34.
Penso às vezes que nunca sairei da
Rua dos Douradores. E isto escrito, então, parece-me a eternidade.
Não o prazer, não a glória, não o
poder: a liberdade, unicamente a liberdade.
Passar dos fantasmas da fé para os
espectros da razão é somente ser mudado de cela. A arte, se nos
liberta dos manipansos assentes e obsoletos, também nos liberta das
ideias generosas e das preocupações sociais — manipansos também.
Encontrar a personalidade na perda
dela — a mesma fé abona esse sentido de destino.
Fernando Pessoa, em Livro do Desassossego
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