Agosto,
é de novo verão, e uma vez mais
bebo
o sol
e
os lírios espalham-se pelas águas.
Sei
agora que tudo o que desejam é tocar o próximo.
Há
muitos anos que não venho aqui,
tempo
esse em que continuei a viver a minha vida.
Como
a garça, que querendo cantar apenas crocita,
desejo
poder cantar.
Seria
apropriado um pequeno agradecimento nascido de toda a garganta.
É
assim que tem sido, é assim que é:
toda
a minha vida fui capaz de sentir felicidade,
exceptuando
o que não era feliz,
algo
que também recordo.
Cada
um de nós veste uma sombra.
Mas,
agora, é de novo verão
e
observo os lírios inclinando-se uns para os outros,
depois
deslizar no sentido do vento, empurrados pelo desejo,
perto,
tão perto uns dos outros.
Em
breve, voltarei o olhar, regressando a casa.
E,
quem sabe? Talvez vá cantando.
Mary Oliver, em Felicity (versão de Pedro Belo Clara)
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