No início, as tragédias foram
trazidas para os palcos como um meio para lembrar os homens dos
acontecimentos, da naturalidade dos fatos e de que, caso os episódios
sejam encantadores naquele estreito palco, não devem ser
preocupantes neste vasto. Diante disso, você observou a necessidade
de tudo ocorrer como ocorre e de tudo precisar ser suportado
inclusive por quem clama: “Ó Citéron!”
De fato, certas sentenças foram bem
redigidas pelos dramaturgos. Alguns exemplos, dentre vários outros:
“Se eu e os meus filhos os deuses
negligenciam,
Também há uma razão.”
“Não devemos nos irritar e nos
desgastar com os eventos.”
“A colheita da vida deve ser como
ceifar uma frutífera espiga de trigo.”
Depois da tragédia, foi introduzida a
comédia antiga, caracterizada pela magistral liberdade de expressão.
Devido à franqueza, era um útil lembrete de precaução contra a
insolência. Tal peculiaridade foi adotada por Diógenes para fins
similares.
Em seguida, veio a comédia
intermediária. Identifique a sua essência. Por último, a nova.
Repare a sua finalidade inicial, eventualmente reduzida a um mero
artifício de mímica. Todos reconhecem a existência de boas
passagens até mesmo desses escritores. Contudo, considerando a
abordagem geral, para qual objetivo mirava toda a poesia e a
dramaturgia?
Marco Aurélio, em Meditações
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