pintor, sabe? Acabei ficando sem dinheiro. Não consigo vender
o meu material.
— Recebemos muita gente assim por
aqui.
— Eu também não gosto delas.
— Anime-se. Talvez você fique
famoso depois de morto.
Ele continuou falando que era um
trabalho noturno no começo, mas que sempre havia uma chance de
progredir na carreira.
Falei que gostava de trabalhar à
noite. Ele disse que eu poderia começar no metrô.
Charles Bukowski, em Factótum

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