O morango
O capitão Alonso González de Nájera,
que viveu seis anos no Chile, recorda e conta.
Fala dos que nascem entre trombetas e
tambores, a nobre hoste que veste cota de malha a partir do berço e
faz muralha de seus corpos frente às avançadas dos índios. Garante
que a chuva arranca grãos de ouro da terra chilena e que os índios
pagam o tributo com o ouro que tiram das barrigas das lagartixas.
Também conta de uma fruta estranha,
de cor e formato de coração, que ao roçar dos dentes explode em
sucos doces. Bem que poderia competir, tão vistosa, saborosa e
cheirosa, com as melhores frutas da Espanha, embora lá no Chile a
ofendam com o nome de frutilla.
Eduardo Galeano, em Os Nascimentos
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