domingo, 15 de fevereiro de 2026

Capítulo 15 – O Despertar





Garota, acorde! Garota, volte para a sua luta! Garota, recupere o seu poder! Garota, comece a agir como se fosse a filha de um Rei e houvesse sempre uma coroa na sua cabeça. Mesmo doente, eu ainda era Dele! Mesmo morta, eu ainda era Dele. Você sabe quem eu sou?
SARAH JAKES ROBERTS

Todo mundo tem segredos. Todo mundo. Acho que a diferença é que ou morremos com eles e deixamos que nos devorem, ou os colocamos para fora, lutamos com eles (ou eles lutam conosco) até que… nos reconciliamos. Segredos são o que nos engole.
Sempre houve um segredo que era como o prego no caixão para mim… É uma memória que está fresca na minha mente, como se tivesse acontecido ontem, mas mesmo assim… está bem distante.
Duas semanas antes da formatura, acordei enjoada e ali eu já soube. Estava grávida do homem que namorava havia sete anos. Eu me lembro de tirar minhas fotos profissionais naquela semana e de ir assistir ao filme A Bela e a Fera no cinema e tudo o que pensava era: Estou grávida. Não sabia que diabos fazer a respeito daquilo. Era uma emoção muito mais forte que o medo. Foi como se todas as decisões irresponsáveis que tomei tivessem culminado naquilo. Desde que tinha iniciado minha vida sexual, o que aconteceu tarde, não sabia o que estava fazendo. Sim, você pode aprender a prevenir uma gravidez, mas… e a amar? Como ser regrada e responsável, estar no controle, estabelecer limites? Meu Deus, até mesmo garantir que teremos dinheiro para comprar camisinha ou pílula anticoncepcional? Sentia que o único compromisso inegociável que eu tinha era com a minha carreira, e ela sugava TODA a minha energia. Os demais aspectos da minha vida me sufocavam. E agora… estava grávida.
Lembro-me de ir a uma clínica perto da Juilliard. Fui bem cedinho e tive que cancelar a primeira consulta porque tinha comido. Voltei no dia seguinte. Lembro-me de entrar em várias salas. Uma para me cadastrar e pagar. Uma para fazer outro teste de gravidez. Outra para vestir a roupa cirúrgica. Cada sala parecia uma cena saída de um filme de Stanley Kubrick na qual você está muito perto da morte. Houve alguns médicos muito gentis que me colocaram na mesa cirúrgica, e então eu apaguei.
Acordei aterrorizada. Acordei como se tivesse sido atacada. A dor era enorme! Maior do que qualquer dor que já tinha sentido na vida. Eles tinham me avisado que eu poderia sentir dor, mas, cara… Existe “o que é dito”, “o que você ouviu” e como é de verdade, e aquela dor NÃO ERA o que pensei que seria. A sala de recuperação tinha um monte de poltronas reclináveis posicionadas em círculo. Havia almofadas enormes em cada poltrona para conter o sangramento da cirurgia. Cada uma delas era ocupada por uma mulher e havia pelo menos umas 12 dessas poltronas. Eles nos deram suco de maçã e biscoitos. Ao meu redor, mulheres vomitavam em baldes e gritavam ou gemiam de dor. Uma mulher gritava: “Eu não podia ficar com esse! Eu não podia! Já tenho cinco e não tenho dinheiro nenhum!” Outra garota, que parecia ter uns 15 anos, gritava: “MAMÃE!!!! MAMÃE!! Eu quero minha MAMÃE!!!” E quanto a mim? Eu só chorei… e vomitei… e chorei até que a dor passasse. Fui para casa e sangrei muito por duas semanas. Caí em uma depressão que mudou a minha vida.
