Terras
duras para o homem. Muito duras. Doze quilômetros do suor de alguém,
tirado da terra do Senhor, onde o mesmíssimo Senhor lhe disse para
mourejar. Em parte alguma deste mundo pecador um homem honesto,
trabalhador, pode tirar proveito. Os que lucram são os donos de
negócios da cidade, que não suam, que vivem do suor alheio. Não os
que trabalham duro, não os lavradores. Às vezes eu penso porque
continuamos insistindo. É porque há uma recompensa para nós no
alto, onde eles não podem levar seus automóveis e coisa que o
valha. Ali, todos os homens são iguais, e Deus tomará dos que têm
para dar aos que não têm.
Parece,
no entanto, que teremos de esperar muito por isso. Não é direito
que um homem obtenha recompensa por sua boa conduta depois de virar
pó e de enterrar seus mortos. Rodamos o resto do dia e chegamos, ao
cair da noite, na fazenda de Samson, e vemos, então, que a ponte
também desapareceu na enxurrada. Nunca se viu o rio tão cheio e a
chuva não parou de cair ainda. Os velhos daqui nunca viram coisa
semelhante, nem ouviram falar, que se lembrem. Sou o eleito do
Senhor, pois Ele castiga as pessoas a quem ama. Mas o diabo me leve
se Ele não escolheu maneiras estranhas de demonstrar amor.
Mas
agora posso mandar colocar os dentes. Será um conforto. Sem dúvida.
William Faulkner, em Enquanto Agonizo
Nenhum comentário:
Postar um comentário