No ano passado, como já aconteceu
tantas vezes, o Prêmio Nobel de Literatura foi uma bênção
ambígua. Os escritos de Elias Canetti são extremamente pessoais e
fragmentários. Brotam de recessos ocultos e se desdobram com
cautelosa paciência. Devido ao Prêmio de 1981, muitas coisas suas
que são menores têm sido reeditadas e traduzidas às pressas,
perdendo-se o foco do conjunto da obra, que nasce e retorna a uma
obra-prima, Auto de fé, seu primeiro e único romance. O
próprio Canetti, além disso, reagiu à abrupta notoriedade que lhe
foi concedida em seu 77o ano de vida com típica irascibilidade e
hauteur. Tem criticado ferozmente, e não com toda justiça, aqueles
que — em especial na Inglaterra, aos quais se dirigira como
refugiado — não mantiveram seus livros em catálogo ou deixaram de
lhes conceder atenção crítica durante os longos anos de (relativa)
obscuridade antes do Nobel. Com tanto mais razão é importante que a
autobiografia desse mestre da intransigência esteja agora disponível
fora do alemão incisivo e marmóreo (Canetti é herdeiro de Kleist)
em que foi escrita. Uma luz em meu ouvido é o segundo volume,
traduzido por Joachim Neugroschel (Farrar, Straus & Giroux,
1982). Cobre a década — absolutamente decisiva para o
desenvolvimento de Canetti como escritor e pensador — de 1921 a
1931. Começa quando Elias Canetti é um aluno de dezesseis anos de
idade num Gymnasium de Frankfurt e termina quando dr. Canetti
abandona a química, que havia cursado na Universidade de Viena, para
se dedicar à alquimia mais poderosa de sua grande ficção. Mas o
relato não se resume às memórias de uma testemunha
excepcionalmente observadora e original; é uma imagem vívida da
alta civilização centro-europeia à beira do abismo. Foi um risco e
uma sorte que Canetti atingisse a maioridade interior numa era
crepuscular.
Os leitores do primeiro volume, A
língua absolvida, hão de lembrar a temível mãe viúva do
escritor e as intimidades e tensões que uniam mãe e filho. A
insensibilidade de madame Canetti podia ser uma tática, friamente
estratégica como suas adivinhações. Na Frankfurt dos anos 1920, a
inflação galopante estava levando à loucura e à ruína. Elias via
a seu redor sintomas constantes de miséria e desespero humano.
Diante de uma mulher desmaiando de fome na rua, o menino pediu à mãe
alguma explicação, alguma centelha de compaixão. “Você
está vivo?”, replicou madame Canetti, cáustica, e advertiu o
filho que seria melhor ir se acostumando a tais visões se fosse
virar médico e ganhar o dinheiro burguês que o protegeria de tais
desgraças. Como o menino alucinado do conto de D. H. Lawrence “The
Rocking-Horse Winner” [O ganhador do cavalo de balanço], o jovem
Canetti ouvia em cada esquina as expectativas maternas bradando por
dinheiro. Numa reação que em parte era astúcia, em parte histeria,
o próprio Elias, alguns anos depois em Viena, cobriu páginas e
páginas de papel com a palavra “dinheiro”. O susto que esse
exercício causou a uma mãe já sempre dada a procurar conselhos
médicos iria ajudar na libertação do filho, que saiu de casa.
