Ó alma, nunca serás boa, simples,
única, nua e mais evidente do que o corpo que te rodeia? Nunca
desfrutarás de uma disposição afetuosa e contente? Nunca estarás
completa e sem quaisquer necessidades, ânsias e desejos por prazeres
oriundos de entes animados ou inanimados? Quando deixarás de desejar
um momento em que terás mais prazer, um lugar ou um clima mais
agradável ou uma sociedade onde poderás viver em mais harmonia?
Haverás de satisfazer-te com a tua
condição atual e com tudo que te cerca? Tu te convencerás de que
já tens tudo? De que tudo te beneficia? De que tudo provém dos
deuses? De que tudo que os agrada te convém? De que tudo que
providenciam basta para manter um ser vivo aperfeiçoado,
benevolente, justo e belo — o qual gera, une, contém e abrange
todas as coisas que são dissolvidas para formar outras semelhantes?
Nunca permanecerás em comunhão com
os deuses e os homens a ponto de não criticá-los ou ser condenada
por eles?
Marco Aurélio, em Meditações
Nenhum comentário:
Postar um comentário