E
naqueles dias os homens buscarão a morte e não a acharão;
desejarão morrer e a morte fugirá deles.
(Apocalipse,
IX, 6)
Desde
o primeiro contato Jadon admitiu a precariedade das suas relações
com os companheiros de refeitório. E a atitude de permanente
alheamento que assumiam na sua presença, ele a recebeu como possível
advertência. Sem manifestar irritação ante o isolamento a que o
constrangiam, conjeturava se eles não acabariam por se tornar mais
expansivos.
Era-lhe
penoso, entretanto, encontrá-los sempre na mesma posição, a
aparentar indiferença pela comida que lhes serviam e por tudo que se
passava ao redor. Enquanto Jadon almoçava, permaneciam quietos, os
braços caídos, os olhos baixos. Ao jantar, lá estavam nos mesmos
lugares, diante das compridas mesas espalhadas pelo salão.
Assentavam-se em grupos de vinte, deixando livres as cabeceiras.
Menos uma, justamente a da mesa central, onde ficava um velho alto e
pálido. Este, a exemplo dos demais, nada comia, mantendo-se numa
postura de rígida abstração, como a exigir que respeitassem o seu
recolhimento. Malgrado a sua recusa em se alimentar, silenciosos
criados substituíam continuamente os pratos ainda cheios.
A
princípio Jadon espreitava-os discretamente, na esperança de
surpreendê-los trocando olhares ou segredos entre si. Logo verificou
a inutilidade do seu propósito: jamais desviavam os olhos da toalha
e prosseguiam com os lábios cerrados. Experimentou o recurso de
dirigir-se bruscamente aos vizinhos e desapontou-se por não
conseguir despertar-lhes a atenção. Mantinham-se impassíveis,
mesmo quando as frases eram ásperas ou acompanhadas de gritos.
Após
essa experiência, seguiu-se um período em que Jadon desistiu de
penetrar na intimidade daqueles cavalheiros taciturnos que, apesar de
manifestarem evidente desinteresse pelos alimentos, apresentavam-se
saudáveis e tranquilos. Essa observação seria o suficiente para
convencê-lo de que os comensais evitavam comer somente durante a sua
permanência no recinto. Por certo aguardavam a sua saída para se
atirarem avidamente às especialidades da casa. Nesse momento talvez
se estendessem em alegres diálogos, aos quais não faltariam
desprimorosas alusões à sua pessoa, cuja presença deveria ser
bastante desagradável para todos.
Que
se danassem, resmungava, esforçando-se por ignorar o procedimento
descortês dos que ali tomavam refeições. E concentrava-se em
saborear a excelente comida que lhe era servida e sempre renovada sem
que isso envolvesse qualquer sugestão ou pedido seu. Nos primeiros
tempos achava engraçado acompanhar os movimentos dos garçons que,
mesmo vendo-o de pé, pronto a retirar-se, vinham com novas travessas
para substituir as que estavam na sua frente.
Contudo
desagradava-lhe o silêncio reinante, o segregamento que lhe
impunham. Ultrapassado o limite suportável do aborrecimento,
desinibia-se nos vizinhos mais próximos, dando-lhes pontapés por
debaixo da mesa, à espera de que reagissem ou retrucassem com um
palavrão. Em nenhuma oportunidade percebeu neles o menor sinal de
constrangimento.