Mas os últimos anos de escola
trouxeram também outras emancipações. O ator Carl Ebert, que
Canetti tinha admirado em papéis clássicos interpretados na
Schauspielhaus de Frankfurt, apresentou uma leitura dominical de um
épico babilônico mais antigo do que a Bíblia: “Descobri
Gilgamesh, que teve um impacto em minha vida e em seu
significado mais íntimo, em minha fé, minha força e expectativa,
mais decisivo do que qualquer outra coisa no mundo”. De fato, o
resumo que Canetti fez desse impacto pode servir de epígrafe à sua
obra:
Senti o efeito de um mito: algo em
que tenho pensado sob vários ângulos neste meio século que se
seguiu, algo em que tenho refletido com muita frequência, mas de que
nunca duvidei a sério, nenhuma
vez. Absorvi como uma unidade algo que permaneceu em mim
como unidade. Não consigo encontrar nenhuma falha nela. A questão
de se eu acredito
neste conto não me afeta; como poderia, dada minha substância
intrínseca, decidir se acredito ou não? A questão não é repetir
a banalidade de que todos os seres humanos morrem: o ponto é decidir
aceitar a morte de boa
vontade ou se revoltar contra ela. Com minha indignação contra a
morte, adquiro direito à glória, à riqueza, à infelicidade…
Tenho vivido nesta revolta sem fim. E se minha dor pelos entes
queridos que perdi ao longo do tempo não foi menor do que a de
Gilgamesh por seu amigo Enkidu, pelo menos tenho uma coisa, uma única
coisa, de vantagem sobre o herói: eu me importo com a vida de todos
os seres humanos, e não apenas com a de meu vizinho.
A segunda grande descoberta foi mais
cáustica. Canetti encontrou em Aristófanes uma pista vital: “Como
cada comédia sua é dominada vigorosamente, sistematicamente, por
uma única ideia fundamental e surpreendente, da qual ela deriva”.
Essa ideia, concluiu Canetti, deveria ser sempre de ordem pública e,
em sentido mais profundo, política. Uma imaginação radical deve
tentar transpor a esfera privada. E poderia existir algo mais
aristofânico do que o espetáculo da vida alemã sob o domínio da
dissolução fiscal, social e erótica?
O analista supremo dessa dissolução
estava trabalhando em Viena. À distância, vem se tornando cada vez
mais evidente que os traços essenciais da sensibilidade e do estilo
expressivo no Ocidente no século XX derivam do exemplo de Karl
Kraus. O legado desse satirista apocalíptico se faz constantemente
visível, desde a concepção da linguagem e da sociedade em Kafka ao
humor negro e autodestrutivo do filão urbano americano dos anos 1950
e 1960. Canetti apresenta um relato memorável dos célebres recitais
de leitura de Kraus, um daqueles tours de force miméticos em
que o autor-editor de Die Fackel — a tocha que também arde
no título de Canetti — instruiu toda uma geração nas artes
envolventes do ódio ao outro e do ódio a si próprio. Foi uma boa
coincidência que tenha sido num recital de Kraus que Canetti viu
pela primeira vez — sentada na primeira fila, como sempre fazia —
Venetia Toubner-Calderon, a bela e enigmática Veza, com quem iria se
casar em 1934. Em termos mais imediatos, o efeito hipnótico de Kraus
sugeriu a Canetti aquilo que se tornaria o eixo de seu
questionamento: o poder do indivíduo em relação ao poder das
massas. Relembrando o fantástico registro vocal de Kraus, Canetti
observa: “As cadeiras e as pessoas pareciam se render sob aquela
vibração; não ficaria surpreso se as cadeiras cedessem. A dinâmica
de um auditório tão acossado ao impacto daquela voz — um impacto
que persistia mesmo quando a voz silenciava — é tão impossível
de descrever quanto a Caçada Selvagem”. (Quantos leitores,
principalmente no mundo anglo-saxão, identificarão essa penetrante
referência ao mito, provavelmente de origem celta, dos cães e
caçadores espectrais cruzando o firmamento noturno numa perseguição
demoníaca? Mas essa edição não traz notas de rodapé, e muitas
vezes a tradução é engenhosamente inútil.)
