quinta-feira, 19 de junho de 2025

The Fool on the Hill, de Paul McCartney e John Lennon


The Fool on the Hill, de Paul McCartney e John Lennon
Lançamento: Magical Mystery Tour, 1967

Day after day
Alone on a hill
The man with the foolish grin
Is keeping perfectly still
But nobody wants to know him
They can see that he’s just a fool
And he never gives an answer

But the fool on the hill
Sees the sun going down
And the eyes in his head
See the world spinning round

Well on the way
Head in a cloud
The man of a thousand voices
Talking perfectly loud
But nobody ever hears him
Or the sound he appears to make
And he never seems to notice

But the fool on the hill
Sees the sun going down
And the eyes in his head
See the world spinning round

And nobody seems to like him
They can tell what he wants to do
And he never shows his feelings

But the fool on the hill
Sees the sun going down
And the eyes in his head
See the world spinning round

Round, round, round, round, round

He never listens to them
He knows that they’re the fools
They don’t like him

The fool on the hill
Sees the sun going down
And the eyes in his head
See the world spinning round

Round, round, round, round, round

Algumas pessoas consideravam que Maharishi Mahesh Yogi era uma espécie de conselheiro espiritual dos Beatles. E eu acho justo dizer que ele era. Esta canção foi escrita na época de nosso envolvimento com o Maharishi e sem dúvida aborda esse tipo de experiência.
Eu me lembro de que comecei a trabalhar nesta canção em Heswall, na península de Wirral, onde o meu pai morava na época. O meu pai tinha um piano em casa porque também era músico. E talvez seja em parte porque ele era músico e teve sua própria banda de jazz que ele apreciou tanto o nosso sucesso. Tinha muito orgulho de mim. Ele ficava encantado com a ideia de que o filho dele tinha alcançado reconhecimento. Quando íamos a um restaurante ou a um bar e estávamos lá sentados, ele corria o olhar em volta. Localizava alguém que tinha me visto e dizia: “Eles já te reconheceram, eles já te reconheceram”.
De um modo estranho, justamente porque as pessoas nos “reconheciam”, já não éramos mais capazes de sermos nós mesmos. Foi isso que deixou os Beatles tão abertos às possibilidades oferecidas pelo Maharishi. Era necessário nos recentrarmos. Voltar ao básico. Quem nos apresentou ao Maharishi em 1967 foi George Harrison, que tinha ido ver uma palestra dele no Hilton, em Park Lane, em Londres. Um tempinho depois, todos nós fomos estudar com ele em Bangor, no País de Gales. Mais tarde, no início de 1968, fomos a Rishikesh, na Índia, no que deveria ser uma temporada prolongada. Ringo e a esposa, Maureen, partiram após dez dias. Cinco semanas depois, foi a vez de Jane Asher e eu irmos embora. George e John e suas mulheres partiram cerca de quinze dias depois disso. Mas o Maharishi imprimiu sua marca em todos nós.
Sei que algumas pessoas pensam que a minha descrição do Maharishi como “fool” é depreciativa. Não tem nada a ver. Costumo receber a carta “The Fool” (“O louco”) nas leituras de tarô, por exemplo. Talvez seja por minha tendência de tentar enxergar o lado positivo das coisas ou de ficar de olho em novas ideias e aventuras. Na canção, estou simplesmente descrevendo como o Maharishi era percebido por tantas pessoas – como o “guru sorridente”. Essa não era a minha própria percepção. Eu fico pasmo com a dificuldade que as pessoas têm em captar a ironia.
Portanto, em suma, acho que “The Fool on the Hill” é um retrato muito elogioso e representa o Maharishi com a capacidade de se manter perfeitamente imóvel no meio do tumulto. Ele é admiravelmente autossuficiente e não dá muita bola à opinião popular. É uma pessoa exposta ao ridículo por causa de suas crenças, mas suas crenças podem muito bem estar certas. Acho que ele pode ter alguma relação com o Bobo da Corte que fala as verdades em Rei Lear.

Paul McCartney, em As Letras: 1956 até o presente

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