Algum homem sentirá desprezo por mim?
Deixe-o cuidar disso sozinho. Enquanto isso, cuidarei para não fazer
ou dizer nada desprezível.
Alguém me odiará? Deixe-o ser
responsável por isso. Em oposição, serei brando e benevolente com
todos. Caso não assuma o erro, eu me prontificarei para apontá-lo,
não visando reprimir ou exibir a minha tolerância, mas, sim, ser
nobre e honesto — como o grande Focion, na hipótese de que ele não
dissimulava. O interior do homem deve ser assim, e os deuses não
devem encontrá-lo insatisfeito ou reclamando.
Quais males podem o atingir caso você
aja conforme a sua natureza e se satisfaça com o que é apropriado à
natureza universal — considerando que é um ser humano encarregado
de agir em favor do benefício comum?
Marco Aurélio, em Meditações
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