03/02/2012

Charge, de Duke ( O Tempo)


Padre Ciço contra 007


…Meu nome é BOND, eu sou James Bond
Falou o agente sacando a mão.
Meu nome é CIÇO, eu sou Padre Ciço
Falou meu Padrim Padre Ciço Romão.
O mundo calou-se prestando atenção
Encontro danado que nunca se viu
Vi gente gritando – Puta que pariu!
Essas duas alma, são alma da boa
Caiu no momento chuvosa garoa
E tome mentira milagre e questão.

Vi Bond mostrando buraco de bala
Tinha mais de vinte no mei do pulmão
Faltavam três veias no seu coração
Mas ele guardava lá dentro da mala
O meu Padrim Ciço pegou a bengala
Meteu num buraco que logo fechou
Todo ferimento se cicatrizou
Surgiu um jumento da cor de ambulância
Puxando uma maca e naquela distancia
Com o tal detetive dali disparou.

A velha beata se estatelou
Com o baita milagre em pleno sertão
E meu Padrim Ciço ou Ciço Romão
Agora babando se abestalhou
Quando James Bond da maca pulou
Puxou um canhão de dentro do terno
Prendeu uma seca roubando um inverno
Jogou uma corda e a nuvem laçou
A seca covarde dali se pirou
Livrando a gente daquele inferno.

O meu Padrim Ciço se vendo por baixo
Daquela mentira que Bond aprontou
Pensou nos milagres que já milagrou
Pegou a bengala e foi pro riacho
Numa pescaria contando por baixo
Pescou três baleias e um tubarão
Um fole tocando xaxado e baião
Segundo o primeiro já foi de Gonzaga
Uma vela acesa que nunca se apaga
Duzentas sardinhas e um pé de limão.

O agente secreto ficou assustado
Vendo uma baleia no mar do sertão
Puxou a fivela do seu cinturão
E feito um foguete pra cima e pro lado
Saiu flutuando no mei do roçado
Deu mais de mil tiros com seu mosquetão
Prendeu a volante salvou lampião
Matou coronel, feriu deputado
E um mar de corruto, correndo pro lado
Parou a roubança, salvou-se a nação.

Ai Padre Ciço botou um queixão
- Assim ta ca gota de tanta mentira !
Ai James Bond fez padre de mira
Ai Padre Ciço tacou-lhe um bufete
Pegou de surpresa zero zero sete
Os dois se atracaram zero zero oito
O padre tinhoso, mordido e afoito
Falou: – com mentira ninguém me ilude
Foi fazer milagre lá em Hollywood
Milagre pesado maior de dezoito.

Jessier Quirino

Coragem aparente


“O soldado está convencido de que tem diante de si um espaço de tempo infinitamente adiável antes que o matem; o ladrão, antes que o prendam; o homem, em geral, antes que o arrebate a morte. Esse é o amuleto que preserva os indivíduos - e às vezes os povos - não do perigo, mas do medo ao perigo; na verdade, da crença no perigo, motivo pelo qual o desafiam em certos casos, sem que sejam necessariamente bravos”. 
Marcel Proust, in À Sombra das Raparigas em Flor


"Uma vez que somos destinados a viver as nossas vidas na prisão das nossas mentes, o nosso dever é mobiliá-las bem."
Peter Ustinov

02/02/2012

Clip de Cretino, de DuSouto


A décima edição do Prêmio Hangar de Música, que aconteceu terça-feira (31) à noite no Teatro Alberto Maranhão (Ribeira), escolheu os artistas que se destacaram durante o ano de 2011. Dentre os indicados, as bandas Talma&Gadelha e DuSouto, e a cantora Khrystal ficaram com os principais prêmios concedidos pelo júri oficial. 
Lista dos premiados pelo júri:
Revelação Musical do RN: Talma&Gadelha
Banda ou Grupo: DuSouto
Intérprete: Khrystal
Música: Cretino (DuSouto)
Instrumentista: Eduardo Taufic
Produtor Musical : Anderson Foca
Letrista / Compositor : Simona Talma
CD de artista Potiguar: E o Pior q´isso tudo Não é Ficção (daSilva e d malassomBROSband)
Show realizado: Clássicos da MPB (Camila Masiso e Orquestra Sinfônica da UFRN)
Artista do Ano: Khrystal
Vídeo Clipe: Cretino - DuSouto



Roberto Carlos autoriza relançamento de seu disco "proibido"

