Rua
do Areão, e vou submergindo
na
pirâmide fofa ardente, areia
cobrindo
olhos dedos pensamento e tudo.
Rua
dos Monjolos, e me desfaço milho
pilado
lancinante em água.
Rua
do Cascalho, arrastam meus despojos
feridos
sempremente. Rua Major Laje,
salvai,
parente velho, este menino
desintegrado.
Rua
do Matadouro, eu vi que sem remédio.
Rua
Marginal, é sempre ao lado ao longe o amor.
Ao
longe e sem passagem na Ladeira Estreita.
Rua
Tiradentes, aprende e cala a boca.
Travessa
da Fonte do Caixão, e tudo acaba?
Rua
da Piedade, Rua da Esperança,
Rua
da Água Santa, e ao úmido milagre
me
purifico, e vida.
Carlos Drummond de Andrade, in Boitempo – Esquecer para lembrar
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