sábado, 25 de abril de 2026

I Saw Her Standing There, de Paul McCartney e John Lennon


I Saw Her Standing There, de Paul McCartney e John Lennon

Well she was just seventeen
You know what I mean
And the way she looked was way beyond compare
So how could I dance with another
Ooh when I saw her standing there

Well she looked at me
And I, I could see
That before too long I’d fall in love with her
She wouldn’t dance with another
Ooh when I saw her standing there

Well my heart went boom
When I crossed that room
And I held her hand in mine

Oh we danced through the night
And we held each other tight
And before too long I fell in love with her
Now I’ll never dance with another
Ooh when I saw her standing there

Well my heart went boom
When I crossed that room
And I held her hand in mine

Oh we danced through the night
And we held each other tight
And before too long I fell in love with her
Now I’ll never dance with another
Ooh since I saw her standing there
Since I saw her standing there
Since I saw her standing there

Escrevi muitas canções, mas algumas delas se destacam, e se eu tivesse que escolher quais representam meus melhores trabalhos ao longo dos anos, eu provavelmente incluiria “I Saw Her Standing There”. Ou melhor: com absoluta certeza eu a incluiria.
A primeira vez que toquei esta canção para John foi quando nos reunimos para fumar chá no cachimbo do meu pai (e quando eu digo chá, eu quero dizer chá). Cantei: “She was just seventeen. She’d never been a beauty queen”. E John falou: “Tenho lá minhas dúvidas quanto a isso”. Assim, a nossa principal tarefa era nos livrarmos da parte da rainha da beleza. Após muitas tentativas, surgiu uma solução.
Ao cantá-la hoje – e isso acontece com todas as canções dos Beatles que eu toco –, percebo que estou revisitando o trabalho de um rapaz de 18, 20 anos. E eu acho isso interessantíssimo, porque tem um quê de inocência – um ar ingênuo – que é impossível de inventar.
Falando nisso, Jerry Seinfeld fez uma bela sátira com esta letra. Fomos à Casa Branca, e Jerry disparou: “Paul, estive olhando o trecho: ‘She was just seventeen/ You know what I mean’. Não sei bem se nós sabemos o que você quer dizer, Paul!”.
O fato é que já tínhamos ouvido todas essas coisas – eu tinha uns 20 anos, e estávamos compondo esta canção na casa do meu pai, na Forthlin Road –, e continuamos: “She was just seventeen/ You know what I mean/ And the way she looked was way beyond compare”. Esse ritmo vem da versão de Stanley Holloway de “The Lion and Albert”. Esse poema cômico escrito por Marriott Edgar tem uma métrica semelhante.
Eu trazia na bagagem todas as melodias que eu tinha ouvido. As composições de Hoagy Carmichael, Harold Arlen, George Gershwin e Johnny Mercer. Eu ouvia isso tudo em minha infância e adolescência. Eu não tinha feito ainda muitas composições próprias, mas tinha absorvido isso tudo. E depois, no colégio, o meu professor de inglês, Alan Durband, me ensinou sobre o dístico rimado no final dos sonetos de Shakespeare. Não sei de onde veio “nada se compara”, mas pode ter saído do Soneto 18: “Devo comparar você a um dia de verão?”. Também pode ser que eu tenha ouvido, na infância, uma tradicional canção irlandesa em que a mulher é descrita como “sem comparação”.
Mas não é bem o que você esperaria no rock’n’roll. Não sei de onde eu a resgatei, mas na grande rede de arrasto da minha juventude, essa expressão simplesmente se emaranhou como um golfinho.

Paul McCartney, em As Letras – 1956 até o presente

Nenhum comentário:

Postar um comentário