Minha nossa, lembro-me de ligar para o meu namorado, gritando com ele: “Onde você está? Por que não está aqui?” Para ele, o que eu tinha feito fora errado, e mesmo assim a chance de que ele não desse apoio para o bebê ou para mim era enorme. Não havia recursos financeiros ou emocionais — nada. Mais uma vez, tive que contar com um milagre para passar por obstáculos imensos e impactantes. A vida sempre pediu que eu contasse com milagres. Meu namorado enfim foi para Nova York ficar comigo por um dia, e depois foi embora. Foi um lembrete perfeito de que, por mais que eu tivesse pensado que havia evoluído e me tornado uma mulher madura, ainda não tinha chegado lá. Não havia como escapar dos acidentes terríveis da vida que podem fazer você paralisar por completo.
Os grandes coágulos de sangue me lembravam o tempo todo de que eu acabara com uma vida, e eu definitivamente, sem dúvidas, sabia que era uma vida… que eu trocara pela minha. Tente lidar com o peso dessa merda!!!
Minha mãe teve o primeiro filho aos 15 anos, e eu queria que minha vida fosse diferente. Aquele bebê não se encaixava nos meus sonhos. E quem eu era sem eles? Quanto maior o sonho, mais rapidamente a vergonha daquela pequena Viola do terceiro ano desapareceria. Quanto maior o sonho, mais pessoas não me chamariam daqueles nomes dos quais eu fugia. Quanto maior o sonho… mais digna eu poderia ser.
Eu me sentia quase desesperada para explicar isso a Deus e receber seu perdão… para ser expurgada.
Tenho um amigo judeu ortodoxo moderno. Ele me contou que um de seus rabinos disse o seguinte: “É inútil procurar um sentido. Em vez disso, pergunte-se: O que aprendi com isso?”
O que aprendi com tudo isso? É impossível passar pela vida livre de cicatrizes. Impossível!! É como um ringue de boxe emocional, e você passa por um round, quatro rounds ou quarenta rounds, dependendo do seu oponente. E, caramba, se seu oponente for você mesmo… você passará por quarenta. Se for Deus, mal passará por um, porque Papai do Céu vai vencer você pelo cansaço! Ele muda de forma. Você acha que está lutando com ele, gritando, dando socos, implorando por ajuda. E então ele o deixa frente a frente com… VOCÊ mesmo.
Anton Tchekhov, o grande dramaturgo russo, disse uma vez: “Enquanto você ri histericamente, sua vida está desmoronando.” É a definição do que é viver.
Meu jantar de formatura, quando terminei o curso na Juilliard, foi alegre e animado. Cedric, um dos meus melhores amigos, que se formou também, se sentou comigo no chão do quarto dele e comemos pés de porco em conserva bebendo cerveja. Chupamos até a cartilagem, os ossos de porco ricos e gordurosos cheios de vinagre. Em voz alta, proclamamos aos risos que nunca contaríamos a ninguém sobre esse jantar. Tínhamos acabado! Vencido uma guerra artística, emocional e esmagadora de egos e almas.
Eu me formei na Juilliard. E vou dizer o seguinte. Eu fora uma criança pobre e agora era uma adulta pobre. Tinha um agente figurão e… nada aconteceu. Fazia testes, recebia ligações, e então outra pessoa conseguia o trabalho. Ou eu sequer chegava a fazer testes, porque era jovem demais, velha demais, retinta demais, pouco sexy. Enquanto isso, a vida continuava. Tinha aluguel para pagar. Conta de telefone, passagem de metrô, comida, empréstimos estudantis. Toda a dura realidade sobre a qual não havia pensado. Bem, eu havia, sim, mas não entendia o peso disso tudo. A essa altura, dividia um apartamento com seis outros estudantes da Juilliard, e eles também estavam penando. Por fim, um conseguiu muitos comerciais e uma novela. Outro foi chamado para um trabalho importante fora da faculdade, mas, quando acabou voltou a fazer testes. Um saiu de Nova York, e o outro ainda estava na faculdade.
Tive dois grandes momentos de epifania. O primeiro foi que estávamos vivendo a realidade dos artistas. A mentalidade dominante nas redes sociais é a de que você precisa ser uma mulher segura e empoderada. Tem que ligar para o seu agente e dizer a ELE quais papéis você quer ou, diabos, escrevê-los para si mesma. Imploro a jovens atores que não façam isso.