Tão essenciais quanto Karl Kraus para
a educação de Elias Canetti foram as pinturas que ele viu nas
grandes coleções de Viena, e sobre as quais muito refletiu. Duas em
especial vieram a ocupar seu espírito, embora com efeitos
contrários. O Triunfo da morte, de Brueghel, parecia
confirmar a mensagem de Gilgamesh. A vigorosa resistência à
morte pulsando nas inúmeras figuras da multidão na tela se
infiltrou na consciência de Canetti. Embora a morte triunfe, a luta
é pintada como atitude de eminente valor e faz a união de todos os
homens. O outro quadro era o colossal Cegamento de Sansão, de
Rembrandt: “Contemplei muitas vezes essa pintura, e com ela aprendi
o que é o ódio”. Ademais, embora ainda não pudesse saber disso,
o cegamento e a cegueira viriam a ser motivos constantes na
literatura, nas notas de viagem e nos aforismos filosóficos de
Canetti. O título alemão de Auto de fé é Die Blendung, que
significa tanto o ato de cegar quanto ficar ofuscado ou aturdido ao
ponto da cegueira. A leitura canettiana da Dalila de Rembrandt parece
reverberar em quase todas as figuras femininas de suas criações
posteriores: “Ela tirou a força de Sansão; retém sua força mas
ainda o teme e irá odiá-lo enquanto se lembrar do cegamento e, para
odiá-lo, irá sempre se lembrar desse cegamento”.
No verão de 1925, Canetti rompeu com
seu monstre sacré, a mãe. Continuou a estudar ciências na
Universidade de Viena, mas agora tinha uma intensa sensibilidade aos
chamados da experiência — àquilo que, se fizesse o apelo correto,
iria despertar os poderes adormecidos dentro de si como um sinal
luminoso dentro da noite. Em 15 de julho de 1927, esse sinal veio,
literalmente. Atendendo a seus líderes social-democratas, os
operários mais radicais de Viena, enfurecidos com um recente erro
judicial (alguns operários tinham sido mortos em Burgenland e os
assassinos foram absolvidos), marcharam sobre o Palácio da Justiça.
Atearam-lhe fogo. Naquele dia, Elias Canetti, o metafísico lírico,
o alegorista da violência, ganhou sua independência: “Tornei-me
parte da multidão, dissolvi-me inteiramente nela”. Essa imersão —
a expressão francesa bain de foule transmite exatamente a
experiência de Canetti — firmou sua decisão de analisar, como
Gustave Le Bon começara a fazer nos anos 1890, a estrutura interna,
as energias exponenciais e a aura contagiosa das multidões. Apenas
em 1960 veio a sair Massas e poder, obra truncada, brilhante e
fragmentária. Mas a multidão e os sentimentos da multidão em que
ele mergulhou naquele dia escaldante de verão iriam ocupá-lo desde
aquele momento. Obsessões pessoais e fato público se fundiram:
O fogo era o que mantinha a
situação coesa. Você sentia o fogo, sua presença era
avassaladora; mesmo que não o visse, você o tinha em mente, sua
atração e a atração exercida pela multidão eram uma só. […] E
você era atraído outra vez para o local do fogo — dando uma
volta, pois não havia outro caminho possível.
Tanto em suas reflexões sobre as
multidões quanto em suas apropriações metafóricas do fogo,
Canetti não viu nenhum proveito em Freud. A Psicologia das massas
e análise do eu, de Freud, lhe causou aversão “desde a
primeira palavra, e ainda me causa aversão 55 anos depois”.
Canetti via em Freud a própria encarnação da coisa de segunda mão
— a construção de abstrações dogmáticas sobre as bases
incertas das ações e vivências de outras pessoas. Essa rejeição
teve ressonância mais ampla. Canetti pertence à pequena constelação
de intelectos e sensibilidades de primeira categoria, em nossa época,
que têm rejeitado Freud e a teoria psicanalítica como uma mitologia
artificial, anti-histórica, cuja metodologia é, na melhor das
hipóteses, estética, e cujos materiais de prova — os sonhos, os
atos de fala, os estilos de gestos fin-de-siècle, basicamente
uma Europa Central judaica de classe média e feminina — são de
uma estreiteza quase absurda. Além de Canetti, essa constelação
inclui Kraus, Wittgenstein e Heidegger. É marcada por um senso
trágico da vida, por uma aguda atenção à natureza temporal,
histórica, do discurso humano e por um grande ceticismo em relação
aos ideais ou às pretensões da psicanálise. Com o atual
desaparecimento das suposições psicanalíticas, pode ser que sejam
esses “negadores” de Freud que se demonstrem duradouros.