Era
também por sadismo que se entretinha às vezes em mortificá-los,
calculando o esforço que despenderiam para ignorar a sua
impertinência. Numa das ocasiões em que se divertia atirando
bolotas de pão no rosto deles, sentiu-se encabulado por ter atingido
um senhor idoso que até a véspera não participava do grupo. Mesmo
considerando a falta de intimidade com os presentes, reconhecia ter
sido tacitamente aceito como companheiro e assim deveria evitar
brincadeiras com desconhecidos. Desviou contrariado o olhar para o
fundo do salão, onde algo de anormal o surpreendeu: em sítios
diversos, encontravam-se pessoas cujas fisionomias lhe eram
inteiramente estranhas. A descoberta deixou-o intrigado. Desde que
passara a frequentar aquele local, as mesas tinham todos os assentos
tomados por antigos fregueses que nunca se ausentavam dos lugares
habituais nem os permutavam entre si. Esquadrinhou os semblantes,
examinando com atenção se alguém desaparecera para abrir vagas aos
novatos e não constatou qualquer ausência. Contava e recontava os
ocupantes das mesas, sem deparar mais de vinte em cada, à exceção,
naturalmente, daquela em que se postava o pobre velho.
Por
outro lado, a área do refeitório, embora extensa, não comportava
acréscimos de localidades que permitissem acolher novos
frequentadores. E estes, para tornar mais confusa a situação, não
se apresentavam juntos, mas entremeados aos veteranos. Havia ainda um
detalhe perturbador: jamais ocupavam o seu lugar, mesmo que chegasse
com grande atraso.
Daí
por diante, Jadon permaneceria bem atento ao que se passava nas
imediações e frequentemente surpreendia-se dando com os olhos em
indivíduos que dias atrás não partilhavam da mesma mesa. À medida
que aumentava sua perplexidade, e não conseguia explicar como faziam
os recém-chegados para acomodar-se entre os demais, do seu íntimo
emergia a desconfiança de que tudo aquilo poderia ser propositado —
um recurso sombrio de intrigá-lo, quebrar-lhe a resistência pelo
mistério, e afastá-lo definitivamente daquele local.
Se
essa era a intenção real deles — dizia consigo mesmo —, estavam
enganados. Apreciava muito o vinho e a comida da casa para pensar em
trocá-la por outro restaurante.
Também
não se esquivaria à provocação. Iria até a mais franca
hostilidade, pois a sua permanência ali dependia de uma ação
firme, que obrigasse o adversário a recuar em seus escusos
desígnios. Na ocupação das mesas havia uma fraude a ser
desmoralizada e nessa tarefa se concentrou.
No
dia imediato, animado pela perspectiva de acionar o esquema traçado,
chegou bem cedo ao refeitório. Desapontou-se logo à entrada:
encontravam-se todos em seus respectivos lugares.
O
desapontamento não desencorajou Jadon, que, nas manhãs seguintes,
foi encurtando gradativamente o horário de chegada. E por mais que o
encurtasse, seria sempre o último a tomar assento entre eles.
Durante
algum tempo insistiria na decisão de desvendar, a todo custo, a
maneira pela qual se processava o aumento progressivo de comensais
sem que se multiplicasse o número de cadeiras. No final, cansou-se.
Além de lhe desagradar o almoço em horas tão matinais,
convencera-se da necessidade de mudar a estratégia. Já que não lhe
permitiam ser o primeiro a chegar, decidiu obrigá-los a sair antes
dele ou se submeterem ao seu capricho de vê-los ao menos uma vez
jantar na sua frente.
Evitando
incorrer novamente na leviandade de subestimar a teimosia dos
circunstantes, preparou-se para executar programas ociosos. Com a
ajuda de jornais, revistas e livros emendava as duas refeições. Se
com o passar das horas lhe vinha o cansaço ou o tédio pela leitura,
levantava-se, passeava pela sala ou ia até a rua, voltando logo.
No
curso da noite, mal contendo o sono, aguardava em vão que os
parceiros tomassem a iniciativa de se alimentar. Quando entrevia
neles a determinação de permanecerem nos seus postos, indiferentes
à comida, dava-se por vencido e se dispunha a regressar a casa. Da
soleira da porta, voltava a cabeça para trás e estremecia de ódio
ante uma cena terrivelmente familiar: os criados, indo e vindo como
autômatos; os comensais, de ombros curvados, a esconderem o olhar.