Os atores privilegiados são aqueles que falam e são ouvidos. Eles são entrevistados porque chegaram ao topo da carreira e seus depoimentos são o tempo todo compartilhados nas redes sociais. Nós os consumimos e, sem ter a possibilidade de observar a realidade do ramo da atuação, aceitamos essas informações como verdadeiras. Se você chegar ao auge quando jovem e receber um salário de seis dígitos: Você. É. Privilegiado. Isso não é uma crítica. Meu Deus, todo mundo adoraria viver essa rea­lidade. Mas a batalha é definida pela falta de escolhas, e o ator que faz o comercial de uma seguradora de carros para ter um plano de saúde tem tanta integridade quanto alguém que não aceita esse trabalho para esperar pelo papel que lhe trará um Oscar.
Uma atriz já me ligou eufórica porque o comercial dela foi selecionado e ela se qualificou para ter um plano de saúde básico para si e para toda a família. Ela tem dois filhos, um com problemas de saúde. A vida acontece enquanto sua carreira acontece. A vida é difícil. Percebi que minha felicidade não está atrelada apenas à satisfação artística, mas à satisfação com a vida. Eu devia 56 mil dólares em empréstimo estudantil. Meus miomas estavam crescendo. Eu sangrava por semanas a fio. Estava muito anêmica. Tive alopecia areata. Acordei e o cabelo do lado direito da minha cabeça tinha caído. Meu couro cabeludo estava liso como bumbum de bebê. A reação imediata seria ir ao médico. E eu teria ido, se tivesse plano de saúde. Eu ia a clínicas baratas, mas miomas, anemia e alopecia requeriam cuidado especializado. Tratamento com ginecologistas e dermatologistas. Levaria anos para eu ter dinheiro para pagar um plano de saúde.
Meu outro momento de epifania foi perceber o poder, a potência e a força vital provenientes da combinação tóxica entre colorismo e machismo. Quase todos os papéis para os quais fiz teste eram de mães que sofrem com dependência química. Fiz testes para alguns papéis em produções de baixo orçamento que pediam uma mulher negra, mas sempre descrita como tendo pele clara. Sempre! Outros testes eram para novelas; e eu me via sentada na sala de espera junto com modelos.
Comédias românticas negras estavam sendo produzidas. Havia programas incríveis na TV que mostravam a garota negra bonita que tinha autonomia e era rica. Mas nenhuma daquelas mulheres se parecia comigo. Um agente me disse qual era a palavra que todos os produtores de elenco usavam no telefone: “intercambiável”. Isso significava que, mesmo que você fosse um pouquinho retinta, precisava ter o corpo menos curvilíneo, traços mais clássicos (leia-se: mais brancos). E eu não era assim.
O que torna isso ainda pior é que esse tipo de declaração não era feito apenas por executivos brancos, mas também por artistas e produtores negros. Você começa a adotar a ideologia do “opressor”. Isso vira a chave para o sucesso. Culturalmente falando, muitos acreditam nessa ideologia e adotam a crença de que se você for negra, é mais feia, mais difícil, mais masculina e mais maternal do que suas colegas de pele clara. É a mentalidade racista do colorismo, a qual muitos ainda se recusam a reconhecer.
Na minha jornada para encontrar meu caminho, o melhor papel não era o maior objetivo. Ser garçonete para pagar as contas até que aquele papel incrível surgisse não era o objetivo. Eu precisava viver: esse era o objetivo. Isso foi antes dos serviços de streaming. Os estúdios não estavam produzindo grandes papéis para atores negros, pelo menos não para atores com o meu tom de pele. As probabilidades eram: um papel incrível, ou um bom cachê, ou um bom perfil, ou apenas um trabalho. Você não ganha destaque se não trabalhar.
