22/07/2025

Sétimo caderno de Kindzu


Um guia embriagado

Já me cansavam aqueles dias em casa de Assane. Que esperava? Nem Surendra nem Assane me podiam ajudar a procurar Gaspar, o perdido filho de Farida. Se lhes pedia conselho eles recolhiam os ombros, incapazes de responder. Para eles meu assunto era coisa estranha, de um outro mundo.
Nesse entrequando, eles me certificaram que a aldeia de Euzinha havia sido atacada e ninguém nela mais residia. Euzinha devia agora estar no campo de deslocados. Lá, com toda a certeza, residia agora a mulher que sabia do destino de Gaspar. Porém, como chegar até ela? Os matos eram demasiado mortais. Ninguém aceitaria me acompanhar. Antoninho, o ajudante da loja, ao cabo de muita saliva, disse conhecer alguém que poderia me conduzir pelos aforas. Deveríamos ir ao bar, lá se encontrava o desditoso cujo.
Essa noite eu e Antoninho fomos ao bar. Entrei e me deixei no balcão, escutando as vozes distantes dos presentes, quase todos embriagados. Muitos aproveitavam as duas horas de electricidade que o gerador da administração distribuía pelo povoado. E se agremiavam na cervejaria, a juntar conversa, amolecendo fraquezas em voz alta. Mais que os outros todos, dois homens se discutiam. Antoninho identificou os tais. Um gordo, enormão, balalaica carecendo de botões. Sendo chamado de Abacar Ruisonho. O outro, denominado Quintino Massua, homem nervoso, tão magro que uma ideia, só de ter peso, lhe fazia transpirar. Pois este Quintino levantava o copo e celebrava as boas graças:
Vou ficar rico, cheio da mola.
Os presentes se riam, sem dar outro crédito que não fosse o de brincriação. E erguiam os copos, festejosos. Antoninho me segredou, em rápida pincelada, o retrato de Abacar Ruisonho. O homem era o chefe dos serviços de segurança, vacilando entre o ruim e o perdoável. Pois ele chegava onde quer que não fosse, abanava um cartão, nomeado que estava para intimar, intimidar e lavrar em acta. Seu permanente serviço era contar os viventes, conhecer quantos deslocados chegavam do campo. Passava o dia de esquina em esguelha, numerando: um, dois, por aí avinte... Empilhavam-se os números, baralhavam-se as pessoas. E recomeçava a contagem. Às vezes, rebentavam-lhe as fúrias: que esta gente nunca está quieta, grande porra! Uma coisa era certa: o gordo nem mau seria. Pelo menos, o magro Quintino não se amedrontava com o gordo Abacar. O magricelas se declarava, de juramentos para cima:
Estou a dizer: amanhã sou eu que vou distribuir favores. É bom vocês ficarem em concordâncias comigo. Quem estiver contra mim não vai cheirar quinhenta.
Todos se descuidavam da verdade, migrados no fumo daquele bar, longe da vida real. E aclamavam no actual pobre o futuro falso rico. Se queria era engordar a fantasia. Fazia-se a festa sem nenhum ingrediente que não fosse a miséria de entrar num copo e afogar tristezas.
O único que não encontrava graça era o gordo Abacar. Sério como uma segunda-feira, reprovava as proclamações de Quintino Massua.
São bebedeiras politicamente incorrectas.
Nesse momento, entrou no bar um homem estranho, pendurando uma pistola no vasto cinto. Ao sentir a presença do cujo, os presentes se entrelinharam, caladinhos, metidos com seus líquidos assuntos. Perguntei a Antoninho quem era o chegado.
Esse é o Shetani. É melhor a gente se emborar.
O silêncio se instalou no bar. Contudo, naquele momento, Quintino Massua se desimportou, alheio aos perigos. Para comprovações, subiu numa cadeira e proclamou-se autor de feitos muito comentados em toda a vila:
Aquelas notas de dinheiro que apareceram na praia: quem foi que rasgou-lhes? Eu mesmo, próprio Quintino.
