sábado, 25 de abril de 2026

Auto-observação, autoanálise e autonomia

Estas são propriedades da alma racional: auto-observação, autoanálise e autonomia.
Goza dos frutos produzidos por si própria — diferente das plantas e dos animais, cujos produtos são desfrutados por outrem. Alcança o seu propósito particular, onde quer que o limite da sua vida seja estabelecido — diferente das danças, das peças ou das atividades semelhantes, que acabam incompletas quando encurtadas. Independentemente de em qual parte e de onde for interrompida, cumpre por completo o que lhe foi proposto, de modo que pode dizer: “Tenho o que é meu.”
Ademais, atravessa todo o universo e o vácuo circundante e examina a sua forma. Prolonga-se até a infinidade do tempo. Abraça e compreende a renovação periódica do mundo. Entende que os sucessores não encontrarão nada novo, assim como os antecessores não encontraram — quem tem quarenta anos, caso disponha de algum entendimento, observou a uniformidade prevalecente em tudo o que foi e tudo o que será.
Eis outras das suas propriedades: afeição pelos vizinhos, veracidade, modéstia e valorização suprema de si mesma — essa também é própria da lei, logo a razão correta não difere da justa.

Marco Aurélio, em Meditações

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