Há no mundo uma bela meia dúzia de
coisas bonitas. Filhote de tartaruga indo ao mar, cílios postiços
bem colocados, pôr do sol cor de laranja, perfil com nariz honesto,
noite clara no verão, terno de alfaiate.
Há dessas coisas que são boas de olhar,
sem precisar de qualquer performance ou apetrecho. Coisas que bastam
estar lá, que bastam ser.
Mas há uma coisa cuja beleza ainda me
parece incomparável com todo o resto. Que fica em um patamar muito
particular, inatingível por qualquer outra beleza que circule nas
mesmas redondezas.
Não encontrei ainda coisa mais bonita
que o orgulho que transborda de avós quando têm seus netos nos
braços.
Não falo simplesmente da imagem de uma
avó carregando um neto. Essa é bonita, mas bonita como tantas
outras belezas. Falo de um tipo de aura que surge em torno delas
quando se sabem observadas com seus netos.
Surge nelas algo de divino, de elevado,
como se seus rostos se enchessem de uma luz invisível e seus peitos
fossem inflados por um ar mais leve do que este que respiramos.
Surge algo que não há em nenhuma outra
relação e que, inclusive, não havia nelas mesmas enquanto mães.
Algo em que a gente bate os olhos, vê, sente e sabe.
Não, ainda não achei nada mais bonito
do que essa involuntária manifestação não sei se de amor, não
sei se de ego, não sei se de orgulho ou de vaidade. No fim, pouco
importa. A coisa mais bonita do mundo não tem que se explicar.
Ruth Manus, in Pega lá uma chave de fenda: e outras divagações sobre o amor
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