sábado, 17 de janeiro de 2026

| 2 | Nascimento



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Com a chegada da crise, acrescentava, sua intensidade e universalidade “hão de enfiar a dialética até mesmo na cabeça dos parasitas afortunados do novo Sacro Império teutoprussiano”.
Vã esperança: quase um século e meio depois, o uso da dialética por Marx no Capital permanece uma questão de acalorada disputa. O método deriva dos primeiros estudos que fez sobre Hegel, sintetizando muitas formas dialéticas anteriores – dos paradoxos de Zenão à crítica kantiana – em algo que pode ser mais bem resumido como um processo autogênico de razão. Hegel denominava-o “a compressão de opostos em uma unidade ou do positivo no negativo”, uma busca de contradições e sua incorporação em ideias novas e mais completas. Cada idéia é produto de uma fase sua menos desenvolvida e contém em si o germe de uma noção mais avançada.
A relevância desse aspecto para a própria concepção de progresso econômico de Marx é suficientemente clara, embora Hegel, mais idealista que materialista, certamente teria protestado contra a inversão de seu método. Para ele, o mundo real não passa de uma expressão da “Ideia”, enquanto para Marx a ideia é o mundo material refletido e traduzido na mente humana sob a forma de pensamento. “A dialética de Hegel é a base de todas as demais dialéticas”, escreve Marx, “mas somente após ter sido desnudada de sua forma mistificada, e isso é precisamente o que distingue meu método.” No posfácio de 1873, ele lembra que criticou o lado mistificador da dialética de Hegel quase 30 anos antes, no momento em que ela ainda estava na moda.

Quando eu elaborava o primeiro volume do Capital, epígonos aborrecidos, arrogantes e medíocres, que agora pontificam na Alemanha culta, se permitiam tratar Hegel … como “um cachorro morto”. Por isso, confessei-me abertamente discípulo desse grande pensador e, no capítulo sobre o valor, até andei namorando aqui e acolá os seus modos peculiares de expressão.

