quarta-feira, 3 de junho de 2026

I’ll Follow the Sun | Paul McCartney e John Lennon


I’ll Follow the Sun, de Paul McCartney e John Lennon

One day you’ll look
To see I’ve gone
For tomorrow may rain, so
I’ll follow the sun

Some day you’ll know
I was the one
But tomorrow may rain, so
I’ll follow the sun

And now the time has come
And so, my love, I must go
And though I lose a friend
In the end you will know, oh

One day you’ll find
That I have gone
But tomorrow may rain, so
I’ll follow the sun

Yes tomorrow may rain, so
I’ll follow the sun

And now the time has come
And so, my love, I must go
And though I lose a friend
In the end you will know, oh

One day you’ll find
That I have gone
But tomorrow may rain, so
I’ll follow the sun

A última casa em que morei em Liverpool fica no endereço 20 Forthlin Road. A essa altura, já tínhamos melhorado de vida. A minha mãe tinha grandes aspirações para nós e encontrou essa casa numa área relativamente agradável. As cortinas eram de renda, talvez por isso eu ainda faça questão de ter cortinas de renda em todos os lugares. Um hábito irlandês, acho eu. Assim, o pessoal não consegue espiar lá dentro. Eu me lembro de tocar esta canção na sala de estar com meu violão. Se você for analisar, é uma canção sobre “deixar Liverpool”. Estou deixando esta cidade chuvosa nortista e indo a um lugar onde as coisas acontecem.
A melodia é interessante também. Eu estava procurando novas combinações de notas marcantes. Tem algo de muito original nela. Uma das minhas canções favoritas da época do meu pai era “Cheek to Cheek”, a canção de Fred Astaire, e eu gosto que o verso “Heaven, I’m in heaven” aparece em duas estrofes e, depois do contraste, o “céu” volta na última estrofe. É uma frase que resume tudo. Era como a nossa casa na Forthlin Road. Você entra pela porta da frente, passa na sala de estar, na sala de jantar, cozinha, corredor e está de volta ao ponto de partida. “I’ll Follow the Sun” também faz isso.
Mesmo se estivéssemos abertos a receber influências, uma das melhores coisas nos Beatles era nossa aversão a nos repetirmos. Éramos moços inteligentes; tédio não era conosco. Quando tocamos em Hamburgo, às vezes tínhamos que preencher um período de oito horas. Tentamos aprender canções suficientes para não precisarmos repeti-las. Algumas bandas tinham só um set de uma hora, folgavam uma hora e depois repetiam o mesmo set. Tentávamos variar, porque decidimos que, caso contrário, simplesmente não sobreviveríamos. Quando voltamos à Inglaterra, tínhamos um vasto repertório, e acho que, quando começamos a fazer discos, essa ideia persistiu. Por que ficar nos repetindo? Por que fazer duas vezes o mesmo disco?
É verdade que, como já falei, existia uma certa fórmula para algumas das primeiras canções – a recorrência de pronomes como “eu”, “você”, “mim”, “dele”, “dela”, “meu”, “ela” –, mas isso era porque queríamos estabelecer contato com os fãs. Criar um vínculo com eles. Mas não eram padronizadas. O que fez dos Beatles uma banda tão sensacional foi a diversidade do repertório: não há duas músicas iguais. É incrível quando você pensa nessa produção. E tem outra coisa. John e eu escrevemos cerca de trezentas canções em sessões que duravam poucas horas ou um só dia, e nunca – nunca mesmo – saímos de uma sessão dessas sem terminar uma canção. Sempre que nos sentávamos para compor, só saíamos dali quando tínhamos uma canção.

Paul McCartney, em As Letras: 1956 até o presente

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