Não
te rias de mim, que as minhas lágrimas
São
água para as flores que plantaste
No
meu ser infeliz, e isso lhe baste
Para
querer-te sempre mais e mais.
Não
te esqueças de mim, que desvendaste
A
calma ao meu olhar ermo de paz
Nem
te ausentes de mim quando se gaste
Em
ti esse carinho em que te esvais.
Não
me ocultes jamais teu rosto; dize-me
Sempre
esse manso adeus de quem aguarda
Um
novo manso adeus que nunca tarda
Ao
amante dulcíssimo que fiz-me
À
tua pura imagem, ó anjo da guarda
Que
não dás tempo a que a distância cisme.
Vinicius
de Moraes
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