02/05/2011

Carta de John Lennon a Paul McCartney será leiloadaCarta de John Lennon a Paul McCartney será leiloada

Uma carta assinada por John Lennon cheia de ofensas a Paul McCartney e sua então mulher, Linda, vai a leilão nos Estados Unidos em maio, e a expectativa é de que alcance o equivalente a R$ 100 mil.

O documento, datado de 1971, é uma resposta de Lennon a uma carta dirigida a ele e assinada por Linda, e trata dos bastidores da separação dos Beatles e do tratamento dado pelos integrantes da banda e pelo casal McCartney a Yoko Ono.
No texto, o ex-beatle afirma: ''Estava me perguntando que fã dos Beatles irritadiça e de meia idade a tinha escrito. Resisti em olhar a última página para descobrir. (...) Que diabos, foi Linda!''.
Lennon afirma ainda: ''Eu espero que você perceba as merdas que vocês e os 'meus amigos gentis e altruístas' lançaram sobre mim e sobre Yoko desde que nós estamos juntos. Por vezes pode ter sido um pouco mais sutil ou será que eu deveria dizer mais 'classe média', mas não com frequência. Nós dois superamos isso algumas vezes e perdoamos vocês dois. Portanto, é o mínimo que vocês podem fazer por nós, pessoas tão nobres''.
O Beatle comenta ainda as restrições que teve ao título entregue pela rainha Elizabeth II aos Beatles, que ele acabou devolvendo em 1969, em protesto contra a política externa britânica.
''Quando indagado sobre o que eu achava a respeito do MBE (Member of the Order of the British Empire, Membro da Ordem do Império Britânico, como o título é chamado), eu lhes disse da melhor maneira que eu pude, pelo que eu me recordo. E eu me recordo de sentir um certo constrangimento''.
''Não tenho vergonha dos Beatles (eu comecei isso tudo), mas sim de algumas das merdas que a gente teve que aguentar para torná-los tão grandes. Pensei que todos nos sentíssemos da mesma maneira com pequenas variações - obviamente estava errado".
MUDAMOS O MUNDO
Lennon comenta ainda o papel dos Beatles no cenário artístico mundial e ironiza uma suposta presunção do antigo parceiro em relação à visão dele sobre a dimensão da banda.
''Você realmente acha que a maior parte da arte atual surgiu por causa dos Beatles? Não acredito que você seja tão maluco, Paul. Você acredita nisso? Quando parar de acreditar, talvez você acorde! Nós não dizíamos sempre que éramos parte do movimento e não o movimento todo? Claro, nós mudamos o mundo. Mas tente seguir em frente. SALTE DO DISCO DE OURO E VOE!''
Ele conclui comentando a sua saída da banda e a decisão de não ter declarado publicamente que estava deixando o grupo.
''Por fim, sobre não ter dito para ninguém que eu havia deixado os Beatles - Paul e (o empresário Allen) Klein passaram o dia me dizendo que era melhor eu não dizer nada a ninguém - Pedindo que eu não dissesse nada porque iria 'ferir os Beatles' (...). Portanto, ponha isso na sua pequena mente pervertida, Sra. McCartney, os babacas me pediram para ficar calado.
Ao se despedir, ele ainda faz mais um ataque à mulher de McCartney, lembrando da cisão que se criou na banda sobre quem seria o nome certo para empresariar o grupo. Lennon, Ringo Starr e George Harrison optaram pelo americano Allen Klein, ao passo que Paul acabou sendo preterido ao defender que seu sogro administrasse os negócios dos Beatles.
''Claro, o aspecto financeiro é importante - para todos nós - especialmente após todas as merdinhas que surgiram com a sua insana família/sogros e DEUS TE AJUDE A ESCAPAR, PAUL - vejo você em dois anos - espero que você tenha escapado até lá''.
Ele assina a carta com os dizeres ''apesar de tudo, amor a vocês dois, de nós dois''.
               “Quando aquele que ouve não sabe o que aquele que fala está querendo dizer, e quando aquele que fala também não sabe o que está querendo dizer – a isto se chama filosofia”.
                                                   Voltaire  
“Imagina-se que a política seja a segunda profissão mais antiga do mundo. Mas creio que tem muita semelhança com a mais antiga de todas”.
Ronald Reagan

01/05/2011

Iesu, dimitte senes puerorum

As galinhas de Dona Zefinha
Eram engordadas no quintal
Com restos de comida, minhocas,
Mata-pastos, ervas daninhas
E generosas mancheias de milho.