Não
tardou a compenetrar-se de que cometera outro erro de previsão. Nem
por isso mostrava-se convencido da esterilidade da luta que
enfrentava. É que ainda o amparava um vacilante otimismo. Somente ao
verificar que não mais experimentava prazer em degustar as bebidas e
saborear a comida, constatou que tinha pela frente uma única
alternativa: a violência. A ela recorreu.
Nos
dias subsequentes, a fisionomia endurecida, passadas largas, irrompia
pelo salão. No caminho, distribuía insultos e murros. E mesmo sem
arrancar um gesto de reação ou repulsa das pessoas agredidas, os
excessos refrescavam-lhe a mente.
Das
arbitrariedades também se cansou. Esgotara os recursos disponíveis
para romper a opressiva indiferença dos comensais, e falhara. Só
lhe restava agora buscar um restaurante no extremo oposto da cidade.
Foi
uma resolução demorada e sofrida: naquele almoço faria a sua
despedida. E a desejava com todos os requintes do seu ritual de
agressão.
Desde
a entrada veio agredindo e destratando um por um os presentes.
Cumpria
com calculada lentidão a tarefa, escolhendo bem o alvo, pronunciando
com sádica clareza as sílabas dos palavrões. De súbito
imobilizou-se, abaixando o punho prestes a desferir violento golpe.
Diante
dele estava uma jovem que possivelmente não ultrapassara os
dezesseis anos. O olhar fixo no semblante delicado da adolescente,
percebeu que um sentimento antigo lhe retornava.
Percorria
com os olhos o corpo de linhas perfeitas, os cabelos castanhos,
entremeados de fios dourados, compondo-se em longas tranças. Quase
nada mudara nela. Apenas o rosto lhe parecia mais pálido, talvez
faltasse o sorriso que trinta anos atrás era constante nos seus
lábios.
— Hebe,
Hebe, minha flor! Que alegria! — gritou, as palavras tensas, numa
voz repentinamente enrouquecida.
Quis
falar da sua emoção e conteve-se, chocado com a insensibilidade
dela ante a carinhosa acolhida que ele lhe proporcionava. Pálpebras
cerradas, os braços pendentes, Hebe parecia refugiar-se na mesma
solidão dos outros.
Constrangido,
a buscar uma saída para o seu embaraço, Jadon teve a suficiente
isenção de relevar o procedimento da sua primeira namorada. A
distância, o largo intervalo entre o último encontro e agora. O
silêncio, ele que prometera escrever longas cartas.
Encaminhou-se
vagarosamente para o seu lugar. Um aroma distante, vindo de um
passeio matinal, o envolvia. Mantinha os olhos presos à figura
grácil de Hebe e a contemplava com igual encantamento de três
decênios passados. A mesma beleza acanhada de moça do interior, o
mesmo vestido de bolinhas azuis.
Jadon
era moço, se bem que mais velho do que ela. Naquele dia se
despediam. Ele se transferia, com os pais, para uma cidade maior e
Hebe acompanhava-o até a pequenina estação, distante um
quilômetro. O rapaz carregava uma mala de papelão fingindo couro e
os dois caminhavam preguiçosamente porque havia tempo.
Caminho
afora, naquela manhã friorenta de junho, o orvalho a molhar o capim,
enquanto um tímido sol aumentava o brilho das gotículas depositadas
nas folhas do arvoredo, eles sentiam o universo parar ao contato do
amor.
A
espaços, detinham-se, Jadon depositava a mala no chão, beijavam-se.
Outras
vezes ela corria ao redor do namorado ou se afastava, para de longe
jogar-lhe beijos com a ponta dos dedos. Brincalhona, a alegria e a
tristeza se revezando nos seus olhos, não poderia suspeitar que
aquele encontro seria o último.
Ele
prometera voltar, mas em breve esqueceria a promessa, rendido ao
alumbramento da grande cidade, a fêmeas mais adestradas para o amor.
