segunda-feira, 3 de junho de 2024

O passageiro clandestino

No porta-malas do meu automóvel
levo o anjo escondido…
Quando chegamos a um descampado,
ele sai lá de dentro, distende as asas, belo como a Vitória de Samotrácia…
e eu, então, nos seus ombros, dou uma longa volta, pelos céus da cidade,
porém temos logo de regressar a nossos antros de cimento
antes que a serenata dos sapos, mais uma vez,
venha cantar, à beira dos banhados,
à nossa modesta aventura de um domingo burguês.

Mário Quintana, in Antologia Poética

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