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Fiquei quatro ou cinco dias andando
por aí, então permaneci bêbado por mais dois. Saí de onde estava
e fui para o Greenwich Village. Li na coluna do Walter Winchell que
O. Henry* costumava escrever em um bar que era famoso por ser
frequentado por gente que escreve. Achei o bar e entrei procurando o
quê?
Era meio-dia. Apesar da coluna do
Winchell, o lugar estava vazio. Fiquei ali sozinho com um grande
espelho, o balcão e o atendente.
— Sinto muito, senhor, não podemos
atendê-lo.
Fiquei atordoado e nem consegui
responder. Esperei por uma explicação.
— Você está bêbado.
Era provável que eu estivesse com
cara de ressaca, mas não bebia fazia já umas doze horas. Murmurei
algo sobre O. Henry e saí.
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Nota:
*Walter Winchell (1897-1972)
foi um jornalista e comentarista estadunidense, considerado o
inventor da coluna social moderna, juntando notícias com fofocas. Na
época em que a história se passa, ele tinha grande influência. Já
O. Henry (1862-1920), pseudônimo de William Sydney Porter, foi um
contista, também estadunidense, que influenciou muitos escritores
homens da geração de Charles Bukowski — era naturalista, com boas
sacadas de humor —, por isso o grande interesse de conhecer o bar
que ele frequentava em Nova York. [N.T.]
Charles Bukowski, em Factótum

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