Honey Pie
De Paul McCartney e John Lennon
Lançamento: The Beatles, 1968
She was a working girl
North of England way
Now she’s hit the big time in the
USA
And if she could only hear me
This is what I’d say
Honey Pie, you are making me crazy
I’m in love but I’m lazy
So won’t you please come home?
Oh Honey Pie, my position is tragic
Come and show me the magic
Of your Hollywood song
You became a legend of the silver
screen
And now the thought of meeting you
Makes me weak in the knee
Oh Honey Pie, you are driving me
frantic
Sail across the Atlantic
To be where you belong
Honey Pie, come back to me
Will the wind that blew
Her boat across the sea
Kindly send her sailing back to me?
Now Honey Pie, you are making me
crazy
I’m in love but I’m lazy
So won’t you please come home?
Come, come back to me, Honey Pie
Honey Pie
Honey Pie
“Não sabe cantar. Não sabe atuar.
Ficando careca. Sabe dançar um pouquinho.” Sempre gostei dessa
citação de quando Fred Astaire fez o teste de ator. Fred é uma
espécie de inspiração para mim e, às vezes, quando estou
cantando, finjo que sou ele para conseguir aquela “vozinha”. Isso
me ajuda a chegar a um lugar bem particular. Às vezes encarno Fats
Waller, e isso me ajuda a chegar a outro lugar.
Com certeza absoluta pensei em Fred e
em toda a indústria do cinema quando eu estava compondo “Honey
Pie”. Eu me apaixonei não só por Fred, mas por todos aqueles
outros maravilhosos cantores que ouvi na minha infância. Por
exemplo, ainda me lembro de estar na cozinha na Forthlin Road e ouvir
“When I Fall in Love”, de Nat King Cole. Naquela hora estendi o
braço para pegar o frasco de molho HP e fiquei pensando: “Meu
Deus, isso é bom”.
Se eu tivesse que escolher alguém, eu
ficaria muito feliz em ser considerado um canalizador de Nat King
Cole, Fats ou Fred. Não acho que alguém possa negar a ideia de ser
um médium. Sem sombra de dúvida, “Yesterday” me veio num sonho,
então tenho certeza que canalizei muitas outras canções.
“Honey Pie”, nesse sentido, é um
retorno aos anos 1930 ou mesmo aos anos 1920, a era das “melindrosas”
e de Hollywood (“You became a legend of the silver screen”).
Como sempre, foi muito divertido usar efeitos sonoros. Os engenheiros
usaram muita tecnologia de equalização para ajustar as frequências,
o que dá essa pequena sensação de megafone soprano.
Às vezes, o pessoal tem a ideia de
que, no final dos anos 1960, o foco no trabalho em estúdio começou
a cobrar seu custo, impedindo os Beatles de fazer shows. É
exatamente o contrário. As apresentações ao vivo estavam nos
afastando das gravações. Quando estávamos no estúdio, éramos
quatro artistas, além de George Martin e um engenheiro. Aliás, seis
artistas fazendo algo de modo diligente e meticuloso, se divertindo
muito e com muita liberdade artística. Na estrada, era
diametralmente o oposto. Éramos enfiados num carro ou quarto de
hotel, sufocados num elevador ou presos no meio da multidão
ensandecida.
O catalisador para a mudança de tocar
ao vivo para focar no estúdio foi a nossa experiência no
Candlestick Park, em São Francisco, quando todos nós ficamos
completamente fartos. Normalmente era eu que fazia o contraponto
otimista: “Não se preocupem, rapazes. Vai se dissipar. Vamos dar
um jeito”. Mas, no final, acabei concordando com os outros três e
me irritando como eles. Fomos enfiados num desses caminhões-baú de
transportar carne e deslizamos como gado num vagão de carga enquanto
éramos retirados do Candlestick Park. Essa foi a gota d’água. Foi
o nosso último show.
Paul McCartney, em As Letras: 1956 até o presente

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