Embora a velha roseira insista neste
agosto
e confirmem o recomeço estas mulheres
grávidas,
eu sofro de um cansaço, intermitente
como certas febres.
Me acontece lavar os cabelos e ir
secá-los ao sol,
desavisada. Ocorre até que eu cante.
Mas pousa na canção a negra ave e eu
desafino rouca,
em descompasso, uma perna mais curta,
a ausência ocupando todos os meus
cômodos,
a lembrança endurecida no cristal
de uma pedra na uretra.
Adélia Prado, em Bagagem
Nenhum comentário:
Postar um comentário