No entanto, como Marx sabia, esses flertes dialéticos tinham um valor de uso suplementar. Depois de escrever um artigo sobre a revolta indiana de 1857, sugerindo que a Inglaterra começaria sua retirada assim que se iniciasse a estação das chuvas, confessou a Engels: “É possível que eu faça papel de bobo, mas, nesse caso, sempre há a possibilidade de se safar com um pouco de dialética. Verbalizei, é claro, minha proposição de tal modo a ter sempre razão.” Aplicada dessa forma, a dialética significa jamais ter de admitir os próprios erros.
Mesmo a profecia de aparência mais inequívoca do Capital – a iminente extinção do capitalismo – pode, portanto, frustrar o fervor crítico daqueles que a procuram falsear. Na conclusão do primeiro tomo, Marx afirma que a competição entre capitalistas concentra a produção em unidades cada vez maiores, que intensificam a opressão e a exploração do trabalho, “mas que aumentam também a revolta da classe trabalhadora, sempre numerosa, disciplinada, unida e organizada pelo próprio mecanismo do processo de produção capitalista…. Soa a hora final da propriedade capitalista”.
Muitos leitores deduzem daí que para Marx o capitalismo já se encontrava no leito de morte – uma inferência razoável, dado o júbilo apocalíptico com que saudava cada nova crise financeira. (“Em minha visão, as atuais circunstâncias deverão em breve levar a um terremoto.”) Contudo, seria surpreendente que logo Marx, entre todas as pessoas, fizesse tal suposição. Seu próprio relato histórico das várias formas de produção econômica – comunismo primitivo, modo de produção antigo, feudal, capitalista – ressalta que cada período durou vários séculos, às vezes milênios, antes de se render ao sucessor. E Marx reconhece que o capitalismo burguês é muito mais dinâmico e poderoso que qualquer modo de produção anterior. Como escreveu no Manifesto Comunista, “criou maravilhas que superam de longe as pirâmides do Egito, os aquedutos romanos, as catedrais góticas; realizou expedições que deixaram na sombra as antigas invasões e as cruzadas”. Como, então, poderia ele acreditar que esse impressionante poder fracassaria depois de apenas um ou dois séculos?
Talvez não acreditasse. O primeiro volume do Capital pode ter soado como o dobre fúnebre do capitalismo, mas no capítulo final do segundo volume uma “apresentação esquemática” de cálculos hipotéticos fornece o modelo de uma economia capitalista que cresce a passos firmes, sem crises recorrentes, e que poderia, em tese, se reproduzir indefinidamente. Embora Marx anseie pelo colapso do capitalismo e pelo fim da exploração – desejo que ocasionalmente irrompe em profecias de destruição –, a força de sua retórica é qualificada e matizada quando se estuda seu trabalho como um todo. Com frequência se faz um retrato determinista e mecanicista de Marx, que veria o mundo em termos de leis sólidas e consequências inevitáveis; esta, porém, é uma caricatura. Na verdade ele argumenta no Manifesto Comunista que a queda da burguesia e a vitória do proletariado “são igualmente inevitáveis”; contudo, no livro O 18 Brumário de Luís Bonaparte, de 1852, acrescentou: “Os homens fazem sua própria história, mas não como querem; não a constroem sob circunstâncias de sua escolha, e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado.”
O primeiro prefácio escrito para O Capital promete delinear as “leis naturais da produção capitalista … que atuam e se impõem com necessidade férrea”. No entanto, como ex-estudante de direito, Marx sabia que a mera existência de uma lei contra roubo, digamos, não significa que todos os roubos irão cessar. Isso é particularmente evidente em relação a uma de suas mais controversas formulações, a chamada lei da queda tendencial da taxa de lucro.
A ideia de que a taxa de lucro cairia à medida que a economia se desenvolvesse era comum a todos os economistas clássicos, inclusive Adam Smith e David Ricardo, embora eles discordassem a respeito dos motivos que levariam a isso. Smith atribuía a queda a um declínio das oportunidades vantajosas; Ricardo pensava que uma provisão finita de terras levaria ao aumento dos aluguéis, o que reduziria as margens de lucro. Na interpretação de Marx – delineada no terceiro tomo do Capital –, a competição entre os fabricantes iria obrigá-los a investir mais em “capital constante” (instalações e maquinaria) e proporcionalmente menos em “capital variável” (salários). Se, como acreditava, o trabalho humano é a origem do valor de troca, então a taxa de lucro – se não seu valor verdadeiro – deve cair. Com isso “está provado, a partir da essência do modo de produção capitalista, como uma necessidade óbvia, que, em seu progresso, a taxa média geral de mais-valia deve se expressar em uma taxa geral de lucro em queda”.
Houve muitos ataques a essa corajosa e pouco comprovada afirmação, e Marx parecia esperar por eles. Logo no capítulo seguinte a essa argumentação, busca encontrar as razões para que na prática a taxa de lucro não tenha caído segundo as exigências de sua teoria. Uma delas é o comércio exterior: importações com baixos custos de produção permitem crescentes margens de lucro. Há também a já mencionada questão do exército industrial de reserva: o incremento da produtividade aumenta o número de trabalhadores e força a queda dos salários, o que desacelera a tendência de substituição do trabalho humano por maquinaria cara. Em resumo, há “influências em jogo que se contrariam, que cruzam e superam os efeitos da lei geral, dando-lhe apenas o caráter de tendência”. De fato, “as mesmas causas que implicam a queda da taxa geral de lucro provocam efeitos contrários, que inibem, retardam e em parte paralisam essa queda”. Uma vez mais tem-se a impressão de que Marx reformula sua proposição de modo a estar sempre com a razão.

