No
início dos anos 1960, ambos tinham outros parceiros e uma produção
intensa. Vinicius de Moraes trabalhava com Tom Jobim, Baden Powell e
muitos jovens compositores, como Edu Lobo e Francis Hime, enquanto
Carlos Lyra (1936) vinha de uma bem-sucedida parceria com Ronaldo
Bôscoli e ainda com Nelson Lins e Barros e Geraldo Vandré. Mas,
quando Vinicius pensou em uma peça musical sobre o romance entre um
mendigo elegante e uma garota rica de dinheiro e pobre de amor, foi
Carlos Lyra que ele chamou para escreverem as 11 canções de Pobre
menina rica, entre elas alguns futuros clássicos da música
popular brasileira.
Com
sua melodia triste e pungente e os versos doloridos de saudade e
abandono, “Primavera” é um deles.
Pobre
menina rica não chegou a ser montado na época, mas rendeu um
disco lançado pela CBS em 1964. Um ano antes, Lyra e Nara Leão, com
Vinicius como narrador, apresentaram as novas músicas em formato de
recital, na boate Au Bon Gourmet.
No
disco, a primeira opção de Vinicius e Lyra para a protagonista era
a novata Elis Regina, mas Tom Jobim, então diretor musical e
arranjador, depois substituído por seu mestre Radamés Gnatalli,
preferiu a cantora carioca Dulce Nunes. Entre as 11 canções da
peça, estavam pelo menos mais dois futuros clássicos da dupla,
“Sabe você” e “Maria Moita”.
Só
em 1970, Pobre menina rica ganhou uma montagem teatral, mas na
Cidade do México, onde Lyra estava vivendo, com o texto traduzido
para o espanhol por Gabriel García Márquez. No Brasil, a primeira
montagem na íntegra aconteceu em 1991, dirigida por Aderbal Freire
Filho. Em 1983, o musical foi adaptado para o cinema por Miguel Faria
Jr., com o título de Para viver um grande amor e a estreante
Patrícia Pillar e Djavan vivendo o insólito par romântico, mas
fracassou nos cinemas. Restaram as lindas canções.
Em
1998, Tim Maia gravou uma emocionante versão de “Primavera” como
uma bossa nova temperada com soul.
Nelson Motta, in 101 canções que tocaram o Brasil

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