Eis a verdade: se você pode escolher entre fazer um teste para um excelente papel e para um ruim, você é privilegiado. Isso significa não só que você tem um ótimo agente que pode lhe abrir portas, mas também que preenche os requisitos para ser considerado para o papel. Nossa profissão, a qualquer momento, tem uma taxa de 95% de desemprego. Apenas 1% dos atores ganha 50 mil dólares ou mais por ano, e apenas quatro em cada 10 mil são famosos, e nem vamos definir o que é fama aqui. Esses quatro entre os 10 mil são as histórias que chegam à mídia. Escolher papéis, largar agentes, ganhar bem menos do que colegas do sexo masculino. Nunca se arrepender dos papéis que aceitou. E por aí vai.
Quem tem escolhas tem recursos. E as necessidades de um ator de pouco mais de 20 anos não são as necessidades das outras pessoas. Plano de saúde, hipoteca e filhos não são a prioridade da maioria dos jovens de pouco mais de 20 anos. Mesmo assim, há pessoas que almejam ser atores e não sabem que não devem dar ouvidos aos depoimentos dos privilegiados. Daqueles que são extremamente talentosos, mas também extraordinariamente sortudos. A sorte é um monstro esquivo, que escolhe quando sair de sua caverna e atacar seu alvo. É um negócio de privação.
Para cada ator que alcança a fama, existem milhares que fizeram exatamente a mesma coisa e não conseguiram chegar lá. A maioria dos atores que conheci na Juilliard, na Rhode Island College, no Circle in the Square Theatre e na competição Arts Recognition Talent Search não está mais no ramo. Acho que posso citar seis que continuaram, e a maioria você não conheceria. Isso não tem a ver com o talento deles, é a natureza desse meio. Acredite em mim quando digo que a maioria era bonita e talentosa, e alguns tinham agentes incríveis. É um jogo de uni-duni-tê que envolve sorte, networking, destino, tempo de carreira e, às vezes, talento.
Você faz testes de acordo com o nível em que está. É difícil perceber em que momento sua jornada para o topo foi mais fácil, mas a verdade é que não há facilidade. Mesmo que você faça o que a pessoa sortuda fez, há 99% de chance de as coisas não darem certo para você. Apenas mais ou menos 4% dos atores filiados ao sindicato Screen Actors Guild and American Federation of Television and Radio Artists (SAG-AFTRA) ganham o suficiente para ter direito a um plano de saúde, e isso significa que precisam ganhar pelo menos 20 mil dólares por ano. Essa é a nossa realidade.Em nossa sociedade, há o pensamento muito difundido de não aceitar nada que esteja “abaixo” de você. Essa mentalidade é algo difícil de se manter nesse ramo. Aqui está uma pergunta melhor: você quer ser ator ou quer ser um ator famoso? Se quer ser famoso, como o grande Alan Arkin disse, terá dificuldades. Se quiser ser ator, dará um jeito. Tome cuidado com atores que dizem que vivem recusando trabalhos e nunca escolheram fazer uma temporada de teatro recebendo apenas 250 dólares por semana para se sentirem realizados. A fama é inebriante.
Aos 28 anos eu estava acordando para a realidade. Estava me conscientizando do que significava ser uma mulher adulta, cuidando de mim mesma, mas também explorando como era me sentir realizada no meu ofício. Eram coisas completamente opostas. Eu também era uma grande farsa em alguns aspectos. Por um lado, estava paralisada. Tinha muito medo de procurar pela cidade e acabar encontrando um trabalho “só para pagar as contas”. Tivera tantos trabalhos assim no passado, e a ideia de ter que equilibrar isso com os testes estava pesando demais. Além disso, como eu fazia testes para teatro, cinema e TV, precisava de espaço para ensaiar. Passei anos me preparando no ônibus, no metrô e em pórticos de entrada de prédios. Eu precisava de espaço apenas para me concentrar no trabalho. Naquele primeiro ano, tudo era difícil e claustrofóbico. Tive momentos não de fome propriamente dita, mas de dificuldades. Era a realidade de ser uma atriz profissional.