A revolta de julho tinha definido a
vocação de Canetti. Procurando as multidões “na história, nas
histórias de todas as civilizações”, ele se deparou e
ficou fascinado com a história e a filosofia antiga da China
(fascínio este que iria inspirar o romance). Os sons das ruas
adquiriram um significado rico, diferente. Os colegas de universidade
com simpatias nacional-socialistas que Canetti encontrava no
laboratório serviram para que ele concentrasse ainda mais o foco de
sua atenção nos fenômenos de massa e na possibilidade de que a
política de manipulação das massas levasse ao transe coletivo da
guerra. Canetti agora estava escrevendo poesia “frenética e
desenfreada”. Entregava cada poema novo a Veza. E Veza começava a
ver como era profundo o amor de Canetti por ela. Em 15 de julho de
1928, um ano depois do incêndio no Palácio da Justiça, Canetti
saiu de Viena e foi passar o resto do verão em Berlim. Depois de
Frankfurt e Viena, Berlim seria a terceira cidade essencial para suas
descobertas pessoais.
Naquele momento, Berlim era o centro
nevrálgico da modernidade. Embora os “camisas pardas” estivessem
assumindo cada vez mais o comando das correntes e movimentos na vida
das ruas, a esquerda ainda estava presente, tanto a comunista quanto
a socialista. No ambiente implosivo da cidade ensaiavam-se os
confrontos, as agressões físicas e psicológicas que logo seriam
praticadas em escala global. A descrição de Canetti é perspicaz:
A qualidade animal e a qualidade
intelectual, desnudadas e intensificadas ao máximo, estavam
mutuamente entrelaçadas, numa espécie de corrente alternada. Se
você tivesse despertado para sua animalidade antes de chegar aqui,
tinha de aumentá-la para enfrentar a animalidade dos outros: e se
não fosse muito forte, logo seria vencido. Mas, se você se guiasse
por seu intelecto e não tivesse se entregado quase nada à sua
animalidade, fatalmente se renderia à riqueza do que era oferecido à
sua mente. Essas coisas o alvejavam, versáteis, contraditórias,
incessantes; você não tinha tempo de entender coisa alguma, não
recebia nada a não ser pancadas, e não tinha sequer se recuperado
das pancadas de ontem e as novas pancadas já lhe choviam em cima.
Você andava por Berlim como se fosse um pedaço macio de carne, e
sentia como se ainda não estivesse macio o suficiente e ficasse
esperando novas pancadas.
A imagem de “um pedaço macio de
carne” andando por Berlim sob uma chuva de pancadas é
expressionismo puro. George Grosz, que Canetti veio a conhecer e
admirar, acharia muito engraçado. Os desenhos ferozes de Grosz
lançaram Canetti em um mundo de exploração e brutalidade sexual.
Ele nunca duvidou da veracidade de Grosz, o que viria a influenciar
profundamente o drama do eros tirânico em Auto de fé. Brecht
também causou impressão no jovem visitante, e Canetti vislumbrou
algo em seu profissionalismo frio e altaneiro. Mas o grande encontro
foi com Isaac Bábel. Aqui havia uma evidente pureza, como a que
Canetti iria conhecer mais tarde na verdade icônica de Kafka. A
literatura era sacrossanta para Bábel. Ele tinha sondado as
profundezas da barbárie humana, mas sua visão da literatura o
protegia do cinismo. “Se ele via que alguma coisa era boa, nunca
iria usá-la como outras pessoas, que, torcendo o nariz para o que
estava em volta, davam a entender que se consideravam o ponto
culminante de todo o passado. Sabendo o que era a literatura, ele
nunca se sentiu superior aos demais.” Isaac Bábel, diz Canetti, o
impediu de ser “devorado” pela cidade voraz.