Cópia original em vinil de "Louco por Você", primeiro LP de Roberto Carlos

Primeiro álbum de Roberto Carlos, Louco por Você vai ver a luz pela primeira vez desde seu lançamento, em 1961. O cantor vai anunciar neste domingo (12) em encontro com a imprensa em navio, no Rio, que liberou a reedição. E que uma versão remasterizada do trabalho deve chegar às lojas já no próximo mês.
Louco por Você é uma raridade, chegando a custar R$ 5.000 em leilões de colecionadores. Isso porque Roberto renegou o disco tão logo começou a fazer sucesso com a jovem guarda e vem proibindo seu relançamento no decorrer desses 51 anos.
Há poucos dias, todas as faixas de “Louco por Você” foram disponibilizadas no iTunes Store, loja virtual da Apple. Na ocasião, o cantor disse, por meio de sua equipe, que notificaria a empresa. Ao que tudo indica, entraram em acordo.
Em “Louco por Você”, Roberto expõe toda a influência que recebeu de João Gilberto. “Chega de Saudade”, álbum inaugural da bossa nova, ainda era uma novidade quando o Rei entrou em estúdio, dois anos depois.
Fonte: Folha Ilustrada

Eu não tenho tempo



Eu não tenho tempo
Eu não sei voar
Dias passam como nuvens
Em brancas nuvens
Eu não vou passar

Eu não tenho medo
Eu não tenho tempo
Eu não sei voar

Eu tenho um sapato
Eu tenho um sapato branco
Eu tenho um cavalo
Eu tenho um cavalo branco
E um riso, um riso amarelo

Eu não tenho medo
Eu não tenho tempo
De me ouvir cantar
Eu não tenho medo
Eu não tenho tempo
De me ver chorar (2x)

Eu não tenho medo
Eu não tenho tempo
E eu não sei voar.


Charge, de Nani



Sertão, sem fantasia


Rapaz, eu sou de Sertânia, com todo sentimento de um sertanejo do Moxotó, da vegetação rasteira, da poesia popular, do poder da palavra improvisada, e mais outras coisas históricas responsáveis pela nossa composição física e intelectual.
Pois bem, nesse vai-e-vem constante entre Sertânia e Recife, lá se vão mais de quarenta anos. Meu motor é 6.3. Caro escritor, eu estou muito à vontade para falar da minha região, da minha própria casa, e tenho todo o direito. Então, isso significa dizer que conheço praticamente todo o rango e bebidas alcoólicas do caminho, durante esse tempo todo.
Não há mais um queijo de coalho que preste, principalmente depois que aboliram o uso do abomaso do bode ou do mocó, no processo de fabricação. Agora é um pozinho químico. Mas, tudo bem. Tem outras coisas mais limpas, pelo menos. O queijo de coalho está cada vez mais difícil. É uma “borracha” fedorenta que você coloca na frigideira, ele fofa, incha, e se acaba ali mesmo. Não tem gosto de nada! Lembro-me da minha infância, na casa de Madrinha Dudu, em Pesqueira, que quando dona Alzira me levava pra lá, três horas da tarde, saía uma “farofa de queijo de manteiga”, direta da Fábrica, aquela raspa quentinha saborosa, derretia-se na boca.
Hoje, transitando por Sanharó, você passa obrigatoriamente, por vários pontos de revendas desses produtos, de várias origens da redondeza. Não tem um que preste. Você compra porque faz parte do ritual, para dizer aos amigos que aqui ficaram: – Eu trouxe queijo do Sertão (com a boca cheia), eu mesmo já fiz isso. A “farofa de queijo”, de péssima qualidade, parece mais um punhado de massa de cuscuz crua, melada com margarina (pelo menos em relação à farofa que falamos supra).
O “queijo de manteiga”. Ave Maria! Só tem batata. Quer dizer, na medida em que o cabra vai enricando, vai enfraquecendo o produto, aumentando o negócio e ficando com “o olho grande”.  Sabemos que isso acontece em todas as instâncias, mas estou falando da minha. 
Antes de chegar em Sanharó, nos locais de revenda desses produtos, do lado direito no sentido de quem vai daqui do Recife. Tem uma “Santa”, gorda, feia, mal feita que, pela qualidade do trabalho do artista que a confeccionou, ela deve ser a protetora dos queijos de coalho, e de manteiga da região. Sugerimos até que haja um contato para um possível caso amoroso, entre ela e outra Estátua, a do Bandeirante: Borba Gato, localizada no bairro de Santo Amaro, São Paulo, capital.
Verdade também que, por exemplo, carne não pode ser falsificada, mas o cidadão ainda vende carneiro por bode, pra não “perder a viagem”.  Embora que por aqui, na metrópole, há quem venda cachorro por bode. Fica peixe!
Pois é meu caro Luíz Berto, essa visão exótica do sertão não cabe mais. Aliás, algum sertanejo como eu poderá dizer:  êpa caboco! Eu sei onde tem queijo de coalho bom no sertão. Claro, “toda regra tem exceção”. Né pra rimar? Luís Gonzaga já previa mudanças nos quadros sertanejos quando cantava: – Você precisa conhecer a terra boa, você precisa conhecer o Moxotó. Pra ver um cabra entrar no mato encourado, derrubar touro amontado… Pegar “cobra” e dar um nó.
Ésio Rafael, na coluna Indez, do Besta Fubana

