A
sua biblioteca a esse respeito era completa e valiosa. Possuía
verdadeiros “incunábulos”, se assim se pode dizer, da química moderna. No original ou em tradução, lá havia preciosidades. De
Lavoisier, encontravam-se quase todas as memórias, além do seu
extraordinário e sagacíssimo
Traité Élém entaire de Chimie, présenté dans un ordre
et d'après les découvertes modernes.
O
velho lente, no dizer do filho, não podia pegar nesse respeitável
livro que não fosse tomado de uma grande emoção.
— Veja
só meu filho, como os homens são maus! Lavoisier publicou esta
maravilhosa obra no início da Revolução, a qual ele sinceramente
aplaudiu... Ela o mandou para o cadafalso — sabe você por quê?
— Não,
papai.
—
Porque
Lavoisier tinha sido uma espécie de coletor ou cousa parecida no
tempo do rei. Ele o foi, meu filho, para ter dinheiro com que
custeasse as suas experiências. Veja você como são as cousas e
como é preciso ser mais do que homem para bem servir aos homens...
Lima
Barreto, in A biblioteca (conto)
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