sábado, 24 de maio de 2025

The End, de Paul McCartney e John Lennon


Oh yeah, alright
Are you gonna be in my dreams tonight?
And in the end the love you take
Is equal to the love you make

Copiando versos de “O conto da prioresa”, de Os contos da Cantuária, de Geoffrey Chaucer. Caderno escolar de Literatura Inglesa de Paul
John nem de longe compartilhava de meu interesse pela literatura, embora curtisse Lewis Carroll e, em particular, Winston Churchill. A tia dele, a Dona Mimi, tinha muitos livros de Churchill na sala de visitas. É uma sólida base educacional.
No meu caso, sempre fui fascinado pelo dístico, ou parelha, a estrofe com dois versos rimados. Se você for parar para pensar, o dístico tem sido o carro-chefe da poesia inglesa desde o início. Chaucer, Pope, Wilfred Owen. Sempre me fascino pela forma como Shakespeare usa o dístico para arrematar uma cena ou uma peça inteira. Basta dar uma folheada em Macbeth, por exemplo, para você encontrar maravilhas como:

Receive what cheer you may:
The night is long that never finds the day.

ou

I go, and it is done; the bell invites me.
Hear it not, Duncan; for it is a knell
That summons thee to heaven or to hell.

Essa era a maneira de Shakespeare dizer: “Isso é tudo, pessoal”, e a canção “The End” foi a nossa maneira de dizer o mesmo.

And in the end the love you take
Is equal to the love you make

Esse é um daqueles dísticos que deixam a gente pensando um tempão. Pode ter a ver com um bom carma. Tudo o que vai, um dia volta, como se diz.
Muitas vezes, eu penso no que poderia ter acontecido se eu não tivesse entrado numa banda que acabou levando a minha vida de roldão. Fico me perguntando sobre o caminho que pensei trilhar com meu conceito A em Literatura Inglesa e aonde isso poderia ter me levado.

Paul McCartney, em As Letras – 1956 até o presente

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