A Arte de Zé Otávio, ilustrador paulista









"Valoriza-te para mais: os outros ocupar-se-ão em baixar o preço."
Anton Tchekhov

Horizontes de eternidade

“A morte não é um acontecimento da vida. A morte não pode ser vivida. Caso se compreenda por eternidade não uma duração temporal infinita, mas a intemporalidade, quem vive no presente é quem vive eternamente. A nossa vida é tanto mais sem fim quanto mais o nosso campo de visão não tem limites”. 
Ludwig Wittgenstein, in Tratado Lógico-Filosófico

Destino


De posse do meu sonho alcandorado,
Vestido pelas cores da aurora,
Lancei-me menino pela vida afora,
Viçoso, tenro, crente, esperançado.

A vida sujeitou-me ao triste fado,
Ao duro dissabor, sorte caipora...
Sem glórias, nem paixões carrego agora,
Um fardo de angústias do passado.

Pela estrada que caminho a esmo,
Eu procuro, disperso de mim mesmo,
Os restos do meu sonho de outrora,

Mas, até a saudade do que fui,
Num mar de sofrimento se dilui
Num vento de incerteza se evapora.

Zenóbio Oliveira, poeta e radialista mossoroense

01/02/2012

Era uma casa muito engraçada...


Quem passa em frente à casa de Simon Dale pode ter a impressão de estar em um cenário de filme épico ou começar a crer que seus novos vizinhos são hobbits – aqueles homenzinhos valentes de pés e orelhas grandes ao estilo O Senhor dos Anéis. Entretanto, trata-se apenas da residência ecologicamente correta de uma família comum no País de Gales.


Toda projetada e construída pelo próprio Simon com a ajuda de seu sogro, a moradia foi pensada com o intuito de amenizar os impactos da construção civil. “Mudamos para a casa quatro meses depois que comecei a construí-la, e tudo foi pensado para ser feito em benefício do meio ambiente” conta. “Além disso, é uma oportunidade única de viver bem próximo à natureza, coisa que amamos.”


Todos os materiais usados na empreitada são naturais ou têm a menor quantidade de elementos considerados nocivos ao já desgastado planeta. “É muito bom ser seu próprio arquiteto. Criar com liberdade não tem preço”, considera. Mais parecida com uma caverna adaptada à vida humana, a casa possui diversos compromissos com o meio ambiente, listados pelo próprio Simon. A estrutura foi escavada em uma ladeira segura, espécie de abrigo que evita poluição visual.


Além disso, seus muros e paredes foram feitos com pedras e lama provenientes da própria escavação. Um revestimento de palha isola as paredes, o chão e o telhado e garante temperatura amena tanto no frio como no calor. O cimento foi substituído pela cal, que é um material mais barato. Todos os ambientes são adaptados para a entrada da luz natural, e paineis solares garantem a energia que abastece a residência. A água é coletada de uma fonte natural no jardim e os banheiros contam com sistema de compostagem.


O projeto, liberado pelas autoridades galesas, está em expansão desde 2009, quando a família iniciou outras pequenas obras que fazem parte do projeto chamado Lammas – a primeira ecovila da Grã-Bretanha. Simon, que não é arquiteto, nem carpinteiro, considera que “para saber como maltratar o meio-ambiente da maneira menos dolorosa possível basta ser uma pessoa informada. É um tipo de construção acessível a todos.”