O gordo Abacar ruminou cerveja, empapou argumento. Os presentes deixaram as graças e se abotoaram consigo mesmos. Antoninho me puxou pelo braço insistindo que deveríamos ir embora:
Por favor de Deus, vamos para casa!
A brincadeira resvalava nos perigos, o assunto das notas era matéria de muito-o-quê. Shetani já comichava a mão sobre o cinto, deitando um nervo sobre a pistolenta. Mas o magrinho Quintino, discursador, prosseguia:
Vejam motivo do sofrimento de hoje. É porquê?
Virando-se para mim me perguntou se eu sabia o real motivo dos cajueiros não florirem. Abacar me falou, tentando me tranquilizar:
Não ligue. Isto é atraso, ignorância bravia. Vale a pena insistir? Vale a pena esclarecer esta gente? Eu sempre acho que sim. Do menos o mal: afinal, grão a grão o papa se enche de galinhas.
Hospitaleiro, o volumoso Abacar me ofereceu um espaço no balcão, a seu lado. Enquanto bebia, desembolsava mais ditados:
No papar é que está o ganho!
O homem aproximou-me o bafo. Pensei que, postos os modos de confidência, fosse falar em sussurro. Mas usou o mesmo tom de xipalapala entupido:
Vou-lhe confessar: me irrita esse Quintino é só por gosto que tenho nele. O gajo não compreende que eu lhe quero proteger. Quando lhe trato assim, faz conta um doentio, é para esses grandes pensarem ele é tonto, suas palavras são sempre de tira-e-põe. Você sabe: em terra de cego quem tem um olho fica sem ele.
Súbito, uma enorme explosão estrondeou. A luz sacudiu-se, por segundos, depois desfaleceu. No escuro, calados, aguardámos nova explosão. Apenas uma voz se fez ouvir:
Cabrões, foi aqui mesmo!
Quem estaria disparando? O exército ou os bandos? Contra quem estariam disparando? Alguém riscou um fósforo, uma vela se acendeu no balcão. Depois, vários xipefos se iluminaram e foram distribuídos pelas mesas. Quintino foi o primeiro a voltar às falas, retomador da folia.
Você, então? Nada se fala?
O homem se aproximou de mim, eu já estava sem remédio: metido na disputa. Mais queria ficar de fora, alheio à conversa perfurada, mais eu estava com o pescoço dentro dela. Nervoso, o homem me empastou com seu hálito:
Você estrangeiro, escuta. Nesta terra se passam muitas merdas, todos tem medo de falar. Eu sei quem está a matar aqui. Não são só os bandos. Há outros, também.
Os bebedeiros se encolheram: as palavras de Quintino soaram como a explosão de há pouco. Quintino insistia: há coisas que todos sabem mas ninguém diz.
Agora, em Moçambique, a guerra é como se fosse uma machamba.
E se explicou: a guerra gerava altos tacos, cada um semeava uma guerra particular. Cada um punha as vidas dos outros a render. Aquele silêncio estava agora demasiado mortal. Se escutou, então, a voz rosnante de Shetani:
Esse gajo tem os dias descontados!
Quintino prosseguiu destemeroso, ignorando a presença do antigo combatente:
É por isso essa guerra não acaba nunca mais. É assim, exactamesmo. Este Abacar também sabe, só não fala porque é um merda, filho de uma diarreia.
Aquilo era a gota transbordando. Abacar ficou calado, marsupial. Nem eu notara que estivesse tão bebido. O excesso de álcool lhe dava uma aparência compenetrada. Bambavam-lhe as pernas, a barriga toda de fora, parêntesis curvo do peso. De repente, porém, arremessou a mão fechada contra a cara de Quintino que caiu, instantâneo, em ruidoso chapinhar. Ficou ali, todo inerte, esmãozinhado. Em volta, um círculo de vozes lhe chamava:
Quintino, acorde!