Agora o aprendizado de Canetti estava
quase completo. Voltando a Viena no outono de 1929, pôs de lado os
sonhos de respeitabilidade médica ou comercial em que se obstinava a
mãe. Ganharia a vida como tradutor, com suas línguas “postas em
liberdade”, e começaria a trabalhar numa ficção em várias
partes extensas, que levava o título provisório de A comédia
humana dos loucos. Mais um encontro se revelou fundamental: este
com um jovem filósofo, aleijado de corpo, mas com uma percepção
dos seres humanos que às vezes o assemelhava a “um Cristo num
ícone oriental”. Embora a dissolução do indivíduo na multidão
continuasse a ser “o enigma dos enigmas” para Canetti, a condição
desolada, mas luminosa, de seu amigo colocou o tema da morte entre
seus principais interesses. Voltando a pensar nas chamas que tinham
envolvido o Palácio da Justiça, vendo diante de si um ser humano
possuído, nutrido pelo pensamento abstrato e pelas energias de uma
percepção ilimitada, Canetti encontrou seu grande tema: o “Homem
Livro” em sua quintessência, o qual, num êxtase derradeiro de
clarividência ensandecida, arderia junto com todos os seus livros.
De início, o personagem ia se chamar Brand [fogo, incêndio],
refletindo o próprio termo “fogo” e, talvez, o espírito
ferozmente absolutista da peça de Ibsen, de mesmo nome. Depois
passou a se chamar Kant, pedra de toque dos metafísicos e arquétipo
da rotina acadêmica. Por fim, o personagem central de Auto de fé
se tornou Kien, monossílabo que combina o termo alemão para a
madeira resinosa dos pinheiros com uma leve sugestão de tom chinês.
Aos 24 anos, Elias Canetti estava compondo um dos romances de maior
maturidade intelectual e domínio estilístico de nosso século.
Grande parte do que publicou a partir
de então é de alta qualidade: a engenhosa peça filosófica Os
que têm a hora marcada, as reflexões sobre as cartas de Kafka a
Felice Bauer (O outro processo, de 1969), os aforismos e
anotações líricas de As vozes de Marrakech e, como sugeri,
algumas seções de Massas e poder – aquela, por exemplo,
sobre o papel da inflação monetária na destruição da identidade
social e do discernimento ético na Alemanha de Weimar. A
autobiografia de Canetti nos faz aguardar esperançosamente uma
continuação. Apesar disso, seria difícil encontrar algo nos
escritos posteriores de Canetti capaz de se equiparar à força da
Opus I. Uma luz em meu ouvido oferece um relance fascinante da
gênese de um clássico.
Embora ainda seja prematuro, é
inevitável relacionarmos Canetti com toda a configuração do gênio
judaico e centro-europeu que determinou tão amplamente o clima da
sensibilidade moderna. Em Canetti não há a imediaticidade da
criação mítica, o acesso livre a formas simbólicas específicas,
porém universais, que fazem das ficções e parábolas de Kafka o
coroamento e o ápice da imaginação do século XX — sendo Kafka
para sua época, como disse Auden, o que Dante e Shakespeare foram
para as suas. E também sentimos que, perante a natureza física e os
mistérios da psique humana, Canetti não fornece a resposta que
confere a paciente autoridade aos romances — e aqui o plural é
importante — de Hermann Broch. Mas é por esses critérios que
Canetti quer — na verdade requer — um julgamento. Sua exigente
presença honra a literatura.
22 de novembro de 1982
George Steiner, em Tigres no Espelho e Outros Textos

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