Jesus não há de levar ao inferno
Os meninos de outrora da Rua de Baixo:
Bibira, Castanhola, Pirrola, Thor,
Bolachinha, Mineu, Galo Cego, Gergelim,
Só por terem roubado as ditas cujas
E terem quebrado o jejum,
Em plena Sexta-Feira Santa,
Com as tenras carnes das depenadas.

Elilson José Batista, in Inéditos & Afins

Os urubus e sabiás

Tudo aconteceu numa terra distante, no tempo em que os bichos falavam... Os urubus, aves por natureza becadas, mas sem grandes dotes para o canto, decidiram que, mesmo contra a natureza eles haveriam de se tornar grandes cantores. E para isto fundaram escolas e importaram professores, gargarejaram dó-ré-mi-fá, mandaram imprimir diplomas, e fizeram competições entre si, para ver quais deles seriam os mais importantes e teriam a permissão para mandar nos outros. Foi assim que eles organizaram concursos e se deram nomes pomposos, e o sonho de cada urubuzinho, instrutor em início de carreira, era se tornar um respeitável urubu titular, a quem todos chamam de Vossa Excelência. Tudo ia muito bem até que a doce tranquilidade da hierarquia dos urubus foi estremecida. A floresta foi invadida por bandos de pintassilgos tagarelas, que brincavam com os canários e faziam serenatas para os sabiás... Os velhos urubus entortaram o bico, o rancor encrespou a testa, e eles convocaram pintassilgos, sabiás e canários para um inquérito.
— Onde estão os documentos dos seus concursos? E as pobres aves se olharam perplexas, porque nunca haviam imaginado que tais coisas houvessem. Não haviam passado por escolas de canto, porque o canto nascera com elas. E nunca apresentaram um diploma para provar que sabiam cantar, mas cantavam simplesmente...
— Não, assim não pode ser. Cantar sem a titulação devida é um desrespeito à ordem.
 E os urubus, em uníssono, expulsaram da floresta os passarinhos que cantavam sem alvarás...
MORAL: Em terra de urubus diplomados não se houve canto de sabiá.

Rubem Alves, in Estórias de quem gosta de ensinar.

Ozielzinho: de Pernambuco para o mundo

O exímio Guitar-man brasileiro: harmônico, melódico e sensível. Ouça-o em outros links.
“Se você disser umas verdades a uma pessoa pela frente, ela só as ouvirá de você. Mas, se você disser pelas costas, ela as ouvirá de outras quinze ou vinte pessoas”.
  Fran Lebowitz  

O supra-sumo da tecnologia


Confira as revolucionárias vantagens do L.I.V.R.O. – Local de Informações Variadas, Reutilizáveis e Ordenadas

O L.I.V.R.O. representa um avanço fantástico na tecnologia. Não tem fios, circuitos elétricos, pilhas. Não necessita ser conectado a nada, nem ligado. É tão fácil de usar que até uma criança pode operá-lo. Basta abri-lo! Cada L.I.V.R.O. é formado por uma sequência de páginas numeradas, feitas de papel reciclável e capazes de conter milhares de informações. As páginas são mantidas unidas por um sistema chamada lombada, que as mantém em sua sequência correta. A TPO - Tecnologia de Papel Opaco - permite que os fabricantes usem as duas faces de folha de papel, duplicando a quantidade de informações e cortando pela metade os seus custos. Especialistas dividem-se quanto aos novos projetos para aumentar a densidade de informação de suas folhas. É que, para se fazer L.I.V.R.O. com mais informações, basta usar mais páginas. Isso, porém, os torna mais grossos e mais difíceis de carregar, atraindo críticas dos adeptos dos computadores portáteis.
Cada página do L.I.V.R.O. é escaneada opticamente, e as informações são registradas diretamente em seu cérebro. Um simples movimento dos dedos leva à próxima página. O L.I.V.R.O. pode ser retomado a qualquer hora, bastando abri-lo. Ele nunca “dá pau” nem precisa ser reiniciado, embora se torne inutilizável caso caia no mar , por exemplo. O comando “Browse” permite acessar qualquer página instantaneamente e avançar ou retroceder quando você quiser. Muitos vêm com um índice, que indica a localização exata de qualquer informação selecionada.
O marca-páginas, um acessório opcional, permite que você abra o L.I.V.R.O. no local exato que o deixou na última sessão - mesmo que ele esteja fechado. O design dos marcadores de página é universal, permitindo que funcione em qualquer tipo de L.I.V.R.O., não importando a marca. Além disso, um mesmo L.I.V.R.O. pode receber vários marcadores de páginas, caso seu usuário queira selecionar vários trechos ao mesmo tempo. O número de marcadores é limitado apenas pelo número de páginas. Você também pode fazer anotações ao lado de trecho do L.I.V.R.O. com outro instrumento de programação opcional: o L.Á.P.I.S. - Linguagem Apagável Portátil de Intercomunicação Simplificada. Portátil, durável e barato, o L.I.V.R.O. vem sendo aclamado como a onda de entretenimento do futuro. Milhares de criadores já aderiram à nova plataforma - e espera-se para breve uma inundação de novos títulos.
“Um homem de estado é um político que se coloca a serviço da nação. Um político é um homem de estado que coloca a nação a seu serviço”.
                                            Georges Pompidou