O
lugar de Hebe no salão ficava distante e Jadon não conseguia
divisar-lhe o rosto, sempre escondido pela cabeça de algum comensal.
Por sua vez ela se despreocupava em ser vista, forçando-o a
levantar-se frequentemente.
Logo
verificou que pouco lhe adiantaria ficar de pé ou assentado. Qual
fosse a sua posição, o desinteresse da moça não se alterava.
Ressentido, preferiu acreditar que exagerava as proporções daquele
namoro esquecido no tempo e que tolamente tentara reatar. O mais
sensato era afastar-se definitivamente dali, conforme sua decisão
anterior.
Seguia
em direção à porta de saída, quando fez menção de parar
defronte da jovem e dizer-lhe algo. Refreou a tempo o impulso,
estugando o passo.
Bem
antes de chegar em casa já se arrependera e esgotou o resto da tarde
entre aceitar e repelir o desejo de retornar ao refeitório. Ao
vencer, por fim, as suas próprias contradições, abeirava-se a
noite.
Nas
mãos levava rosas e foi direto à mesa de Hebe. As primeiras frases
lhe escaparam tímidas, balbuciadas, até que mais seguro de si
reencontrou o pequeno discurso decorado. Em breve julgaria
improvisar, porém as palavras se nutriam de velhas ressonâncias.
Quando notou que as flores jaziam intocadas sobre a toalha,
perturbou-se e o desapontamento espalhou-se pela sua face. A custo
prendeu um soluço, prenúncio de um desespero prestes a
desencadear-se. Com apaixonada violência tentou ainda subtrair Hebe
à sua dolorosa clausura, mas aos poucos a sua voz perdia a
segurança, o calor. Levou a mão à boca, sem conseguir evitar o
pranto, um pranto manso. Faltando-lhe ânimo para somar o que lhe
restava de amor-próprio, voltou-se humilde para trás, à espera de
uníssona gargalhada de uma plateia que devia estar atenta a seu
ridículo procedimento. Apenas o ar pesado, o silêncio.
Foi
para seu lugar e não tocou na comida. Pôs-se a beber
descontroladamente e no álcool diluiu a humilhação. Vagava em
triste euforia, retornava ao rapaz sentimental que tinha sido. Por
entre pensamentos soltos e imagens da infância, recuou até o velho
casarão colonial da fazenda de seus pais. O rio, as lavadeiras — o
mistério da puberdade sendo decifrado —, o trem de ferro a acender
a imaginação dele e dos companheiros, levando-os a lugares
distantes. As reminiscências se dispersavam em retalhos e nem sempre
traziam o retrato de Hebe. Porém nos melhores lá estavam as suas
tranças, os olhos ligeiramente estrábicos.
Bebera
demasiado. E encorajado pela embriaguez tentou levantar-se para
colher Hebe nos braços, arrancar-lhe o perdão. O corpo recusou-se a
obedecer-lhe. Caiu pesadamente na cadeira e, debruçado sobre a mesa,
veio-lhe um sono entorpecedor.
Acordou
madrugada alta, ignorando o tempo que dormira. Mal desperto, seus
olhos se chocaram com um espetáculo que antes não lhe parecera tão
repugnante: diante dele encontravam-se os comensais na mesma posição
em que os deixara ao adormecer, enquanto os garçons, maquinalmente,
trocavam os pratos, como se o jantar tivesse iniciado há pouco. Um
pressentimento terrível perpassou-lhe pela mente e num lampejo de
súbita lucidez compreendeu que todos moravam no refeitório. Por
isso jamais conseguira chegar antes ou sair depois deles. Essa tardia
revelação estarreceu-o. Sabia que tinha pela frente a última
oportunidade de escapar dali. Levantou-se de um salto e ao passar por
Hebe tentou levá-la consigo:
— Vamos,
Hebe, vamos — gritava, puxando-a pelos braços que não ofereciam
resistência, transformados em uma coisa gelatinosa. O corpo
grudara-se no assento. Não esmorecia, apesar de sentir-se incapaz de
removê-la. No momento em que mais se empenhava em arrastá-la, um
gesto brusco seu lançou para trás a cabeça de Hebe e as suas
pálpebras, movendo-se como se pertencessem a uma boneca de massa,
descerraram-se. Largou-a, aterrorizado. Teve ímpeto de correr e
controlou-se. Foi-se afastando de costas, os olhos siderados, em
direção ao corredor. No meio do caminho, ocorreu-lhe que precisava
liquidar seu débito com a casa.
