Não
sei exactamente quem é Deus.
Mas
isto direi.
Estava
sentada num rio chamado Clarion, numa
pedra
salpicada pela água
e
pela tarde fora fui escutando as vozes
do
rio.
Sempre
que a água batia na pedra, esta tinha
algo
a dizer,
e
a própria água também, e até os musgos,
empurrados
debaixo das águas.
E
lentamente, muito devagarinho, tornou-se claro para mim
o
que eles diziam.
O
rio: sou parte do sagrado.
E
eu também, disse a pedra. Eu também, sussurrou
o
musgo debaixo de água.
Já
tinha visitado o rio algumas vezes.
Não
o culpo por nada ter acontecido, antes.
Não
escutas vozes destas numa hora ou num dia.
Não
as escutas de todo, se tiveres os ouvidos cheios de ti próprios.
É
difícil escutar o que quer que seja, afinal, através
do
trânsito imenso, e da ambição.
Mary Oliver, em Devotions – The Selected Poems of Mary Oliver (versão de Pedro Belo Clara)
Nenhum comentário:
Postar um comentário