Voar
com asa ferida?
Abram
alas quando eu falo.
Que
mais foi que fiz na vida?
Fiz,
pequeno, quando o tempo
estava
todo do meu lado
e
o que se chama passado,
passatempo,
pesadelo,
só
me existia nos livros.
Fiz,
depois, dono de mim,
quando
tive que escolher
entre
um abismo, o começo,
e
essa história sem fim.
Asa
ferida, asa
ferida,
meu
espaço, meu herói.
A
asa arde. Voar, isso não dói.
Paulo Leminski, in Toda Poesia
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