Não respondia coisa nem coisa. Seria que ele, pessoalmente, tinha morrido? Perguntei, de inocente. Em redor, os outros se mancharam a rir. Eu não me afligisse, aquilo era muito costumeiro: o magrito acabava sempre assim as noites, no encosto do chão. Abacar se chegou até mim, amaciando os nós dos dedos.
Tive que lhe arrear. Não tenho gosto de bater. É só para calar o gajo.
Foi então que, naquela penumbra ponteada de lamparinas, surgiu uma mulher acompanhada de um cão de dimensões. Antoninho me sussurrou: aquela era Juliana Bastiana, a prostituta cega. Olhei a dita enquanto o silêncio regressava àquele lugar fumarento. Shetani chamou Abacar e disse-lhe qualquer coisa ao ouvido. Os dois se riram, alto e mau som. A cega abria caminho entre as mesas. A mão dela, ao de leve, tocava o dorso do animal: assim se guiava.
Estou ouvir o cheiro de um homem de fora. Quem sabe me trazem notícia do meu brigadeiro...
Suspirava saudades que nem convinham a uma mulher sabida e cursada em contrabandalheiras. Seu modo de ser cega fazia que não parecesse uma dessas trampalhonas, virabazucas. Ela se chegou, me cheirou. A saia dela se apertava no corpo, o rabo quase nem devia respirar.
Não tenhas medo do cão. Ele é mais bondoso que muitos desses, disse apontando para a multidão.
Me pediu ser paga, juntou logo três copos. Mandou o cão para fora, o bicho que esperasse por ela. Obediente o cachorro meteu as pernas entre o rabo e saiu. Olhei em redor, a conversa embaretecera, risos rolando em risos. Nem parecia ter havido o tiroteiro, há segundos. Não parecia mesmo haver lá fora, tudo se resumindo àquele barzito. A cega pareceu adivinhar meus pensamentos.
Graças a Deus sou cega. Lá fora, o mundo está pior. Por causa essa guerra, já ninguém se compaixona por ninguém.
Ela então contou sua razão de suspirar: aguardava o brigadeiro Silvério Damião, seu amante muito militar, exercendo patentes no exército colonial. Juliana historiava: que o brigadeiro tinha saído em missão recente contra os turras, na defesa da lusitana terra. A cega misturava os tempos, fazia do passado um tempo vigente. De um brusco gesto, meteu todo um braço dentro de sua saca e retirou um molho de envelopes.
Tudo isso são cartas dele, não passa nenhuma semana que não escreva. Queres ler, estrangeiro?
Segurei as cartas, hesitante. Não li nenhuma. Aproveitei o momento para lhe explicar o motivo da minha presença naquele bar. Quem sabe ela me poderia apontar alguém capaz de me acompanhar em procuras no mato. Juliana Bastiana permaneceu sem resposta, parecia nem lhe chegara meu pedido. Pensei que deveria abrir um pouco dos motivos, lhe devia uma explicação. Mas ela me interrompeu:
Há um motivo de amor?
Sim, há.
Então, não preciso saber mais.
Sorri, agradecido. Mantinha as cartas na mão, com delicado respeito, como se ela me pudesse ver. Devagar fui pousando os envelopes sobre a mesa. Os homens me olhavam, desdenhosos. Eu, um de fora, gozava a companhia de Bastiana. Baixei a voz e o gesto para não criar caso. As caras em volta eram de nenhuns amigos. Antoninho, só então reparei, já tinha saído do bar. Juliana me pareceu adivinhar o sentimento:
Não tenha medo. Esses gajos é que tem razão para terem medo.
Só o brigadeiro Silvério, seu distante amante, era um homem muito inteiro, sem minhufas de ninguém. Era por isso que os outros sempre se irritavam quando ela anunciava o breve regresso do militar.
