quinta-feira, 5 de junho de 2025

Fixing a Hole


Paul McCartney e John Lennon
Lançamento: Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, 1967

I’m fixing a hole where the rain gets in
And stops my mind from wandering
Where it will go

I’m filling the cracks that ran through the door
And kept my mind from wandering
Where it will go

And it really doesn’t matter if I'm wrong I'm right
Where I belong I'm right
Where I belong
See the people standing there
Who disagree and never win
And wonder why they don’t get in my door

I’m painting the room in a colourful way
And when my mind is wandering
There I will go
And it really doesn’t matter if I'm wrong I'm right
Where I belong I'm right
Where I belong
Silly people run around
They worry me and never ask me
Why they don’t get past my door

I’m taking the time for a number of things
That weren’t important yesterday
And I still go

I’m fixing a hole where the rain gets in
And stops my mind from wandering
Where it will go
Where it will go

Antes de compor uma canção, há um buraco negro, daí eu pego o meu violão ou sento ao piano e o preencho. Em termos de inspiração, a ideia de que existe uma lacuna a ser preenchida não é uma base menos honrosa do que um relâmpago caindo do céu. É um milagre, de uma forma ou de outra. Eu me sento ali e vislumbro uma escuridão. Nesse buraco não há nada. Eu começo a fazer a minha mágica e ao final de três horas descubro que não era um buraco, e sim uma cartola, e eu consegui tirar um coelho dela.
Ou então, no final da sessão, já não existe um buraco negro e sim uma paisagem colorida.
Por falar em paisagens coloridas, eu fui o último da banda a tomar LSD. John e George me incentivaram a fazer isso para que eu alcançasse o mesmo patamar que eles. Relutei muito, porque, na verdade, sou bastante puritano, e eu tinha ouvido falar que a pessoa que toma LSD nunca mais é a mesma. Eu tinha lá minhas dúvidas se eu queria isso para mim. E tinha minhas dúvidas se a ideia era assim tão incrível. Por isso, resisti muito. No final, acabei cedendo e uma noite tomei LSD com John.
Tive muita sorte nessa experiência com o LSD, pois ela não causou muito estrago. Claro que havia um elemento assustador nisso. O que mais assustava era quando você queria que aquilo parasse, e não parava. Você dizia: “Ok, chega, acabou a festa”, mas o LSD dizia: “Não acabou, não”. Então você era obrigado a ir para a cama vendo coisas.
Nessa época, quando eu cerrava os olhos, em vez de escuridão, avistava um buraquinho azul. Parecia algo precisando de remendo. Eu sempre ficava com a sensação de que, se pudesse chegar lá e dar uma olhada, descobriria uma resposta. Outra influência é o jogo de palavras na canção “Please”, de Bing Crosby, “Oh, Please/ Lend your little ear to my pleas”, que pode ter inspirado o jogo de palavras “And it doesn’t really matter if I’m wrong I’m right/ Where I belong”. Aqui a influência mais relevante não é a ideia metafísica de um buraco, que mencionei antes, mas esse fenômeno absolutamente físico – algo que surgiu pela primeira vez depois que tomei ácido. De vez em quando eu ainda o vejo e sei exatamente de que se trata. Sei o seu tamanho exato.
Tem gente que acha que “Fixing a Hole” é sobre heroína. É bem provável que estejam visualizando os furos das seringas na pele. Na época em que a canção foi escrita, o mais provável é que a droga fosse a maconha. Na realidade, eu estava morando praticamente sozinho em Londres e curtindo a minha nova casa. Portanto, todo esse mundo de melhorias domésticas começou a me afetar de um modo bem literal.
Fui o último da banda a tomar LSD. John e George me incentivaram a fazer isso para que eu alcançasse o mesmo patamar que eles. Relutei muito, porque, na verdade, sou bastante puritano, e eu tinha ouvido falar que a pessoa que toma LSD nunca mais é a mesma.

Paul McCartney, em As letras – 1956 até o presente

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