Semelhantes modificações podem ser encontradas em sua discussão acerca das mencionadas crises endêmicas de superprodução (ou, vistas de outra perspectiva, de subconsumo). A primeira consequência de uma recessão, quando ela chega, é a queda brutal dos preços e a depreciação do capital. Mas isso restaura a taxa de lucro e permite que o investimento e o crescimento sejam retomados. Ou, como Marx escreve:

A paralisação da produção prepara o terreno para uma posterior ampliação da produção dentro dos limites capitalistas. E assim o ciclo seria novamente percorrido. Parte do capital que foi desvalorizada pela paralisação funcional recobraria seu antigo valor. Além disso, com as condições de produção ampliadas, um mercado ampliado e a força produtiva mais elevada, o mesmo círculo vicioso se perpetua.

Não se poderiam, portanto, considerar aqueles tremores periódicos um mecanismo de autocorreção que assegura a sobrevivência perpétua do sistema mais do que precipita sua queda? Nas palavras de Leon Trotski, “o capitalismo vive de crises e expansões, assim como um ser humano vive da inspiração e expiração”.
Em parte alguma do Capital Marx explica por que ou como – muito menos quando – o sistema afinal se autodestruirá. Ele simplesmente expõe sua convicção: cada novo abalo econômico leva a uma concentração maior de capital, e esse monopólio se transforma em um entrave ao modo de produção até que a “centralização dos meios de produção e a socialização do trabalho atinjam um ponto em que se tornam incompatíveis com seu invólucro capitalista, e este arrebenta. Os expropriadores são expropriados”. Com essa alegre perspectiva termina o primeiro (e o único completo) volume do Capital.
Bem, quase. Após a retumbante conclusão, Marx decide acrescentar um arremate irônico sob a forma de um capítulo a respeito da “teoria moderna da colonização”, concebido para mostrar o que acontece quando os trabalhadores assalariados se libertam de seus grilhões. Em países como a Inglaterra, o regime capitalista subordinou tão completamente a si os recursos da nação que os economistas viam-no como uma parte da ordem natural. Marx observa, no entanto, que as “coisas são bem diferentes nas colônias”, onde o possuidor de dinheiro encontra a barreira dos colonizadores da classe trabalhadora, que usam o trabalho para enriquecer a si próprios, e não ao capitalista. (“É algo maravilhoso”, escreveu Engels a Marx em setembro de 1851, acompanhando a descoberta de ouro no sul da Austrália. “A Inglaterra será expulsa, e os ‘Estados unidos’ de assassinos, ladrões, estupradores e batedores de carteiras deportados surpreenderão o mundo ao demonstrar os prodígios que um Estado constituído por notórios velhacos pode realizar.”)
A anedota decisiva desse capítulo final é o relato tragicômico de um certo sr. Peel, que leva consigo da Inglaterra para o distrito de Swan River, na Austrália ocidental, 50 mil libras esterlinas em espécie e três mil trabalhadores, entre homens, mulheres e crianças. O personagem negligencia apenas uma coisa: a necessidade de manter os trabalhadores afastados dos meios de produção. Ao encontrarem terra livre e disponível na região erma, eles abandonam o empregador e deixam-no sem nenhum criado para fazer sua cama ou para buscar-lhe água no rio. “Pobre sr. Peel”, escreve Marx, “que previu tudo, menos a exportação das relações inglesas de produção para Swan River!”
Marx encontrou a história de Peel no livro do empresário Edward Gibbon Wakefield, que a cita como exemplo das terríveis consequências da colonização espontânea e desordenada. No assentamento de Swan River, queixa-se Wakefield, “um grande capital em sementes, gado e instrumentos pereceu por falta de trabalhadores assalariados, e nenhum povoador possui muito mais capital além daquele que pode empregar com as próprias mãos”. Também no norte dos Estados Unidos “é duvidoso se um décimo da população pertence à categoria dos trabalhadores assalariados”. Tendo oportunidade, os trabalhadores deixam de ser assalariados e se tornam produtores independentes – talvez até “concorrentes de seus antigos patrões no próprio mercado de trabalho assalariado”. Para remediar esse conflito de interesses, Wakefield defende uma “colonização sistemática”, que assegure o suprimento de trabalhadores submissos e dependentes, que, em condição e função, não se diferenciam muito de escravos. Isso poderia ser alcançado com facilidade pelo estabelecimento de preços artificialmente elevados para o solo virgem, colocando-o além do alcance dos assalariados comuns e compelindo-os a trabalhar para o pobre sr. Peel.
Pode-se compreender por que Marx se deliciava tanto com essa franca confissão das exigências do capitalismo.

