08/11/2025

O Apanhador no Campo de Centeio


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Isso é tudo que eu vou contar. Podia contar também o que fiz quando voltei para casa, e como fiquei doente e tudo, e o colégio para onde vou no próximo outono, depois que sair daqui – mas não tenho a mínima vontade. No duro mesmo. Esse negócio todo não me interessa muito agora.
Uma porção de gente, principalmente esse cara psicanalista que tem aqui, vive me perguntando se eu vou me esforçar quando voltar para o colégio em setembro. Na minha opinião, isso é o tipo da pergunta imbecil. Quer dizer, como é que a gente pode saber o que é que vai fazer, até a hora em que faz o troço? A resposta é: não sei. Acho que vou, mas como é que eu posso saber? Juro que é uma pergunta cretina.
D. B. não é dos piores, mas também fica me fazendo um monte de perguntas. Veio me visitar no sábado passado e trouxe a garota inglesa que vai trabalhar no novo filme que ele está escrevendo. Ela é meio metida a besta, mas é um bocado bonita. De qualquer maneira, na hora que ela foi ao toalete, lá na outra ala, o D. B. me perguntou o que é que eu pensava sobre esse troço todo que acabei de contar. Eu não soube o que dizer. Para ser franco, não sei o que eu acho disso tudo. Tenho pena de ter contado o negócio a tanta gente. Só sei mesmo é que sinto uma espécie de saudade de todo mundo que entra na estória. Até do safado do Stradlater e do Ackley, por exemplo. Acho que sinto falta até do filho da mãe do Maurice. É engraçado. A gente nunca devia contar nada a ninguém. Mal acaba de contar, a gente começa a sentir saudade de todo mundo.

J. D. Salinger, em O Apanhador no Campo de Centeio

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