I Saw Her Standing There, de
Paul McCartney e John Lennon
Well she was just seventeen
You know what I mean
And the way she looked was way
beyond compare
So how could I dance with another
Ooh when I saw her standing there
Well she looked at me
And I, I could see
That before too long I’d fall in
love with her
She wouldn’t dance with another
Ooh when I saw her standing there
Well my heart went boom
When I crossed that room
And I held her hand in mine
Oh we danced through the night
And we held each other tight
And before too long I fell in love
with her
Now I’ll never dance with another
Ooh when I saw her standing there
Well my heart went boom
When I crossed that room
And I held her hand in mine
Oh we danced through the night
And we held each other tight
And before too long I fell in love
with her
Now I’ll never dance with another
Ooh since I saw her standing there
Since I saw her standing there
Since I saw her standing there
Escrevi muitas canções, mas algumas
delas se destacam, e se eu tivesse que escolher quais representam
meus melhores trabalhos ao longo dos anos, eu provavelmente incluiria
“I Saw Her Standing There”. Ou melhor: com absoluta certeza eu a
incluiria.
A primeira vez que toquei esta canção
para John foi quando nos reunimos para fumar chá no cachimbo do meu
pai (e quando eu digo chá, eu quero dizer chá). Cantei: “She
was just seventeen. She’d never been a beauty queen”. E John
falou: “Tenho lá minhas dúvidas quanto a isso”. Assim, a nossa
principal tarefa era nos livrarmos da parte da rainha da beleza. Após
muitas tentativas, surgiu uma solução.
Ao cantá-la hoje – e isso acontece
com todas as canções dos Beatles que eu toco –, percebo que estou
revisitando o trabalho de um rapaz de 18, 20 anos. E eu acho isso
interessantíssimo, porque tem um quê de inocência – um ar
ingênuo – que é impossível de inventar.
Falando nisso, Jerry Seinfeld fez uma
bela sátira com esta letra. Fomos à Casa Branca, e Jerry disparou:
“Paul, estive olhando o trecho: ‘She was just seventeen/ You
know what I mean’. Não sei bem se nós sabemos o que você
quer dizer, Paul!”.
O fato é que já tínhamos ouvido
todas essas coisas – eu tinha uns 20 anos, e estávamos compondo
esta canção na casa do meu pai, na Forthlin Road –, e
continuamos: “She was just seventeen/ You know what I mean/ And
the way she looked was way beyond compare”. Esse ritmo vem da
versão de Stanley Holloway de “The Lion and Albert”. Esse poema
cômico escrito por Marriott Edgar tem uma métrica semelhante.
Eu trazia na bagagem todas as melodias
que eu tinha ouvido. As composições de Hoagy Carmichael, Harold
Arlen, George Gershwin e Johnny Mercer. Eu ouvia isso tudo em minha
infância e adolescência. Eu não tinha feito ainda muitas
composições próprias, mas tinha absorvido isso tudo. E depois, no
colégio, o meu professor de inglês, Alan Durband, me ensinou sobre
o dístico rimado no final dos sonetos de Shakespeare. Não sei de
onde veio “nada se compara”, mas pode ter saído do Soneto 18:
“Devo comparar você a um dia de verão?”. Também pode ser que
eu tenha ouvido, na infância, uma tradicional canção irlandesa em
que a mulher é descrita como “sem comparação”.
Mas não é bem o que você esperaria
no rock’n’roll. Não sei de onde eu a resgatei, mas na grande
rede de arrasto da minha juventude, essa expressão simplesmente se
emaranhou como um golfinho.
Paul McCartney, em As Letras – 1956 até o presente

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