quinta-feira, 22 de maio de 2025

As duas portas

I

Disse a discreta Penélope: Forasteiro! Há sonhos inescrutáveis e de linguagem obscura, e não se realiza tudo quanto eles anunciam aos homens. Há duas portas para os leves sonhos: Uma, construída de chifre; outra, de marfim. Os que vêm através do brunido marfim nos enganam, trazendo-nos palavras sem finalidade; as que saem pelo polido chifre anunciam, ao mortal que os vê, coisas que realmente vão acontecer.
Odisseia, XIX

II

Gêmeas são as portas do sonho, das quais se diz que uma é de chifre e através dela se dá saída fácil às verdadeiras sombras; a outra, reluzente, primorosamente lavrada em branco marfim, é aquela pela a qual as almas enviam à terra os falsos sonhos.
Eneida, VI

Em Livro de Sonhos, de Jorge Luís Borges

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