Palavras


Todo dia as palavras se revelam
Como pão, como água, como vinho
Como amor, como paixão espinho
A palavra é signo que inventa.

Se o que penso são imagens que as palavras
Se reúnem para uma construção
Edificam, organizam, reinventam
Toda mágoa que tem uma paixão.

A leitura, a escrita e o sexo
São prazeres que alimentam o ser
Pois de signo o homem sobrevive
Como tu, como, como você.

Artimar Lima, professor e poeta pauferrense

30/04/2011

Sertão de Metal



Já não é bom rever nosso passado
Agora é ruim prever nosso futuro
Há dor nos olhos, vergonha no peito
Desse meu direito de um mano ruim
De um mano ruim.

Vejo o sertão de Câmara Cascudo
Mal empalhado, peça de museu
O sábia de metal mal polido
Raízes do passado
E meu bumba-meu-boi morreu
Meu bumba-meu-boi morreu.

E vejo uma flora de borracha
Tão nova, abrigando os juritis
Dos artesãos oficiais suicidas
E vejo lá no campo
Uma voz mal programada
Chamando o gado por curral
Sem aboiar
Ê, gado, oi
Ê, gado, oi.

Um cão de parafuso sem o seu latido
Urubu de urânio urinando óleo
Mandacaru, maracatu mirou-se na miragem.

A ecologia chora suas dores
A flora e a fauna falando das flores
Tudo é coisa pro ano 2000
Eu sei que ninguém viu
O sertão de metal
Mas eu sonhei
Gado, oi
Ê, gado, oi.

Raimundo Círio e Léo Batista, cantores e compositores pauferrenses

A singular e pitoresca Saga da criação de "Sertão de Metal", exclusivo, no Rapadura Cult

Elilson e Léo Batista divagando

O fim do forró


O ayapaneco, língua falada no México há muitos séculos, está ameaçada de sumir. Só restam dois índios que a falam com fluência. Um tem 75 anos, o outro tem 69, mas os dois são “intrigados”. Não se falam há muito tempo, e com isso o ayapaneco está em vias de extinção. Algo parecido está ocorrendo com o forró nordestino. Já foi a música mais tocada no país, no tempo de “Asa Branca”. Agora, está sendo suplantada por outros tipos de música que espertamente lhe tomaram o nome, invadiram seu território, colonizaram seu público. Se os falantes do forró não começarem a conversar e a tomar providências juntos, essa idioma musical deixará de existir. Ou melhor, haverá no Brasil inteiro uma coisa chamada “forró” atraindo dezenas de milhares de jovens para as festas. Mas – nomes à parte – aquele tipo de música não existirá mais.

O forró está sendo esmagado pelo chamado “forró de plástico”, que é uma musiquinha alegre, sacudida, boa de dançar, com letras bobas ou ruins com-força. É uma variedade da lambada; recorre ao palavrão e a dançarinas seminuas, o que em princípio não é pecado, a não ser quando se torna (como é o caso) uma receita obrigatória e a principal atração. É duro assistir um show de uma hora onde a melhor coisa do show são as pernas das dançarinas, e as frases que fazem vibrar a platéia são apenas as que dizem palavrões (em geral insultando parte da platéia). Uma ou duas músicas assim... Vá lá que seja. O show inteiro? Quem ouve isso, e gosta, merece o que está escutando.

