terça-feira, 15 de novembro de 2022

Cena carioca – I

Pai, essas passarelas servem pra quê?
Ver acidente de cima.
E a gente tem que pagar entrada?
Não. O atropelado é que paga pra morrer: ISS, INPS, FGTS...
Eu estava de ressaca e minha filha preferiu encerrar o assunto. Pus-me a cantarolar trechos de “O Rio amanheceu sangrando...”. Prefiro paródias malpassadas a, por exemplo, com Afif a fé afunda o fi-o-fó.
Moro na Muda. Todo dia tem foguetório nos morros. A criançada já sabe: chegou o bregueti ou estão queimando alguém. Medelin é aqui.
Um impasse brabo, mais ou menos o seguinte: se pessoas ligadas à tortura comandam (ui!) a maior festa popular do mundo, well, é melhor lançar logo a campanha Tarado-Esperança e leiloar as Paquitas, sob a chancela daquele pedófilo da Unicef que, vendo a imoralidade ganhar terreno, suspirou:
Deixai... Id-Amin as criancinhas...
O Haiti é aqui. No alto do Juramento, o cachorro Surtão, com a tíbia do Mengele entre os dentes, observa a noiva do megaespeculador durante a compra de um quilo do branco.
Uau! – Vibra a moça.
Surtão larga o osso e comenta com o leitão Dondinho:
A diferença entre os cachorros e as moças da nossa melhor sociedade, Dinho, é que o latido delas tem um u a mais…

Aldir Blanc, in Brasil passado a sujo

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