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Nessa época a minha conta do quarto,
comida e roupa lavada etc. estava tão alta que precisei de vários
adiantamentos para saldar a dívida. Fiquei em casa até fechar a
conta e me mudei logo depois. Eu não tinha como pagar aquelas
despesas.
Achei uma pensão perto do meu
trabalho. A mudança foi fácil. Eu tinha só o suficiente para
encher metade de uma mala…
A proprietária era Mama Strader, uma
falsa ruiva de boa aparência que tinha um monte de dentes de ouro na
boca e um namorado idoso. Na primeira manhã ela me chamou na cozinha
e disse que me daria uma dose de uísque se eu fosse até o quintal
alimentar as galinhas. Fui, depois fiquei na cozinha bebendo com ela
e Al, o namorado. Cheguei uma hora atrasado no trabalho.
Na noite seguinte bateram na minha
porta. Era uma mulher gorda, de uns quarenta e poucos anos. Ela
segurava uma garrafa de vinho.
— Moro no final do corredor, meu
nome é Martha. Faz uns dias que eu escuto você ouvindo música boa.
Pensei em lhe trazer uma bebida.
Martha entrou. Ela vestia uma bata
verde folgada e, depois de alguns vinhos, começou a me exibir as
pernas.
— Eu tenho pernas bonitas.
— Eu sou um cara que gosta de
pernas.
— Então veja mais de perto.
As pernas dela eram bem brancas,
roliças, flácidas, com veias roxas saltando. Martha me contou a
história dela.
Ela era prostituta. Rodava os bares. A
principal renda vinha do proprietário de uma loja de departamentos.
— Ele me dá grana. Eu entro na loja
e pego o que quero. Quem trabalha lá nem me incomoda. Ele mandou me
deixarem em paz. Não quer que a esposa saiba que eu trepo melhor que
ela.
Martha levantou e ligou o rádio. Bem
alto.
— Eu sou uma boa dançarina —
disse. — Olha pra mim!
Ela rodopiou aquela barraca verde que
vestia, dando chutinhos. Não era muito sexy. Com rapidez ela ergueu
a bata até a cintura e começou a balançar a bunda na minha
direção. A calcinha rosa tinha um buraco grande na nádega direita.
Depois, a bata foi parar no chão e ela ficou só de calcinha. Em
seguida, a calcinha também foi fazer companhia à bata e ela começou
a rebolar. O chumaço de pelos da periquita estava quase escondido
pela barriga que balançava, pendurada.
O suor fazia o rímel dela escorrer.
De repente, os olhos dela se encolheram. Eu estava sentado na beirada
da cama. Ela pulou em cima de mim antes que eu pudesse fazer qualquer
movimento. A boca aberta dela pressionava a minha. Tinha gosto de
cuspe, cebola, vinho amanhecido e (na minha cabeça) o esperma de
quatrocentos caras. Ela enfiou a língua toda babada para dentro da
minha boca. Tive ânsia, e a empurrei para longe. Ela ficou de
joelhos, puxou meu zíper, e em um segundo o meu pinto mole estava na
boca dela. Ela chupou e balançou. Martha usava uma fitinha amarela
no cabelo curto e acinzentado. Tinha verrugas e grandes pintas
marrons no pescoço e nas bochechas.
Meu pênis subiu; ela gemeu e deu uma
mordida. Eu gritei, peguei ela pelos cabelos e a afastei. Fiquei no
meio do quarto, ferido e aterrorizado. Tocava uma sinfonia de Mahler
no rádio. Antes que eu pudesse me mexer, Martha se ajoelhou e veio
de novo para cima de mim. Sem dó, ela agarrou as minhas bolas com as
duas mãos. Abriu a boca e foi de novo; a cabeça sacudia, chupava e
balançava. Ela deu um baita puxão nas minhas bolas ao mesmo tempo
que quase arrancou metade do meu pinto, me forçando a ir pro chão.
Sons de sucção tomaram conta do quarto enquanto tocava Mahler no
rádio. Era como se eu estivesse sendo devorado por um animal
impiedoso. Meu pinto levantou, coberto de saliva e sangue. Ver aquilo
a deixou em um frenesi. Já eu, me sentia sendo comido vivo.
Desesperado, pensei que jamais me
perdoaria se eu gozasse.
Assim que me abaixei para tentar
puxá-la pelos cabelos, ela agarrou as minhas bolas de novo e apertou
sem dó alguma. Os dentes foram direto para o meio do pênis, como
tesouras, tentando me partir em dois. Gritei, soltei o cabelo dela e
caí de costas. A cabeça dela balançava de maneira impiedosa. Com
certeza o som da chupada podia ser ouvido por toda a pensão.
— Não! — gritei.
Ela insistia naquela fúria desumana.
Eu comecei a gozar. Era como se ela estivesse sugando as entranhas de
uma cobra encurralada. Era uma fúria misturada com loucura; ela
sugou o esperma e engoliu.
E seguia sacudindo e chupando.
— Martha! Chega! Já deu!
Não parou. Era como se ela tivesse se
transformado em uma enorme boca devoradora. Continuava chupando e
sacudindo. Sem parar.
— Não! — gritei de novo. Então,
ela fez como se estivesse tomando um vanilla malt de canudinho.
Desmaiei. Ela se levantou e começou a
se vestir, cantando.
When a New York baby says goodnight
it’s early in the morning
goodnight, sweetheart
it’s early in the morning
goodnight, sweetheart
milkman’s on his way home…
Cambaleei até o chão, apertando os
bolsos da frente da calça até achar a carteira. Tirei cinco dólares
e dei para ela. Ela pegou a grana, enfiou dentro do vestido, entre os
seios e, brincando mais uma vez, agarrou minhas bolas, apertou,
soltou e saiu do quarto valsando.
Charles Bukowski, em Factótum

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