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Dar a cada emoção uma personalidade,
a cada estado de alma uma alma.
Dobraram a curva do caminho e eram
muitas raparigas. Vinham cantando pela estrada, e o som das suas
vozes era felizes . Elas não sei o que seriam. Escutei-as um tempo
de longe, sem sentimento próprio. Uma amargura por elas sentiu-me no
coração.
Pelo futuro delas? Pela inconsciência
delas? Não diretamente por elas — ou, quem sabe? Talvez apenas por
mim.
Fernando Pessoa, em Livro do Desassossego
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