Voltei ao assunto da minha pergunta. Adiantei que se tratava de procurar uma criança há muito abandonada. Juliana lançou um terrível pressentimento: se fora há muito tempo, então esse miúdo devia andar com os bandos, patifaristando pelos matos, feito semeador de infernos.
Mesmo assim lhe quero encontrar, respondi.
Eu queria ganhar tempo, entreter a prostituta a ver se ela se inclinava a deixar cair o nome de alguém que me servisse de guia.
Tens arma, estrangeiro? Não tens? É muita pena: porque era bom que ensinasses a esse menino maneiras de matar, bons métodos de roubar.
Da bolsa retirou um cigarro e, sem acender, o ajeitou entre os lábios. É só para os outros verem, nem tu sabes quanta inveja vale uma coisa dessas, disse ela abanando o cigarro.
Encontras o miúdo, mas ficas proibido de lhe dar caneta ou enxada. Isso não dá vida para ninguém. Vale a pena uma arma, estrangeiro. Nestes dias, uma arma é que faz a vida. Rápida e boa.
Do cigarro apagado ela arrancava invisíveis fumaças. Foi rodando a cabeça, espreitando as vozes. Sacudiu a cadeira, para me chamar a atenção. Apontou a mesa ao lado onde estava Shetani.
Tu não sabes o meu perigo de sentar aqui, sozinha consigo.
Não demorei entender. No fundo do bar, Shetani chamou Bastiana. Usava os modos de espalhador de brasas.
Anda-te aqui. Quero mostrar-lhe uma coisa.
Bastiana levantou-se com ar grave, apalpando as vozes, seus cinzentos. Ainda quis ajudar. Mas ela rejeitou o meu braço e ordenou que me afastasse. Avançou sem chocar em nada, postou-se diante de Shetani.
O que é?
Dá a tua mão, quero oferecer-lhe um presente.
Vai para o mato, o seu lugar é lá.
Estou-te a dizer, Bastiana. É um presente, uma encomenda que fui dado por um brigadeiro colonial.
A prostituta estremeceu, seus olhos sorriram, vagaluminosos. Deu um passo em frente, seu corpo se firmava como um credo. Shetani afastou a mesa, ergueu-se com vagares. Segurou a mão de Juliana Bastiana, abriu-lhe os dedos com força.
Toma, Juliana Bastiana.
Colocou-lhe nas mãos uma qualquer coisa, ninguém percebeu o que era. Conforme apalpou a oferenda, o rosto dela foi abrandando o sorriso e, aos poucos, se fechou em mágoa. Até que gritou um arregalado lamento e chorou. Veio até à minha mesa, desta vez chocando-se nas demais cadeiras, cambaleoa.
O que é, Juliana? Que te fizeram, conta-me.
Ajudei a se sentasse, seu corpo estava tenso, parecia ter tomado o freio nos nervos. Em seu rosto se desprendiam gotas de grossa tristeza, ensopando o pó-de-arroz. Voltei a pedir que me explicasse o que sucedera.
Olha, vê o que fizeram com meu cão.
E abriu as mãos. Nelas estavam duas orelhas cortadas, ainda sangrando, inundando de vermelho a concha de seus dedos. Eu nem me pensei. Empurrei a cadeira, avancei sobre o milícia. Mas no caminho o braço da prostituta me travou, em aflição.
Onde vais?
Ele tem que aprender, Juliana. Alguém deve...
Fica quieto, seu burro.
Juliana gritara aquelas palavras. Levantou os braços no ar, balburdiando gestos, palavras de arder. Me puxou para o assento com força, os desempregados olhos confirmavam sua cega decisão de me reter. Por fim, vendo-me vencido, soprou aliviada como se escapassem reticências de sua alma.
Ele não fez por mal, estrangeiro.
Como não fez por mal?
Tu não entendes. Fui eu que pedi a Shetani para ele fazer isso. O bicho estava doente, eu que não tinha coragem...
