By dawn’s first light I’ll come
back to your room again
With my carnation hidden by the
packages
I’m carrying
Something
I’m carrying something for you
Ah long time no see, baby, sure has
been a while
And if my reappearance lacks a
sense of style
I’m carrying
Something
I’m carrying something for you
I’m carrying
Can’t help it
I’m carrying something for you
I’m carrying
Something
I’m carrying something for you
Continuar a carreira após o término
dos Beatles sempre seria difícil. Na cabeça de muita gente, eu
estava carregando bagagem emocional. Mas, após uns lançamentos
solo, eu queria voltar à camaradagem de estar numa banda, e poderia
ter abordado o Wings de duas maneiras: entrar no topo como um Beatle
ao lado de um ex-membro do Small Faces ou Cream e fazer o que eles
costumavam chamar de “supergrupo”, ou eu poderia simplesmente
começar algo que fosse agradável e tentar construir uma trajetória,
como os Beatles fizeram. Escolhi a segunda opção. O único problema
era que dessa vez teríamos que cometer nossos erros em público. Com
os Beatles, foi tudo no privado, porque o público nos clubes de
Hamburgo era reduzido, então pouca gente nos ouvia pisando na bola.
No início, a caminhada foi dura,
porque o Wings não tinha sucessos e eu não queria tocar nada dos
Beatles. Eu queria fazer uma divisão clara. Todos os promotores
renomados da época me indagavam: “Vai tocar ‘Yesterday’?”.
Era possível ver no semblante deles: era isso que eles queriam. E
tínhamos que lutar contra isso. Isso dá uma ideia de quem eu sou;
eu abomino duplicar qualquer coisa ou pessoa. Por isso, eu queria que
o grupo Wings fosse bem-sucedido por méritos próprios. Assim, desde
o começo, ficou óbvio que teríamos de nos conformar com o fato de
que esse processo levaria tempo. Começamos em escala pequena,
crescemos um pouquinho, excursionamos na Europa. No começo não
éramos uma banda muito boa, faltava aparar as arestas. Um show aqui,
outro ali, aparecendo nas universidades e pedindo para tocar nas
entidades estudantis naquela noite, sem ter nenhuma canção
conhecida do público. Mas então fomos melhorando e nos entrosando
mais. Súbito, em meados dos anos 1970, já tínhamos sucessos como
“Band on the Run”, “Silly Love Songs” e um repertório
suficiente para sermos conhecidos sem depender dos Beatles.
As pessoas me indagam: “O que
significa esta canção?”, e eu respondo: “Bem, depende de você”.
Pode significar um milhão de coisas. O que é que estou carregando
aqui? Fica claro que são pacotes. Sou como um dândi com pacotes que
escondem meu cravo na lapela. Estou trazendo presentes pra você,
estou carregando algo pra você, mas também, quando a mulher está
grávida, ela “carrega” um neném. Talvez pudéssemos descartar
outros significados. Uma pessoa carrega uma arma. E outra está
carregando drogas. Um significado que pode funcionar aqui é a ideia
de a pessoa “carregar” uma banda nas costas, com os outros se
beneficiando do sucesso alheio. Não estou bem certo em relação a
isso. Só estou brincando com a palavra “carregar”. É uma
cançãozinha pra lá de ambígua, mas esse é o tipo de liberdade do
Wings, de fazer algo meio ambíguo.
Já insinuaram que esta canção soa
lennoniana. Eu admitiria se fosse, mas para mim soa mais mccartniana:
apenas a vozinha. Não consigo imaginar John fazendo uma vozinha
dessas. Mas sabe, se alguém a considerar lennoniana, não tem
problema. Afinal de contas, aprendemos a compor canções juntos.
Paul McCartney, em As Letras: 1956 até o presente

Nenhum comentário:
Postar um comentário