quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Balada de Alzira | II

De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco
(C. Drummond de Andrade)

O que ficou de mim
além de eu mesma
não o sei.
Nem o digas às crianças
porque no que ficou
a palavra de amor
está partida

imperceptível sombra
de flor no ramo frágil.

Nem o digas aos homens
Era o rio
e antes do rio havia areia.
Era praia
e depois da praia havia o mar.
Era amigo
ah! e se tivesse existido
quem sabe ficava eterno.

Nada ficou de mim
além de eu mesma.
Tênue vontade de poesia
e mesmo isso

imperceptível sombra
de flor no ramo frágil.

Hilda Hilst, in Baladas

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