I’ll Follow the Sun, de Paul
McCartney e John Lennon
One day you’ll look
To see I’ve gone
For tomorrow may rain, so
I’ll follow the sun
Some day you’ll know
I was the one
But tomorrow may rain, so
I’ll follow the sun
And now the time has come
And so, my love, I must go
And though I lose a friend
In the end you will know, oh
One day you’ll find
That I have gone
But tomorrow may rain, so
I’ll follow the sun
Yes tomorrow may rain, so
I’ll follow the sun
And now the time has come
And so, my love, I must go
And though I lose a friend
In the end you will know, oh
One day you’ll find
That I have gone
But tomorrow may rain, so
I’ll follow the sun
A última casa em que morei em
Liverpool fica no endereço 20 Forthlin Road. A essa altura, já
tínhamos melhorado de vida. A minha mãe tinha grandes aspirações
para nós e encontrou essa casa numa área relativamente agradável.
As cortinas eram de renda, talvez por isso eu ainda faça questão de
ter cortinas de renda em todos os lugares. Um hábito irlandês, acho
eu. Assim, o pessoal não consegue espiar lá dentro. Eu me lembro de
tocar esta canção na sala de estar com meu violão. Se você for
analisar, é uma canção sobre “deixar Liverpool”. Estou
deixando esta cidade chuvosa nortista e indo a um lugar onde as
coisas acontecem.
A melodia é interessante também. Eu
estava procurando novas combinações de notas marcantes. Tem algo de
muito original nela. Uma das minhas canções favoritas da época do
meu pai era “Cheek to Cheek”, a canção de Fred Astaire, e eu
gosto que o verso “Heaven, I’m in heaven” aparece em
duas estrofes e, depois do contraste, o “céu” volta na última
estrofe. É uma frase que resume tudo. Era como a nossa casa na
Forthlin Road. Você entra pela porta da frente, passa na sala de
estar, na sala de jantar, cozinha, corredor e está de volta ao ponto
de partida. “I’ll Follow the Sun” também faz isso.
Mesmo se estivéssemos abertos a
receber influências, uma das melhores coisas nos Beatles era nossa
aversão a nos repetirmos. Éramos moços inteligentes; tédio não
era conosco. Quando tocamos em Hamburgo, às vezes tínhamos que
preencher um período de oito horas. Tentamos aprender canções
suficientes para não precisarmos repeti-las. Algumas bandas tinham
só um set de uma hora, folgavam uma hora e depois repetiam o mesmo
set. Tentávamos variar, porque decidimos que, caso contrário,
simplesmente não sobreviveríamos. Quando voltamos à Inglaterra,
tínhamos um vasto repertório, e acho que, quando começamos a fazer
discos, essa ideia persistiu. Por que ficar nos repetindo? Por que
fazer duas vezes o mesmo disco?
É verdade que, como já falei,
existia uma certa fórmula para algumas das primeiras canções – a
recorrência de pronomes como “eu”, “você”, “mim”,
“dele”, “dela”, “meu”, “ela” –, mas isso era porque
queríamos estabelecer contato com os fãs. Criar um vínculo com
eles. Mas não eram padronizadas. O que fez dos Beatles uma banda tão
sensacional foi a diversidade do repertório: não há duas músicas
iguais. É incrível quando você pensa nessa produção. E tem outra
coisa. John e eu escrevemos cerca de trezentas canções em sessões
que duravam poucas horas ou um só dia, e nunca – nunca mesmo –
saímos de uma sessão dessas sem terminar uma canção. Sempre que
nos sentávamos para compor, só saíamos dali quando tínhamos uma
canção.
Paul McCartney, em As Letras: 1956 até o presente

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