E dá o recado: “vivemos em uma sociedade muito dependente das fontes de energia de combustíveis fósseis e isso não é bom. Uma hora os suprimentos vão acabar. É hora da mudança.”

Caçador de mim



Charge, de Willtirando


Meninos, eu (ou)vi!

Estivemos, quinta-feira, 19/01/12, em Icapuí - CE, na semana da Cultura daquela cidade, a convite de Genildo Costa, diretor da Rádio Educativa FM, para um Sarau de Poesia e Música no Mercado Público de Artesanato de Icapuí. Além dos artistas locais, tivemos a presença de Caio César falando sobre a obra de Belchior, Maurílio Santos apresentando seu CD Verso e Reverso, o Mecenas Etinho e o blogueiro no registro fotográfico.













Memórias Póstumas de Brás Cubas - Capítulo 55


O velho diálogo de Adão e Eva

Brás Cubas .................................................................?
Virgília ........................................................
Brás Cubas ..................................................................
...........................................................................................
Virgília .............................................................!
Brás Cubas ...................................................
Virgília .........................................................................
......................................? .........................................................
.............................................
Brás Cubas ................................................
Virgília ...................................................................
Brás Cubas .....................................................................
.............................................................................! ....................
........................................! ......................
Virgília .............................................................?
Brás Cubas .................................................!
Virgília ....................................................!

"É mais difícil esconder a ignorância do que adquirir conhecimentos."
François Rabelais

A memória é como o ventre da alma


“Encerro também na memória os afetos da minha alma, não da maneira como os sente a própria alma, quando os experimenta, mas de outra muito diferente, segundo o exige a força da memória.
Não é isto para admirar, tratando-se do corpo: porque o espírito é uma coisa e o corpo é outra. Por isso, se recordo, cheio de gozo, as dores passadas do corpo, não é de admirar. Aqui, porém, o espírito é a memória. Efetivamente, quando confiamos a alguém qualquer negócio, para que se lhe grave na memória, dizemos-lhe: ‘Vê lá, grava-o bem no teu espírito’. E quando nos esquecemos, exclamamos: 'Não o conservei no espírito', ou então: ‘Escapou-se-me do espírito’; portanto, chamamos espírito à própria memória.
Sendo assim, porque será que, ao evocar com alegria as minhas tristezas passadas, a alma contém a alegria e a memória a tristeza, de modo que a minha alma se regozija com a alegria que em si tem e a memória se não entristece com a tristeza que em si possui? Será porque não faz parte da alma? Quem se atreverá a afirmá-lo?
Não há dúvida que a memória é como o ventre da alma. A alegria, porém, e a tristeza são o seu alimento, doce ou amargo. Quando tais emoções se confiam à memória, podem ali encerrar-se depois de terem passado, por assim dizer, para esse estômago; mas não podem ter sabor. É ridículo considerar estas coisas como semelhantes. Contudo, também não são inteiramente dissemelhantes.
Reparai que me apoio na memória, quando afirmo que são quatro as perturbações da alma: o desejo, a alegria, o medo e a tristeza. Qualquer que seja o raciocínio que possa fazer, dividindo cada uma delas pelas espécies dos seus géneros e definindo-as, aí encontro que dizer e declaro-o depois. Mas não me altero com nenhuma daquelas perturbações, quando as relembro com a memória.
Ainda antes de eu as recordar e revolver, já lá estavam. Por isso consegui, mediante a lembrança, arrancá-las dali.
Assim como a comida, graças à digestão, sai do estômago, assim também elas saem do fundo da memória, devido à lembrança. Então, porque é que o que discute, ou aquele que delas se vai recordando, não sente, na boca do pensamento, a doçura da alegria, nem a amargura da tristeza? Porventura nisto é dissemelhante o que não é semelhante em todos os seus aspectos?
Quem em nós falaria voluntariamente da tristeza e do temor, se fôssemos obrigados a entristecer-nos e a temer, sempre que falamos de tristeza ou temor? Contudo, não os traríamos à conversa se não encontrássemos na nossa memória, não só os sons destas palavras, conforme às imagens gravadas em nós pelos sentimentos corporais, mas também a noção desses mesmos sentimentos. As noções não as alcançamos por nenhuma porta da carne, mas foi o espírito que, pela experiência das próprias emoções, as sentiu e confiou à memória; ou então foi a própria memória que as reteve sem que ninguém lhas entregasse”.
Santo Agostinho, in Confissões