É, não é bem como dizem. Os
namorados de antigamente eram meio como esse tal de Tieppo, quer
dizer, tiravam onda de inocente mas mandavam ver na caixa dois. A
família disfarçava. Teatro puro. Toda família, do Leblon até
Gardênia Azul, espelha a política brasileira: só fachada. Eu era
noivo e a sogrinha marcava por zona. Eu nem encostava. Aí, a própria
sogrinha sugeria: “Meu bem, toca o Despertar da Montanha”.
E saía da sala, tranquilizada pela
cascata de acordes. Eu aproveitava pra pegar nos peitinhos. Nervosa,
Cicinha começava a errar tudo. Mais tarde, tricô na mão, a
sogrinha comentava: “Tocaste mal hoje, querida!”. A Emília
olhava pro teto, chupava a eterna espuma de cerveja do buço e puxava
o pino: “É porque ele é que tocou bem. Ela sô fez o
acompanhamento”. Bons tempos. Pode parecer exagero. Mas até hoje
fico de barraca armada ouvindo o Despertar da Montanha:
lá-rárá…
Aldir Blanc, em Brasil passado a sujo

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