sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

A coisa mais bonita do mundo

Há no mundo uma bela meia dúzia de coisas bonitas. Filhote de tartaruga indo ao mar, cílios postiços bem colocados, pôr do sol cor de laranja, perfil com nariz honesto, noite clara no verão, terno de alfaiate.
Há dessas coisas que são boas de olhar, sem precisar de qualquer performance ou apetrecho. Coisas que bastam estar lá, que bastam ser.
Mas há uma coisa cuja beleza ainda me parece incomparável com todo o resto. Que fica em um patamar muito particular, inatingível por qualquer outra beleza que circule nas mesmas redondezas.
Não encontrei ainda coisa mais bonita que o orgulho que transborda de avós quando têm seus netos nos braços.
Não falo simplesmente da imagem de uma avó carregando um neto. Essa é bonita, mas bonita como tantas outras belezas. Falo de um tipo de aura que surge em torno delas quando se sabem observadas com seus netos.
Surge nelas algo de divino, de elevado, como se seus rostos se enchessem de uma luz invisível e seus peitos fossem inflados por um ar mais leve do que este que respiramos.
Surge algo que não há em nenhuma outra relação e que, inclusive, não havia nelas mesmas enquanto mães. Algo em que a gente bate os olhos, vê, sente e sabe.
Não, ainda não achei nada mais bonito do que essa involuntária manifestação não sei se de amor, não sei se de ego, não sei se de orgulho ou de vaidade. No fim, pouco importa. A coisa mais bonita do mundo não tem que se explicar.

Ruth Manus, in Pega lá uma chave de fenda: e outras divagações sobre o amor

Nenhum comentário:

Postar um comentário