Todas
as coisas são palavras do
Idioma
em que Alguém ou Algo, noite e dia,
Escreve
essa infinita algaravia
Que
é a história do mundo. Em seu tropel
Passam
Cartago e Roma, eu, tu, ele,
Minha
vida que não entendo, esta agonia
De
ser enigma, azar, criptografia
E
toda a discórdia de Babel.
Por
trás do nome há o que não se nomeia;
Hoje
senti gravitar sua sombra
Nesta
agulha azul, lúcida e leve,
Que
até o confim de um mar estende seus esforços,
Com
algo de relógio visto em um sonho
E
algo de ave dormida que se move.
Jorge
Luis Borges
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