I Don’t Know – Paul
McCartney
I got crows at my window
Dogs at my door
I don’t think I can take any more
What am I doing wrong?
I don’t know
My brother told me
Life’s not a pain
That was right when it started to
rain
Where am I going wrong?
I don’t know
But it’s alright, sleep tight
I will take the strain
You’re fine, love of mine
You will feel no pain
Well I see trouble
At every turn
I’ve got so many lessons to learn
What am I doing wrong?
I don’t know
Now what’s the matter with me?
Am I right, am I wrong?
Now I’ve started to see
I must try to be strong
I tried to love you
Best as I can
But you know that I’m only a man
Why am I going wrong?
I don’t know
But it’s alright, sleep tight
I will take the strain
You’re fine, little love of mine
You will feel no pain
I got crows at my window
Dogs at my door
But I don’t think I can take any
more
What am I doing wrong?
I don’t know
Now what’s the matter with me?
I don’t know, I don’t know
What’s the matter with me?
I don’t know, I don’t know
What’s the matter with me?
I don’t know, I don’t know
Ser pai ou mãe é um negócio
interessante. Fazemos nenéns pela pura alegria de trazer uma
criaturinha ao mundo e tudo o que vem com ela. Mas, às vezes, a
gente se esquece de que um dia elas vão crescer. Conheço gente que
diz: “Ah, eu não gosto delas quando são nenéns. Gosto delas
quando ficam um pouco mais velhas”. Não concordo. Eu gosto delas
quando são nenéns, mas digamos que vai ficando mais interessante à
medida que crescem, porque entram na conversa outras coisas além de
“gu-gu-dá-dá” e “mamã”. Aos poucos, o vocabulário vai se
expandindo. Às vezes, é “desafiador”, como se diz, e esse foi
um desses momentos.
Andei uns dias um pouco frenético com
o que estava acontecendo em casa – o tipo de coisa que acontece com
todos nós. É por isso que a canção começa assim: “I got
crows at my window/ Dogs at my door”; porque era assim que eu
estava me sentindo, com corvos na minha janela e cachorros na minha
porta, e meio que transbordou, como quem diz: “Nossa, estou tão
mal, preciso desabafar”. Assim que a terminei, senti como se
estivesse saindo de uma sessão de terapia.
Não é sempre que eu me sinto tão
deprimido, mas, nessa ocasião, eu parecia estar carregando um
verdadeiro fardo. Após uma ou duas estrofes gemendo comigo mesmo,
tendo a chuva como símbolo de tristeza, então penso: “Qual é o
outro lado disso? Não vai dar certo ou ainda posso encontrar um
consolo?”. Imagino que, na condição de pai, eu queria dizer:
“Está tudo bem, vai dar certo, não se preocupe”. Em seguida,
temos esta seção de ponte: “But it’s alright, sleep tight/ I
will take the strain/ You’re fine, love of mine/ You will feel no
pain”.
Portanto, isso define a ideia básica.
Estou falando sobre os meus problemas, como eu faria numa canção de
blues. “Well I see trouble/ At every turn/ I’ve got so many
lessons to learn”. Quando você está triste, está triste. Se
eu vou cantar uma música sobre tristeza, levando em conta os meus
gostos musicais ao longo dos anos, a coisa tende a se inclinar para o
blues, a forma que serviu de base ao rock’n’roll. É uma sensação
boa cantar naqueles termos. É uma sensação boa incorporar a
tristeza em vez de só dizer: “Tô muito triste hoje”.
Em muitos aspectos, a poesia e a
música têm a ver com isso – a capacidade de projetar ou mostrar
algo por meio da própria arte, de elevar todos esses tipos de
emoções a um nível mais alto, exatamente como um bom professor de
redação às vezes pede a você para “mostrar” em vez de apenas
“contar”.
Esta é uma canção que ainda não
tocamos em shows, porque é um pouco complicada, e eu ando na linha
tênue entre fazer música que é muito simples – rock’n’roll
com três, quatro acordes, no máximo, muito minimalista – ou a
música da época do meu pai, por causa das melodias e das harmonias
e da sagacidade dessas canções. Eu penso nos grandes compositores
dos sucessos da época de papai, como Harold Arlen, Cole Porter, os
Gershwin, todos egressos dessa tradição. Nessa época, a Broadway
estava no auge, e Hollywood estava no auge, então esse pessoal que
se tornou adepto de inventar pequenas rimas inteligentes transformou
isso numa grande tradição estadunidense.
Sempre me interessei muito por esse
período, a época que talvez tenha durado até pouco depois de eu
nascer, quando havia um piano em cada casa, quando existia, em muitos
lares, a tradição generalizada de compor pequenas cantigas para o
aniversário de alguém. Todo mundo se arriscava como compositor. Por
isso, às vezes, eu me afasto dos três ou quatro acordes e tento
explorar outras formações.
“I Don’t Know” é uma daquelas
canções em que eu acabo saindo de minha zona de conforto. Não se
restringe a Dó, Fá, Sol. Também tem Lá bemol e Mi bemol. Tem um
pouco mais de colorido. Se tem uma coisa de que eu gosto é tentar
coisas diferentes e experimentar.
Costumo dizer que compor uma canção
é como falar com um psicoterapeuta, e esta canção é exatamente
isso. Sou eu expondo meus problemas e pensamentos e me perguntando o
que é que estou fazendo de errado. Mas a resposta é: “Não sei”.
Paul McCartney, em As Letras: 1956 até o presente

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