O grande mérito de E.G. Wakefield não é ter descoberto algo sobre as colônias, mas a verdade sobre as condições capitalistas da metrópole, … isto é, que os modos de produção e acumulação capitalista, da mesma forma que suas propriedades privadas, têm sua base fundamental na aniquilação da propriedade privada que reside no trabalho individual; em outras palavras, a expropriação do trabalhador.

O fato de Marx ter escolhido essa sentença para concluir seu livro nos diz muito a respeito de suas intenções autorais. Se terminasse com invólucros que arrebentavam e expropriadores expropriados, O Capital poderia ser tomado, em essência, como uma obra profética sobre a inevitável ruína do capitalismo. Em vez disso, ele se volta outra vez para as vítimas, mais que para os opressores, e reitera o tema dominante: seja qual for seu destino, dure um século ou um milênio, o capitalismo depende da exploração.
Voltamos a nosso ponto de partida, a um inferno terrestre que se assemelha à versão secular do Inferno de Dante. “Que te interessa o que aqui se murmura?”, Virgílio pergunta a Dante no Canto V do Purgatório. “Vem comigo, e ignora das gentes os comentários” [Vien retro a me, e lascia dir le genti]. Na falta de um Virgílio para guiá-lo, Marx modifica o verso no prefácio do primeiro volume do Capital para anunciar que não fará qualquer concessão aos preconceitos da opinião pública: “… tomo por divisa o lema do grande florentino: ‘Segui il tuo corso, e lascia dir le genti!’ [Segue teu curso, e ignora das gentes os comentários!].” Desde o princípio, portanto, o livro é concebido como uma descida às regiões inferiores, e mesmo em meio a complexas abstrações teóricas transmite um vívido sentido de espaço e movimento:
Abandonemos, então, junto com o dono do dinheiro e o detentor da força de trabalho, essa região ruidosa do mercado, onde tudo que é feito é visível a todos os olhos, para seguir os dois ao local oculto da produção, em cujo limiar se pode ler: “Não se permite a entrada senão a negócio.” Aqui há de se mostrar não só como o capital produz, mas como ele mesmo é produzido. O segredo da fabricação de mais-valia há de finalmente ser desvendado.
Os antecedentes literários para tal jornada são com frequência relembrados à medida que Marx prossegue seu caminho. Ao descrever as fábricas de fósforos inglesas, onde metade dos trabalhadores são crianças (algumas com não mais de seis anos) e as condições, tão repugnantes que “somente a parte mais miserável da classe trabalhadora, viúvas famintas, por exemplo, cede seus filhos”, ele escreve:
A jornada variava entre 12, 14 e 15 horas, com trabalho noturno, refeições irregulares e geralmente feitas no próprio local de trabalho, empestado de fósforo. Dante acharia ultrapassadas suas fantasias mais cruéis sobre o inferno nessa manufatura.
Outros infernos imaginários conferem um ornamento adicional ao retrato que faz de uma realidade empírica:

Da massa diversa de trabalhadores de todas as profissões, idades, sexos, que nos atropelam com mais zelo que as almas dos assassinados à volta de Ulisses, e nos quais se reconhece à primeira vista, sem se referir aos livros azuis que levam sob os braços, as marcas do excesso de trabalho, selecionaremos ainda duas figuras cujo contraste flagrante demonstra que, diante do capital, todos os seres humanos são iguais – uma modista e um ferreiro.

