30/06/2026

Factótum


16

Nessa época a minha conta do quarto, comida e roupa lavada etc. estava tão alta que precisei de vários adiantamentos para saldar a dívida. Fiquei em casa até fechar a conta e me mudei logo depois. Eu não tinha como pagar aquelas despesas.
Achei uma pensão perto do meu trabalho. A mudança foi fácil. Eu tinha só o suficiente para encher metade de uma mala…
A proprietária era Mama Strader, uma falsa ruiva de boa aparência que tinha um monte de dentes de ouro na boca e um namorado idoso. Na primeira manhã ela me chamou na cozinha e disse que me daria uma dose de uísque se eu fosse até o quintal alimentar as galinhas. Fui, depois fiquei na cozinha bebendo com ela e Al, o namorado. Cheguei uma hora atrasado no trabalho.
Na noite seguinte bateram na minha porta. Era uma mulher gorda, de uns quarenta e poucos anos. Ela segurava uma garrafa de vinho.
Moro no final do corredor, meu nome é Martha. Faz uns dias que eu escuto você ouvindo música boa. Pensei em lhe trazer uma bebida.
Martha entrou. Ela vestia uma bata verde folgada e, depois de alguns vinhos, começou a me exibir as pernas.
Eu tenho pernas bonitas.
Eu sou um cara que gosta de pernas.
Então veja mais de perto.
As pernas dela eram bem brancas, roliças, flácidas, com veias roxas saltando. Martha me contou a história dela.
Ela era prostituta. Rodava os bares. A principal renda vinha do proprietário de uma loja de departamentos.
Ele me dá grana. Eu entro na loja e pego o que quero. Quem trabalha lá nem me incomoda. Ele mandou me deixarem em paz. Não quer que a esposa saiba que eu trepo melhor que ela.
Martha levantou e ligou o rádio. Bem alto.
Eu sou uma boa dançarina — disse. — Olha pra mim!
Ela rodopiou aquela barraca verde que vestia, dando chutinhos. Não era muito sexy. Com rapidez ela ergueu a bata até a cintura e começou a balançar a bunda na minha direção. A calcinha rosa tinha um buraco grande na nádega direita. Depois, a bata foi parar no chão e ela ficou só de calcinha. Em seguida, a calcinha também foi fazer companhia à bata e ela começou a rebolar. O chumaço de pelos da periquita estava quase escondido pela barriga que balançava, pendurada.
O suor fazia o rímel dela escorrer. De repente, os olhos dela se encolheram. Eu estava sentado na beirada da cama. Ela pulou em cima de mim antes que eu pudesse fazer qualquer movimento. A boca aberta dela pressionava a minha. Tinha gosto de cuspe, cebola, vinho amanhecido e (na minha cabeça) o esperma de quatrocentos caras. Ela enfiou a língua toda babada para dentro da minha boca. Tive ânsia, e a empurrei para longe. Ela ficou de joelhos, puxou meu zíper, e em um segundo o meu pinto mole estava na boca dela. Ela chupou e balançou. Martha usava uma fitinha amarela no cabelo curto e acinzentado. Tinha verrugas e grandes pintas marrons no pescoço e nas bochechas.
Meu pênis subiu; ela gemeu e deu uma mordida. Eu gritei, peguei ela pelos cabelos e a afastei. Fiquei no meio do quarto, ferido e aterrorizado. Tocava uma sinfonia de Mahler no rádio. Antes que eu pudesse me mexer, Martha se ajoelhou e veio de novo para cima de mim. Sem dó, ela agarrou as minhas bolas com as duas mãos. Abriu a boca e foi de novo; a cabeça sacudia, chupava e balançava. Ela deu um baita puxão nas minhas bolas ao mesmo tempo que quase arrancou metade do meu pinto, me forçando a ir pro chão. Sons de sucção tomaram conta do quarto enquanto tocava Mahler no rádio. Era como se eu estivesse sendo devorado por um animal impiedoso. Meu pinto levantou, coberto de saliva e sangue. Ver aquilo a deixou em um frenesi. Já eu, me sentia sendo comido vivo.
Desesperado, pensei que jamais me perdoaria se eu gozasse.
Assim que me abaixei para tentar puxá-la pelos cabelos, ela agarrou as minhas bolas de novo e apertou sem dó alguma. Os dentes foram direto para o meio do pênis, como tesouras, tentando me partir em dois. Gritei, soltei o cabelo dela e caí de costas. A cabeça dela balançava de maneira impiedosa. Com certeza o som da chupada podia ser ouvido por toda a pensão.
Não! — gritei.
Ela insistia naquela fúria desumana. Eu comecei a gozar. Era como se ela estivesse sugando as entranhas de uma cobra encurralada. Era uma fúria misturada com loucura; ela sugou o esperma e engoliu.
E seguia sacudindo e chupando.
Martha! Chega! Já deu!
Não parou. Era como se ela tivesse se transformado em uma enorme boca devoradora. Continuava chupando e sacudindo. Sem parar.
Não! — gritei de novo. Então, ela fez como se estivesse tomando um vanilla malt de canudinho.
Desmaiei. Ela se levantou e começou a se vestir, cantando.

When a New York baby says goodnight
it’s early in the morning
goodnight, sweetheart
it’s early in the morning
goodnight, sweetheart
milkman’s on his way home…

Cambaleei até o chão, apertando os bolsos da frente da calça até achar a carteira. Tirei cinco dólares e dei para ela. Ela pegou a grana, enfiou dentro do vestido, entre os seios e, brincando mais uma vez, agarrou minhas bolas, apertou, soltou e saiu do quarto valsando.

Charles Bukowski, em Factótum

Nenhum comentário:

Postar um comentário