Quando imaginar Satirion, o socrático,
imagine Eutiques ou Himião. Quando pensar em Eufrates, Alcifrão e
Xenofonte, pense, respectivamente, em Eutiquião ou Silvano, em
Tropaéforo e em Críton ou Severo. Quando se visualizar, visualize
outros Césares. Repita esse procedimento para cada um.
Enfim, indague: “Onde estão?” Em
lugar nenhum — ninguém sabe onde, pelo menos. À vista disso,
enxergará o que é humano como fumaça ou coisa nenhuma —
especialmente ao concluir que o que mudou jamais será como era.
Então, por que está preocupado? Por que não se satisfaz
ordenando-se durante a sua breve existência?
Está desperdiçando matéria e
oportunidade! O que esses materiais são além de exercícios para a
razão — a qual inspeciona e examina suas verdadeiras naturezas?
Persevere até apropriá-los, assim como o estômago, que se nutre
com os alimentos, ou o fogo ardente, que se inflama e resplandece por
meio do que nele é arremessado.
Marco Aurélio, em Meditações
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