terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Matéria e Razão

Quando imaginar Satirion, o socrático, imagine Eutiques ou Himião. Quando pensar em Eufrates, Alcifrão e Xenofonte, pense, respectivamente, em Eutiquião ou Silvano, em Tropaéforo e em Críton ou Severo. Quando se visualizar, visualize outros Césares. Repita esse procedimento para cada um.
Enfim, indague: “Onde estão?” Em lugar nenhum — ninguém sabe onde, pelo menos. À vista disso, enxergará o que é humano como fumaça ou coisa nenhuma — especialmente ao concluir que o que mudou jamais será como era. Então, por que está preocupado? Por que não se satisfaz ordenando-se durante a sua breve existência?
Está desperdiçando matéria e oportunidade! O que esses materiais são além de exercícios para a razão — a qual inspeciona e examina suas verdadeiras naturezas? Persevere até apropriá-los, assim como o estômago, que se nutre com os alimentos, ou o fogo ardente, que se inflama e resplandece por meio do que nele é arremessado.

Marco Aurélio, em Meditações

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