Quando
eu morrer, não soltem meu Cavalo
nas
pedras do meu Pasto incendiado:
fustiguem-lhe
seu Dorso alanceado,
com
a Espora de ouro, até matá-lo.
Um
dos meus filhos deve cavalgá-lo
numa
Sela de couro esverdeado,
que
arraste pelo Chão pedroso e pardo
chapas
de Cobre, sinos e badalos.
Assim,
com o Raio e o cobre percutido,
tropel
de cascos, sangue do Castanho,
talvez
se finja o som de Ouro fundido
que,
em vão — Sangue insensato e vagabundo —
tentei
forjar, no meu Cantar estranho,
à
tez da minha Fera e ao sol do Mundo!
Ariano Suassuna, em Seleta em prosa e verso
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