sábado, 17 de janeiro de 2026

Honey Pie | Paul McCartney e John Lennon


Honey Pie
De Paul McCartney e John Lennon
Lançamento: The Beatles, 1968

She was a working girl
North of England way
Now she’s hit the big time in the USA
And if she could only hear me
This is what I’d say

Honey Pie, you are making me crazy
I’m in love but I’m lazy
So won’t you please come home?
Oh Honey Pie, my position is tragic
Come and show me the magic
Of your Hollywood song

You became a legend of the silver screen
And now the thought of meeting you
Makes me weak in the knee

Oh Honey Pie, you are driving me frantic
Sail across the Atlantic
To be where you belong
Honey Pie, come back to me

Will the wind that blew
Her boat across the sea
Kindly send her sailing back to me?

Now Honey Pie, you are making me crazy
I’m in love but I’m lazy
So won’t you please come home?
Come, come back to me, Honey Pie

Honey Pie
Honey Pie

Não sabe cantar. Não sabe atuar. Ficando careca. Sabe dançar um pouquinho.” Sempre gostei dessa citação de quando Fred Astaire fez o teste de ator. Fred é uma espécie de inspiração para mim e, às vezes, quando estou cantando, finjo que sou ele para conseguir aquela “vozinha”. Isso me ajuda a chegar a um lugar bem particular. Às vezes encarno Fats Waller, e isso me ajuda a chegar a outro lugar.
Com certeza absoluta pensei em Fred e em toda a indústria do cinema quando eu estava compondo “Honey Pie”. Eu me apaixonei não só por Fred, mas por todos aqueles outros maravilhosos cantores que ouvi na minha infância. Por exemplo, ainda me lembro de estar na cozinha na Forthlin Road e ouvir “When I Fall in Love”, de Nat King Cole. Naquela hora estendi o braço para pegar o frasco de molho HP e fiquei pensando: “Meu Deus, isso é bom”.
Se eu tivesse que escolher alguém, eu ficaria muito feliz em ser considerado um canalizador de Nat King Cole, Fats ou Fred. Não acho que alguém possa negar a ideia de ser um médium. Sem sombra de dúvida, “Yesterday” me veio num sonho, então tenho certeza que canalizei muitas outras canções.
Honey Pie”, nesse sentido, é um retorno aos anos 1930 ou mesmo aos anos 1920, a era das “melindrosas” e de Hollywood (“You became a legend of the silver screen”). Como sempre, foi muito divertido usar efeitos sonoros. Os engenheiros usaram muita tecnologia de equalização para ajustar as frequências, o que dá essa pequena sensação de megafone soprano.
Às vezes, o pessoal tem a ideia de que, no final dos anos 1960, o foco no trabalho em estúdio começou a cobrar seu custo, impedindo os Beatles de fazer shows. É exatamente o contrário. As apresentações ao vivo estavam nos afastando das gravações. Quando estávamos no estúdio, éramos quatro artistas, além de George Martin e um engenheiro. Aliás, seis artistas fazendo algo de modo diligente e meticuloso, se divertindo muito e com muita liberdade artística. Na estrada, era diametralmente o oposto. Éramos enfiados num carro ou quarto de hotel, sufocados num elevador ou presos no meio da multidão ensandecida.
O catalisador para a mudança de tocar ao vivo para focar no estúdio foi a nossa experiência no Candlestick Park, em São Francisco, quando todos nós ficamos completamente fartos. Normalmente era eu que fazia o contraponto otimista: “Não se preocupem, rapazes. Vai se dissipar. Vamos dar um jeito”. Mas, no final, acabei concordando com os outros três e me irritando como eles. Fomos enfiados num desses caminhões-baú de transportar carne e deslizamos como gado num vagão de carga enquanto éramos retirados do Candlestick Park. Essa foi a gota d’água. Foi o nosso último show.

Paul McCartney, em As Letras: 1956 até o presente

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