quinta-feira, 26 de junho de 2025

For No One

 “For No One” foi composta nos Alpes austríacos, durante as filmagens de Help!, março de 1965


For No One
De Paul McCartney e John Lennon
Álbum: Revolver, 1966

Your day breaks
Your mind aches
You find that all her words of kindness linger on
When she no longer needs you

She wakes up
She makes up
She takes her time and doesn’t feel she has to hurry
She no longer needs you

And in her eyes you see nothing
No sign of love behind the tears cried for no one
A love that should have lasted years
You want her

You need her
And yet you don’t believe her when she says her love is dead
You think she needs you

And in her eyes you see nothing
No sign of love behind the tears cried for no one
A love that should have lasted years

You stay home
She goes out
She says that long ago she knew someone but now he’s gone
She doesn’t need him

Your day breaks
Your mind aches
There will be times when all the things she said will fill your head
You won’t forget her

And in her eyes you see nothing
No sign of love behind the tears cried for no one
A love that should have lasted years

Aqui o tema é a rejeição. O rompimento que marca o fim de uma relação que foi por água abaixo. Muitas canções exploram esse terreno bastante rico. Tendo sofrido isso na pele algumas vezes – como suponho que muita gente sofreu –, era uma emoção com a qual eu conseguia me relacionar, e parecia uma boa ideia colocá-la numa canção, pois era provável que muita gente também se identificasse com ela. Na canção, eu menciono duas pessoas que se separaram, mas claro, como qualquer escritor, tudo vem de minha própria experiência e, inevitavelmente, você acaba falando sobre si mesmo.
Temos dois versinhos curtos: “She wakes up/ She makes up”. Esses dois versos breves se alternam com outros mais longos: “She takes her time and doesn’t feel she has to hurry/ She no longer needs you”. Depois vem este: “And in her eyes you see nothing/ No sign of love...” Terminar um relacionamento é um momento horrível, e você olha para aquela pessoa – aquela pessoa por quem você estava apaixonado, ou pensava que estava apaixonado – e já não existe nem sinal daquele sentimento antigo. É como se o sentimento também tivesse acabado de ser desligado, e não é nada bom perceber isso.
Na época, você acha que qualquer caso de amor pode ou deve ou vai durar para sempre, a menos que seja um caso de uma só noite, como na canção de Dean Martin, “Wham, Bam, Thank You Ma’am”. Mas quando você está saindo com alguém, quando ela é sua namorada e você está com ela há um bom tempo, a coisa é bem diferente. Jane Asher e eu ficamos juntos por cerca de cinco anos, então no fundo da minha mente eu esperava me casar com ela. Mas, com o passar do tempo, acho que eu também percebi que algo não estava certo. Você não consegue identificar exatamente o que é, mas quando Linda apareceu, um tempo depois que Jane e eu terminamos, eu logo pensei: “Ah, sei lá, talvez isso seja mais certo”. Com o tempo, quando Linda e eu começamos a nos conhecer, eu senti: “Isso é mais eu; eu sou mais ela”. E tinha umas coisinhas com Jane em que simplesmente não combinávamos. Eu amava muitas coisas nela, e sempre vou admirar muitas coisas nela. Ela é uma mulher maravilhosa, mas umas pequenas peças do quebra-cabeça não se encaixavam direito.
Quando eu tenho sorte com essas canções, elas simplesmente surgem do nada. Não sou eu quem as compõe, são elas que chegam. Você ouve muitos compositores dizendo isso. Naquela manhã, eu estava meditando, pensando que o objetivo da meditação é tentar impedir que os pensamentos cheguem, porque seu cérebro é tão ativo que uma palavra se emenda em outra, e essa outra palavra faz você enveredar por uma trilha de pensamentos, e então você tem que se esforçar para reencontrar o caminho de volta. Você está sempre pensando, mesmo durante o sono, então sempre está ocorrendo algum tipo de atividade cerebral, e isso é muito útil quando você está começando a compor, porque basta se conectar a essa atividade e usá-la como abertura para a canção. Em geral o que me vem é a primeira estrofe, que estabelece um certo padrão de rima, um tipo de padrão rítmico. A segunda estrofe normalmente segue o padrão da primeira. É provável que a melodia seja a mesma, porque você está retornando à estrofe. O verso “Your day breaks” funciona em dois níveis: o seu dia irrompe ou o seu dia se rompe. E o verso “She makes up” também mostra ambiguidade, pode ser entendido como fazer a maquiagem ou se reconciliar após uma briga.
Acho que esta é uma das coisas legais da língua inglesa: você pode interpretar as coisas de múltiplas maneiras. Sempre sinto muita pena de quem está tentando aprender inglês, pelo fato de existirem tantas palavras ambíguas, mas para um compositor isso é uma vantagem. Você está compondo, a canção está se materializando e você só pega os pedacinhos de que gosta. E que pedaços são esses? É algo mágico e, às vezes, tem mais significados do que você pensa, mas o cosmos quer que você anote essas palavras porque elas vão explicar algo a alguém. Começando por nós mesmos.

Paul McCartney, em As Letras: 1956 até o presente

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