“O
viver faz-se sempre a
partir de ou
sobre
certos
supostos, que são como o solo em que para viver nos apoiamos ou do
qual partimos. E isto em todas as ordens - em ciência como em moral
e política, como em arte. Toda a ideia é pensada e todo o quadro é
pintado a partir de certas suposições ou convenções tão básicas,
tão evidentes para quem pensou a ideia ou pintou o quadro, que nem
sequer repara nelas e por isso não as introduz na sua ideia nem no
seu quadro, não as achamos ali postas mas precisamente supostas e
como deixadas voluntariamente no esquecimento. Por isso, às vezes,
não entendemos uma ideia ou um quadro: falta-nos a palavra do
enigma, a clave da secreta convenção. E como, repito, cada época -
vou ser mais exato
-, cada geração parte de supostos mais ou menos diferentes, quer
dizer-se que o sistema das verdades e o dos valores estéticos,
morais, políticos, religiosos têm inexoravelmente uma dimensão
histórica, são relativos a uma certa cronologia vital humana, valem
só para certos homens. A verdade é histórica.”
Ortega
y Gasset,
in
O Que é a Filosofia?
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