segunda-feira, 11 de maio de 2026

I Want to Hold Your Hand | John Lennon e Paul McCartney


I Want to Hold Your Hand, de John Lennon e Paul McCartney

Oh yeah I’ll tell you something
I think you’ll understand
When I say that something
I want to hold your hand

I want to hold your hand
I want to hold your hand

Oh please say to me
You’ll let me be your man
And please say to me
You’ll let me hold your hand
Now let me hold your hand
I want to hold your hand

And when I touch you I feel happy inside
It’s such a feeling that my love
I can’t hide
I can’t hide
I can’t hide

Yeah you got that something
I think you’ll understand
When I say that something
I want to hold your hand

I want to hold your hand
I want to hold your hand

And when I touch you I feel happy inside
It’s such a feeling that my love
I can’t hide
I can’t hide
I can’t hide

Yeah you got that something
I think you’ll understand
When I feel that something

I want to hold your hand
I want to hold your hand
I want to hold your hand
I want to hold your hand

Por trás de tudo havia um erotismo. Se eu me ouvisse usando essa palavra quando eu tinha dezessete anos, eu daria uma gargalhada. Mas o erotismo foi uma das forças motrizes de tudo o que fiz. É uma coisa muito poderosa. E, sabe, era isso que estava por trás de muitas dessas canções de amor. “I want to hold your hand”, mas subentende-se, entre parênteses: (quero segurar a sua mão e provavelmente fazer muito mais!).
Na época em que esta canção foi escrita, eu tinha uns 21 anos, e tínhamos ido morar em Londres. O nosso empresário conseguiu um apartamento para os Beatles: apartamento L, 57 Green Street, Mayfair. Era tudo muito empolgante; Mayfair é uma área chique de Londres. Por algum motivo, fui o último a aparecer lá e a conhecer o local, e me deixaram num quartinho. Os outros já tinham escolhido os quartos maiores. E me deixaram nesse quartinho medonho.
Mas eu tinha uma namorada, Jane Asher, uma jovem muito elegante, cujo pai tinha um consultório médico na Wimpole Street e cuja mãe era uma senhora maravilhosa, a professora de música Margaret Asher. Então, eu sempre ia visitá-los na casa deles. Eu adorava ir lá por causa do ambiente familiar. Margaret e eu nos dávamos muito bem. Ela me tratava como se fosse minha segunda mãe. Era com esse carinho que eu estava acostumado antes de minha mãe morrer, quando eu tinha quatorze anos. Mas eu nunca tinha visto uma família como a deles. As únicas pessoas que eu conhecia pertenciam à classe trabalhadora de Liverpool. Essa era a Londres sofisticada; todos eles tinham uma rotina que se estendia das oito da manhã às seis ou sete da noite – uma agenda sempre cheia. Nem um segundo sequer era desperdiçado. Jane ia ao agente dela, passava o texto de uma peça teatral, encontrava-se com alguém para almoçar, tinha aula com o instrutor vocal para aprender um sotaque de Norfolk para seu próximo espetáculo. É natural que eu me apaixonasse por tudo isso. Era como se eu estivesse em uma história, vivendo em um romance.
Conversa vai, conversa vem, acabei morando com os Asher. Eu já tinha me hospedado lá algumas vezes, mas Margaret deve ter dito: “Bem, sabe, vamos deixar você ficar com o quarto do sótão”. Então fui morar lá, e eles colocaram um piano naquele quarto.
Quando John vinha me visitar, também havia um piano no porão – uma salinha de música onde eu acho que a Margaret dava aulas aos alunos dela. Assim, podíamos compor ali no porão, os dois sentados ao piano ao mesmo tempo, ou frente a frente, cada qual com seu violão.
I Want to Hold Your Hand” não é sobre Jane, mas com certeza foi escrita quando eu estava com ela. Para dizer a verdade, acho que estávamos compondo mais para o público em geral. Eu podia aproveitar minha experiência com a pessoa por quem eu estava apaixonado na época – e, às vezes, isso era muito específico –, mas em linhas gerais estávamos compondo para o mundo.

Paul McCartney, em As Letras: 1956 até o presente

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