Além disso, o forró de plástico recorre a práticas que corroem há tempos nosso mercado musical. A primeira é o jabá (suborno de radialistas e de diretores de rádios), que tem dois tipos: o “jabá pra tocar minha música” e o “jabá pra não tocar de jeito nenhum a música de Fulano e Sicrano”. Ganhar concessões de rádios e usá-las para divulgar as próprias músicas é uma versão legalizada desse processo, mas é legal somente porque os critérios para concessões de rádios e TV no Brasil são uma calamidade. A grande imprensa combate, como se fosse o fim do mundo, a cópia não-autorizada de CDs ou o download gratuito de músicas. Por que não fala nos critérios de concessão de rádios e TVs, que são uma catástrofe ainda pior para o país?

O forró de plástico está criando a monocultura da produção de uma coisa única, repetida, uniforme. Monocultura é o contrário de cultura. Cultura é o reino da diversidade, das manifestações livres dos indivíduos e dos pequenos grupos. A monocultura é uma imposição de-cima-para-baixo, feita por um grupo que fabrica e vende uma música igual até que o povo não suporte mais a música igual mas não saiba mais como fazer a música diferente, e com isso as duas morrerão juntas. O forró de plástico destrói o forró e destruirá a si mesmo no futuro. Sua repetitividade e mau gosto esgotam em seu próprio público o prazer e o significado de ouvir música.

Artigo de Bráulio Tavares, postado no Mundo Fantasmo em 29/04/2011

Cândido Portinari: a terra e o povo brasileiro em cores


De suas mãos nasceram a cor e a poesia, o drama e a esperança de nossa gente. Com seus pincéis, ele tocou fundo em nossa realidade. A terra e o povo brasileiros - camponeses, retirantes, crianças, santos e artistas de circo, os animais e as paisagens -  são a matéria com que trabalhou e construiu sua obra imortal, como bem afirmou Jorge Amado.
Sob o Estado Novo de Getúlio Vargas, era acusado de antinacionalista por retratar os trabalhadores com braços e pernas desproporcionais, como se sofressem de elefantíase. Na verdade, as telas de Portinari são verdadeiro hino de louvor àquelas pessoas, como explica o pintor:
"Impressionavam-me os pés dos trabalhadores das fazendas de café. Pés disformes. Pés que podiam contar uma história. Confundiam-se com as pedras e os espinhos. Pés sofridos com muitos e muitos quilômetros de marcha. Pés que só os santos têm. Sobre a terra, difícil era distingui-los. Os pés e a terra tinham a mesma moldagem variada. Raros tinham dez dedos, pelo menos dez unhas. Pés que inspiravam piedade e respeito. Agarrados ao solo, eram como alicerces, muitas vezes suportavam apenas um corpo franzino e doente. Pés cheios de nós que expressavam alguma coisa de força, terríveis e pacientes".
              “A inveja causa àquele que a alimenta cinco prejuízos, antes mesmo de poder fazer mal à pessoa invejada: o invejoso experimenta um pesar permanente; sofre um tormento inútil, do qual não será recompensado por ninguém; atrai sobre si a cólera de Deus; fecha as portas da assistência divina; e seu vício não lhe conquista nenhuma  estima por parte dos homens”.
  Provérbio árabe  

Naquela mesa



Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre o que é viver melhor
Naquela mesa ele contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor
Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que seu filho
Eu fiquei seu fã
Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída, não doía assim
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim.

Composição: Sérgio Bittencourt
Chora o cavaco de Nilze, envolve a voz de Zélia, mas o Bandolim magistral de Hamilton de Holanda se sobrepõe. 
“O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer isto é meu e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não poupariam ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado a seus semelhantes: ‘Defendei-vos de ouvir esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos e que a terra não pertence a ninguém”.
  Jean-Jacques Rosseau  

No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.


Antonio Candido, ao analisar o poema, explica: "... a sociedade oferece obstáculos que impedem a plenitude dos atos e dos sentimentos... A leitura optativa a partir do terceiro verso (que se abre para os dois lados, sendo fim do segundo ou começo do quarto) confirma que o meio do caminho é bloqueado topograficamente pela pedra antes e depois, e que os obstáculos se encadeiam sem fim".

29/04/2011

Inédito, no Rapadura Cult*


A Dominadora


Confesso que sou dominado por ela,
Que diz o que devo fazer,
O que devo comer,
O que devo beber:
            minha diabetes é fogo!

Antônio Francisco

*O Rapadura Cult ousado e abusado: publica, com exclusividade, um surpreendente poema do cordelista mossoroense Antônio Francisco.
“Não é difícil ser humilde quando se é grande. Difícil é ser humilde quando se é medíocre. Como é fácil ser generoso quando se é rico e não quando se tem pouco”.
                                         Vergílio Antônio Ferreira