Meu aluguel custava apenas 250 dólares, e às vezes era difícil conseguir até mesmo esse dinheiro. Mas eu queria ser excelente no que fazia, apesar de não saber como pagaria as contas. E por falar nelas, eu usava muito o telefone, gastava centenas de dólares e tinha contas altíssimas. Isso foi antes do celular, quando era necessário pagar por ligações de longa distância. Comia asinhas de frango todos os dias. Três xícaras de arroz branco no restaurante chinês custavam um dólar e vinte centavos. Metade disso custava sessenta centavos. As asinhas de frango custavam três dólares, e eu as comprava quando podia. Do contrário, minha proteína era arenque seco, salgado e defumado, que eu comprava nos mercados espanhóis. Dormia em um futon no chão do quarto que dividia com minha amiga Pilar. Toda a minha vida tinha sido de dificuldade e sobrevivência. Eu me sustentava desde os 17 anos. O fato de ser difícil, uma merda, não era novidade, mas o maior problema era conseguir manter a esperança e continuar acreditando em mim. Depois, encontrar uma comunidade artística que me apoiasse, enquanto eu lutava com todas as forças para sobreviver. Atuar era uma escolha, talvez uma escolha masoquista.
Meu primeiro trabalho quando saí da faculdade foi como atriz substituta de Danitra Vance, que interpretava a personagem Marisol em uma peça de José Rivera no Public Theater, fundado por Joseph Papp. Danitra foi a primeira mulher negra no Saturday Night Live e criou uma esquete famosa chamada “That Black Girl”. Era uma paródia do programa de Marlo Thomas nos anos 1970, That Girl. Danitra era extraordinária. Ela escrevia, cantava, atuava. Quando cheguei para ser sua substituta, ela tratava um câncer de mama em metástase.
Danitra ia à quimioterapia durante o dia e à noite fazia o espetáculo. Os tumores haviam se espalhado para a coluna. Eu não sabia disso até conversarmos um dia no camarim, e ela tirou a blusa. Foi a primeira vez que vi uma cicatriz de mastectomia.
Eu ganhava 250 dólares por semana e adorava. Nunca atuei ao longo das quatro ou cinco semanas em que trabalhei, mas tive uma conexão com Danitra. Lembro-me de ajudá-la a se mudar e de ouvir suas histórias. Eu adorava ouvir histórias. Quando soube que ela estava morrendo, liguei para ela e sua voz estava muito fraca.
Como você está? — perguntou ela.
Estou bem — respondi.
Eu ia reclamar sobre conseguir papéis e manter um fluxo de trabalho estável, mas tudo parecia irrelevante naquele momento.
Como você está? — perguntei.
Com raiva.
Silêncio.
Do que você está com raiva, Danitra? Eu só queria que ela falasse. A voz dela estava muito fraca e rouca. O câncer havia se espalhado e não havia nada que os médicos pudessem fazer. Ela estava morrendo.
Estou com raiva disso. Estou com raiva de estar morrendo.
Danitra, eu sinto muito.
Eu sei. Eu te amo. Estou cansada. Preciso desligar.
Um amigo em comum, Tommy Hollis, me contou uma história sobre Danitra. Ele disse que assistiu a uma performance dela chamada “The Feminist Stripper”. Elasubia no palco e começava a se despir. Havia música tocando, e ela fazia piadas enquanto tirava a roupa. Todo mundo rolava no chão de tanto rir e a aplaudia. Ela chegava às roupas de baixo e ficava de costas para a plateia, provocante, antes de tirar o sutiã. Então se virava e revelava a cicatriz da mastectomia; um grande X feito de fita a cobria. A reação era de silêncio coletivo, uma quietude implacável no ambiente. Todos foram forçados a encarar a mulher que estava naquele corpo, e não apenas o corpo em si. Tommy contou que seu coração quis sair pela boca e que nunca esqueceria aquela experiência.Ela morreu mais ou menos dois meses depois. Suas últimas palavras foram: “Vão pra rua festejar.”
[...]

Viola Davis, in Em busca de mim

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