Era uma vez um tempo de pardais
De verde nos quintais
Faz muito tempo atrás
Faz muito tempo atrás
Quando ainda havia fadas
No bonde havia um anjo pra guiar
No bonde havia um anjo pra guiar
Outro pra dar lugar
Pra quem chegar sentar
Pra quem chegar sentar
De duvidar, de admirar.
Havia frutos num pomar qualquer
De se tirar do pé
No tempo em que os casais podiam mais
No tempo em que os casais podiam mais
Se namorar nos lampiões de gás
Sem os ladrões atrás
Tempo em que o medo se chamou jamais.
Tempo em que o medo se chamou jamais.
Veio um marquês de uma terra já perdida
E era uma vez se fez dono da vida
Mandou buscar cem dúzias de avenidas
Pra expulsar de vez as margaridas
Por não ter filhos, talvez por nem gostar
Ou talvez por mania de mandar.
E era uma vez se fez dono da vida
Mandou buscar cem dúzias de avenidas
Pra expulsar de vez as margaridas
Por não ter filhos, talvez por nem gostar
Ou talvez por mania de mandar.
Só sei que enquanto houver os corações
Nem mesmo mil ladrões
Nem mesmo mil ladrões
Podem roubar canções
E deixa estar que há de voltar
O tempo dos pardais, do verde nos quintais
Tempo em que o medo se chamou jamais.
E deixa estar que há de voltar
O tempo dos pardais, do verde nos quintais
Tempo em que o medo se chamou jamais.
Composição: Sivuca e Paulinho Tapajós
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