Desandei, incapaz de ouvir. Saí até à porta para apanhar fresco. Passei por Shetani. Uma outra prostituta se nichara, entretanto, sobre as suas pernas dava ternuras merecidas pelos vencedores. Juliana permanecia sentada, bebendo em silêncio.
As horas se foram dissolvendo, a espuma desceu nos copos. A noite, às tantas, recebeu as despedidas, na cervejaria foram crescendo as cadeiras. Juliana Bastiana insistiu em pagar, retirou o dinheiro das roupas íntimas. Depois, os trocos voltaram ao sutiã. As moedinhas tilintintaram, pareciam rir com cócegas dos seios. Fui último a sair. Demorei a contar os pés, quantos os legítimos meus. Sem dar conta eu tinha ultrapassado os meus níveis.
Inspirei o ar da noite. Lá fora a multidão se desapinhava. Alguém puxava o Quintino pelos braços. Depositaram-lhe no passeio, ele estava destinado a dormir sob o lençol das estrelas. Um braço me repuxou, era Juliana Bastiana. Arrastou-me para ela, me cochichou:
Esse que está aí, todo entornado no passeio.
Esse o quê?
É ele que entende do mato, pode andar lá mais à vontadinha que os bichos.
Quintino?
O próprio. Ele é que lhe pode conduzir onde você quer.
A cega afastou-se, mão dada com uma outra prostituta. Todos se haviam ido, me deixando só com o bêbado. Longe, um rádio ainda machucava o silêncio. Sentei para esperar uma pausa na inconsciência do homem. Estávamos só nós, eu e o embriagado Quintino, relentando-nos no cacimbo da noite. Uma saudade de Farida me inundou. Voltaria a ver aquela mulher? Ou jamais me poderia servir daquela formosura? Afinal, em meio da vida sempre se faz a inexistente conta: temos mais ontens ou mais amanhãs? O que eu desejava era que o tempo se adiasse, parado como o barco naufragado.
O bêbado, entretanto, não havia meio. O sono se descalçara na minha cabeça, tão convidançante que, para resistir, me subiu uma agonia. Me levantei, decidido a passear-me pelas redondezas. Nunca fui mancha-prazeres: tristeza sempre eu tratei no remédio de uma canção. Entoei uma melodia antiga, enquanto caminhava sob o perfume dos canhoeiros.
Decidi voltar, de madrugada, para procurar Quintino. Ansiava em saber a sua resposta sobre o serviço de me conduzir. Repente, um vulto saiu do escuro. Calafriorento, me defendi, atirando o desconhecido ao chão. No meio da luta, senti no corpo do suposto as palpitantes saliências: era uma mulher, seus seios estavam colocados à minha disposição.
É você, afinal?
Carolinda, a esposa do administrador, se emancipou da penumbra, desfez-se da silhueta. Com a luta, a roupa se havia esfarrapado. Agora, no claro da luz, ela se enfeitava com seu próprio corpo, fosse era a abelha florindo. Atirava o pescoço para trás, no provoco de um riso. A língua, matreira, espreitava à soleira da boca. De passagem, Carolinda me fez lembrar Farida. Qualquer coisa as igualava, rosto em rosto. Ou será que o fogo do desejo faz semelhar toda a mulher? As nossas mãos se laçaram, como se temessem a separação. Estávamos perto da igreja, procurámos um lugar urgente.
Na igreja não, os santos gostam de espreitar.
Demos a volta ao pátio, entrámos no curral da Missão. Dentro havia um xipefo de curta lumieira. Peguei no candeeiro com a mão desocupada e andámos por ali pisando palhas, tropeçando em pés do outro. Era uma dança para a qual ainda não havia sido inventada nenhuma música. Despimo-nos com ânsia. Pendurei o xipefo no chifre do boi e deitámo-nos sobre a palha.

Mia Couto, em Terra Sonâmbula

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