I Want to Hold Your Hand, de John
Lennon e Paul McCartney
Oh yeah I’ll tell you something
I think you’ll understand
When I say that something
I want to hold your hand
I want to hold your hand
I want to hold your hand
Oh please say to me
You’ll let me be your man
And please say to me
You’ll let me hold your hand
Now let me hold your hand
I want to hold your hand
And when I touch you I feel happy
inside
It’s such a feeling that my love
I can’t hide
I can’t hide
I can’t hide
Yeah you got that something
I think you’ll understand
When I say that something
I want to hold your hand
I want to hold your hand
I want to hold your hand
And when I touch you I feel happy
inside
It’s such a feeling that my love
I can’t hide
I can’t hide
I can’t hide
Yeah you got that something
I think you’ll understand
When I feel that something
I want to hold your hand
I want to hold your hand
I want to hold your hand
I want to hold your hand
Por trás de tudo havia um erotismo.
Se eu me ouvisse usando essa palavra quando eu tinha dezessete anos,
eu daria uma gargalhada. Mas o erotismo foi uma das forças motrizes
de tudo o que fiz. É uma coisa muito poderosa. E, sabe, era isso que
estava por trás de muitas dessas canções de amor. “I want to
hold your hand”, mas subentende-se, entre parênteses: (quero
segurar a sua mão e provavelmente fazer muito mais!).
Na época em que esta canção foi
escrita, eu tinha uns 21 anos, e tínhamos ido morar em Londres. O
nosso empresário conseguiu um apartamento para os Beatles:
apartamento L, 57 Green Street, Mayfair. Era tudo muito empolgante;
Mayfair é uma área chique de Londres. Por algum motivo, fui o
último a aparecer lá e a conhecer o local, e me deixaram num
quartinho. Os outros já tinham escolhido os quartos maiores. E me
deixaram nesse quartinho medonho.
Mas eu tinha uma namorada, Jane Asher,
uma jovem muito elegante, cujo pai tinha um consultório médico na
Wimpole Street e cuja mãe era uma senhora maravilhosa, a professora
de música Margaret Asher. Então, eu sempre ia visitá-los na casa
deles. Eu adorava ir lá por causa do ambiente familiar. Margaret e
eu nos dávamos muito bem. Ela me tratava como se fosse minha segunda
mãe. Era com esse carinho que eu estava acostumado antes de minha
mãe morrer, quando eu tinha quatorze anos. Mas eu nunca tinha visto
uma família como a deles. As únicas pessoas que eu conhecia
pertenciam à classe trabalhadora de Liverpool. Essa era a Londres
sofisticada; todos eles tinham uma rotina que se estendia das oito da
manhã às seis ou sete da noite – uma agenda sempre cheia. Nem um
segundo sequer era desperdiçado. Jane ia ao agente dela, passava o
texto de uma peça teatral, encontrava-se com alguém para almoçar,
tinha aula com o instrutor vocal para aprender um sotaque de Norfolk
para seu próximo espetáculo. É natural que eu me apaixonasse por
tudo isso. Era como se eu estivesse em uma história, vivendo em um
romance.
Conversa vai, conversa vem, acabei
morando com os Asher. Eu já tinha me hospedado lá algumas vezes,
mas Margaret deve ter dito: “Bem, sabe, vamos deixar você ficar
com o quarto do sótão”. Então fui morar lá, e eles colocaram um
piano naquele quarto.
Quando John vinha me visitar, também
havia um piano no porão – uma salinha de música onde eu acho que
a Margaret dava aulas aos alunos dela. Assim, podíamos compor ali no
porão, os dois sentados ao piano ao mesmo tempo, ou frente a frente,
cada qual com seu violão.
“I Want to Hold Your Hand” não é
sobre Jane, mas com certeza foi escrita quando eu estava com ela.
Para dizer a verdade, acho que estávamos compondo mais para o
público em geral. Eu podia aproveitar minha experiência com a
pessoa por quem eu estava apaixonado na época – e, às vezes, isso
era muito específico –, mas em linhas gerais estávamos compondo
para o mundo.
Paul McCartney, em As Letras: 1956 até o presente

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