Esta é a deixa para uma história sobre Mary Anne Walkley, uma jovem de 20 anos que morreu “por simples excesso de trabalho” depois de se esforçar sem descanso por mais de 26 horas confeccionando os vestidos de luxo para as convidadas de um baile promovido pela princesa de Gales em 1863. Sua empregadora (“uma dama com o agradável nome de Elise”, segundo o cáustico comentário de Marx) ficou surpresa ao descobrir que a jovem morrera sem finalizar os ornamentos da última peça que estava costurando.
Se essas personagens não tivessem existido, Charles Dickens talvez se sentisse tentado a inventá-las. Há uma textura dickensiana em vários momentos do Capital, e Marx acena com explícita casualidade para um autor que tanto amava. Eis aqui, por exemplo, como ele se bate contra os apologistas burgueses, segundo os quais suas críticas a determinados usos particulares da tecnologia caracterizariam-no como um inimigo do progresso social, que não deseja qualquer emprego de maquinaria:
Idêntico ao raciocínio do célebre Bill Sikes: “Senhores jurados! Sem dúvida a garganta desse caixeiro-viajante foi cortada. Não é, porém, culpa minha, mas da faca. Por causa de tais aborrecimentos temporários, deveríamos eliminar a utilização da faca? Pensem uma única vez! Que seria da agricultura e do artesanato sem ela? Será que não é tão benéfica na cirurgia quanto sábia na anatomia? Além disso, uma auxiliar prestimosa em alegres banquetes? Eliminem a faca – e nos lançarão de volta à mais profunda barbárie.”
Bill Sikes não faz esse discurso em Oliver Twist: essa é a extrapolação satírica de Marx. “Eles são meus escravos”, diria algumas vezes, gesticulando para os livros em sua estante, “e devem me servir como eu desejar.” A tarefa dessa força de trabalho não remunerada era providenciar matéria-prima que pudesse ser moldada segundo seus próprios interesses. “Sua conversação não segue em linha reta, mas é tão variada quanto os volumes em suas estantes”, escreveu um entrevistador do Chicago Tribune que visitou Marx em 1878.

Um homem pode em geral ser julgado pelos livros que lê, e o leitor pode tirar suas próprias conclusões quando lhe digo que um olhar casual revelou Shakespeare, Dickens, Thackeray, Molière, Racine, Montaigne, Bacon, Goethe, Voltaire, Paine; livros azuis ingleses, norte-americanos e franceses; obras políticas e filosóficas em russo, alemão, espanhol, italiano etc.

De fato, et cetera: em 1976, S.S. Prawer escreveu um livro de 450 páginas dedicadas inteiramente às referências literárias de Marx. O primeiro volume do Capital revelava citações da Bíblia, de Shakespeare, Goethe, Milton, Voltaire, Homero, Balzac, Dante, Schiller, Sófocles, Platão, Tucídides, Xenofonte, Defoe, Cervantes, Dryden, Heine, Virgílio, Juvenal, Horácio, Thomas More, Samuel Butler – além de alusões a narrativas de terror sobre lobisomens e vampiros, panfletos alemães, obras do romantismo inglês, baladas populares, canções e jingles, melodrama e farsa, mitos e provérbios.
E o que dizer sobre o prestígio literário do próprio Capital? Marx sabia que não o teria de segunda mão, pela mera oferta de flores por parte de outros homens. No primeiro volume ele desdenha daqueles economistas que

ostentavam uma erudição histórico-literária ou misturavam material estranho para dissimular a sensação, não completamente reprimível, de impotência científica, bem como a má consciência de terem de ensinar aos outros o que eles próprios não dominam.

O medo de que ele próprio pudesse ter incorrido nessa ofensa talvez explique a confissão angustiada, no posfácio à segunda edição, de que “ninguém pode julgar mais severamente que eu as carências literárias do Capital”. Assim mesmo, é surpreendente que tão poucas pessoas tenham considerado o livro uma obra de literatura. O Capital originou inúmeras análises a respeito da teoria do valor-trabalho de Marx ou de sua lei da queda tendencial da taxa de lucro. No entanto, apenas alguns poucos críticos prestaram a devida atenção ao desejo intenso – declarado por Marx em várias cartas a Engels – de produzir uma obra de arte.
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Francis Wheen, em O Capital de Marx Uma Biografia

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