De
tudo ficou um pouco
Do
meu medo. Do teu asco
(C.
Drummond de Andrade)
O
que ficou de mim
além
de eu mesma
não
o sei.
Nem
o digas às crianças
porque
no que ficou
a
palavra de amor
está
partida
imperceptível
sombra
de
flor no ramo frágil.
Nem
o digas aos homens
Era
o rio
e
antes do rio havia areia.
Era
praia
e
depois da praia havia o mar.
Era
amigo
ah!
e se tivesse existido
quem
sabe ficava eterno.
Nada
ficou de mim
além
de eu mesma.
Tênue
vontade de poesia
e
mesmo isso
imperceptível
sombra
de
flor no ramo frágil.
Hilda Hilst, in Baladas
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