— Diabo!
Onde seria a gerência? — perguntou a si mesmo, achando estranho
não ter-se preocupado até aquele dia em saber da sua localização.
— Se nunca lhe tinham cobrado, por que não tomara a iniciativa de
pagar as despesas?
A
pressa levou-o a afastar essa e outras indagações. Tratou de
enfiar-se por uma dependência, na qual jamais entrara, calculando
que ali acharia o gerente ou a pessoa encarregada das cobranças.
Deparou com um cômodo sem janelas, as luzes acesas, vazio. Proferiu
uma palavra obscena, decidindo-se por enviar um cheque pelo correio,
mesmo desconhecendo o montante da dívida.
Rapidamente
ganhou o corredor, rumo à porta principal. Verificou, com certa
surpresa, que, no lugar onde ela deveria estar, uma parede lisa
vedava-lhe a passagem. Retrocedeu célere, julgando que possivelmente
se desorientara. Também não a encontrou no lado oposto. Retornou
várias vezes ao ponto de partida e tinha a impressão de que não
saíra do lugar. Indo e vindo, gastou excessiva energia antes de
lembrar-se do refeitório. Lá encontraria uma saída para os fundos
do prédio. Agora era o salão que ele não achava. Ia crescendo a
sua inquietação e, sentindo-se encurralado, buscava uma janela, uma
abertura qualquer que o levasse à rua. Nada, nada além do corredor.
Nem reparou que a iluminação decaíra e poucas lâmpadas estavam
acesas. O suor escorria-lhe pela testa, mas Jadon perseverava na sua
inútil tentativa de fugir daquele recinto.
Apenas
parou — e por alguns minutos — ao sentir falta de ar. Afrouxou o
colarinho, jogou fora a gravata, levando as mãos ao coração, a
bater descompassado. Temia uma síncope — tinha o coração frágil.
Contudo voltou a correr, detendo-se somente para esmurrar as paredes.
Ofegante, a tremer, apelava por um socorro que sabia impossível.
Olhava para cima, para os lados, a língua seca, o fio de esperança
nos olhos acovardados. — Devia haver uma saída, por que não
haveria?
Pela
última vez atravessava o longo corredor. Sentia-se fraco, uma
necessidade premente de uma bebida forte, da presença da mãe. A
lembrança dela fê-lo rezar, sem que conseguisse chegar ao fim das
orações, saltando do princípio de uma para o final de outra.
Apoiou-se
numa das paredes. O corpo escorregou por ela abaixo e perdeu os
sentidos. Mais tarde o coração retomaria o ritmo normal, enquanto
Jadon se levantava, a mente desanuviada, alheio à pressa e sem
explicação por que estivera sentado no chão.
Diante
do espelho da saleta tentou ainda lembrar-se de algo momentaneamente
esquecido. Desistiu e contemplou, com vaidade, o belo rosto nele
refletido. Alisava os cabelos, sorrindo para os vinte anos que a sua
face mostrava. Ao lembrar-se que poderia estar atrasado para o
almoço, apressou-se. Já na sala de jantar, caminhou até a grande
mesa de refeições, assentando-se descuidadamente numa das cadeiras.
Os braços descaíram e os olhos, embaçados, perderam-se no vazio.
Estava só na sala imensa.
Murilo Rubião, in Obra Completa

Nenhum comentário:
Postar um comentário